A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) reduziu R$ 75 milhões em capital imobilizado em estoques após revisar suas políticas de gestão de suprimentos e implementar ferramentas de análise e planejamento. O projeto, desenvolvido com a GTPLAN, empresa especializada em tecnologia SaaS para Supply Chain, envolveu a reorganização de aproximadamente 300 políticas de estoque que não seguiam critérios padronizados.
A iniciativa buscou equilibrar a disponibilidade de materiais e o volume de recursos financeiros comprometidos com os estoques. Entre os itens avaliados estão equipamentos de proteção individual (EPIs), uniformes e outros materiais considerados essenciais para a operação industrial. A revisão das regras de reposição também teve como objetivos reduzir excessos, evitar rupturas e melhorar o nível de atendimento das demandas internas.
Em operações industriais de alta complexidade, a gestão de estoques precisa considerar diferentes fatores, como o capital imobilizado, o risco de paralisação da produção, a criticidade dos materiais e a capacidade de resposta dos fornecedores. Antes do projeto, segundo as informações divulgadas, a CSN enfrentava dificuldades relacionadas à falta de padronização das regras de compra e reposição.
As decisões eram orientadas, em parte, pela percepção de risco das equipes. A incerteza sobre os volumes adequados para reposição favorecia compras preventivas, que aumentavam os recursos parados em estoque sem necessariamente impedir a falta de materiais essenciais.
De acordo com Thiago Fialho, cofundador da GTPLAN, o excesso de materiais pode estar relacionado à ausência de critérios estruturados para definir as políticas de suprimentos. “Em grandes indústrias, o excesso de estoque raramente é um problema de volume de compras; em sua maioria, é de como as políticas de reposição estão desenhadas. Quando existem centenas de regras dispersas, a percepção subjetiva de risco passa a comandar os pedidos, gerando compras por proteção que pesam no caixa e não evitam rupturas”, analisa o executivo.

Tecnologia e revisão das políticas de reposição
Para estruturar o novo modelo de governança, a GTPLAN implementou dois módulos de sua plataforma. O SIO (Service and Inventory Optimization) foi utilizado na otimização dos parâmetros de reposição e na calibração das políticas de estoque. Já o MRP (Planejamento de Reposição por Compras) ficou responsável pela organização e antecipação dos pedidos.
O trabalho também incluiu consultoria e apoio técnico na revisão das premissas utilizadas pelas equipes internas. A proposta foi estabelecer critérios mais consistentes para orientar as decisões de compra e reposição, além de construir justificativas técnicas que pudessem ser utilizadas pelas áreas responsáveis pela gestão dos materiais.
A combinação entre tecnologia e revisão dos processos permitiu à CSN reduzir o capital imobilizado em R$ 75 milhões, diminuir os dias de cobertura dos estoques e elevar a taxa de atendimento das demandas. Os resultados estão relacionados à reorganização das políticas de reposição e à utilização de parâmetros analíticos para orientar as decisões.
Segundo Fialho, a adoção de ferramentas tecnológicas precisa estar associada à revisão das regras que orientam a operação. “A tecnologia fornece a base analítica necessária, mas é a revisão metódica das políticas de estoque que traz a confiança para agir. Ao calibrar as regras com acompanhamento contínuo, provamos que é possível liberar caixa expressivo sem comprometer a segurança e a disponibilidade de materiais para o dia a dia da empresa”, conclui.
O projeto evidencia a relação entre governança de estoques, planejamento de compras e disponibilidade de materiais em operações industriais. Ao revisar critérios de reposição e reduzir decisões baseadas apenas na percepção de risco, a gestão de suprimentos pode contribuir tanto para o controle dos recursos financeiros quanto para a continuidade das atividades produtivas.










