Prevenir acidentes logísticos pode reduzir folha salarial das empresas

02/04/2024

Um a cada quatro acidentes de trabalho no Brasil ocorrem em operações logísticas. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho, dos 613 mil acidentes laborais registrados no país em 2022, 27% foram em atividades de transporte rodoviário de cargas (148,7 mil) e armazenagem (17,5 mil). Essas ocorrências têm impacto nas contribuições previdenciárias das empresas, que podem ser reduzidas com investimentos em segurança do trabalho.

Todas as empresas com empregados registrados pela CLT precisam pagar ao INSS, mensalmente, 20% de cada salário, acrescidos de duas alíquotas relacionadas à segurança do trabalhador: FAP (Fator Acidentário de Prevenção) e RAT (Riscos Ambientais do Trabalho).

O FAP foi criado em 2010 para incentivar as empresas a oferecerem as melhores condições de trabalho. Este fator é recalculado periodicamente, com alíquotas de 1%, 2% ou 3%, levando em conta o número de acidentes e afastamentos registrados nos últimos dois anos, assim como a frequência e gravidade destes e o custo dos benefícios concedidos.

Já o RAT tem alíquotas de 1% a 3%, de acordo com os riscos de acidentes da empresa. No total, o valor mensal pago pelas empresas ao INSS é calculado da seguinte forma: 20% do salário + (RAT x FAP). Portanto, empresas com menos registros de acidentes e menor risco pagam menos à Previdência, enquanto os que apresentam maior número de ocorrências e maior risco pagam mais.

“Como o setor de logística é um dos principais responsáveis por acidentes de trabalho no Brasil, fica claro que investir em operações seguras é fundamental para reduzir os custos das empresas”, afirma Afonso Moreira, CEO da AHM Solution, empresa especializada em prevenção de acidentes e danos em operações logísticas.

Entre as estratégias para diminuir os custos previdenciários, ele recomenda o monitoramento regular dos riscos operacionais, além de ações de prevenção de acidentes, como sinalizações, treinamentos e segregação de circulação de máquinas e pedestres. “Esses riscos podem ser ainda mais reduzidos com tecnologias como sensores e alertas de detecção de objetos e pessoas”, explica Moreira.

Outra vantagem destes dispositivos, segundo ele, é aumentar a produtividade da operação. “No caso da logística de armazenagem, por exemplo, os operadores de empilhadeiras podem trabalhar com mais agilidade e manobras mais precisas e seguras, evitando acidentes. Portanto, investir em segurança do trabalho não apenas reduz custos previdenciários, mas também proporciona um retorno operacional significativo”, completa.

Por fim, Moreira ressalta a importância de um diagnóstico especializado, e regularmente atualizado, dos riscos de cada empresa, em termos de segurança das operações logísticas, para que os investimentos sejam adequados às suas necessidades ou oportunidades de melhorias. “Qualquer investimento só faz sentido se o benefício for maior que seu custo, seja ele financeiro ou em outros riscos associados. No caso de acidentes, eles podem trazer danos severos à reputação da empresa e, portanto, ao futuro dos seus negócios”, conclui.

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