Fenatran 2026 | Cobertura Especial Logweb
A transformação do transporte estará em evidência na Fenatran 2026 — e a Logweb prepara uma cobertura especial para acompanhar os principais lançamentos, tecnologias e movimentos do setor.
Fabricantes, fornecedores de soluções, empresas de tecnologia e prestadores de serviços poderão apresentar suas iniciativas ao público especializado da Logweb por meio de oportunidades comerciais de participação na cobertura.

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A logística não está apenas mudando. Está redesenhando a maneira de operar
*Por Valeria Lima
Quando melhorar o que existe já não é suficiente
Durante muito tempo, transformar uma operação logística significava modernizar seus recursos. Comprar caminhões mais eficientes. Ampliar armazéns. Instalar sistemas de gestão. Automatizar atividades. Melhorar processos. Esses movimentos continuam importantes. Mas as notícias desta semana revelam algo que merece uma reflexão mais profunda.
Em diferentes segmentos, as empresas começam a questionar não apenas quais recursos utilizam, mas como organizam suas operações. A inteligência artificial passa a executar tarefas antes realizadas por profissionais. A transição energética cria novas cadeias de abastecimento. Mudanças nas jornadas de trabalho exigem outra distribuição das atividades. A sustentabilidade passa a influenciar investimentos, processos e modelos de negócios. E os picos de demanda continuam colocando à prova a capacidade de resposta das empresas.
Talvez a transformação esteja deixando de ser apenas uma questão de modernização. Esteja se tornando uma questão de Reconfiguração.
Mas existe uma distinção importante. Nem toda inovação exige uma ruptura completa. E nem toda reorganização produz automaticamente melhores resultados.
O desafio está em compreender o que realmente precisa mudar, o que deve ser preservado e como reorganizar recursos sem comprometer aquilo que já funciona.
A inteligência artificial começa a modificar a organização do trabalho – Na semana anterior, o Insights Logweb discutiu a Inteligência Aplicada: a distância entre possuir inteligência e conseguir transformá-la em resultado. Agora, três iniciativas ajudam a levar essa discussão adiante.
A nstech apresentou uma torre de controle com inteligência artificial agêntica, desenvolvida para monitorar operações, identificar riscos, recomendar decisões e executar determinadas ações conforme níveis de autonomia previamente definidos.
A Descartes anunciou uma plataforma de inteligência artificial para automatizar processos de supply chain.
A UpFlux destacou oportunidades de retorno financeiro com a utilização de IA nas compras corporativas.
Esses movimentos apontam para uma mudança relevante. A automação deixa de atuar exclusivamente sobre tarefas repetitivas e começa a alcançar processos que envolvem análise, decisão e execução.
Isso exige repensar fluxos de trabalho, responsabilidades, integração entre sistemas e mecanismos de supervisão. A pergunta deixa de ser apenas: qual tecnologia podemos incorporar?
Passa a ser: como o trabalho deve ser organizado quando parte de sua execução pode ser realizada por sistemas inteligentes?
A resposta não está necessariamente em substituir pessoas.
Pode estar em redistribuir atividades, reduzir tarefas burocráticas e permitir que os profissionais concentrem sua atenção em decisões que exigem conhecimento, experiência e responsabilidade.
A reconfiguração tecnológica, portanto, também é uma reconfiguração humana.
A transição energética cria novas cadeias logísticas
Outra notícia expressiva veio da DHL, que projeta quintuplicar sua receita com logística para novas energias até 2030.
A projeção evidencia o potencial de crescimento de serviços especializados associados à transformação energética.
No Brasil, a perspectiva de investimentos superiores a R$ 108 bilhões em hidrogênio verde até 2029 reforça a dimensão econômica desse movimento.
Ao mesmo tempo, a discussão sobre a combinação entre eletrificação e etanol mostra que a descarbonização do transporte poderá seguir diferentes caminhos tecnológicos.
Essas mudanças ultrapassam a substituição de uma fonte de energia por outra.
Novas cadeias exigem transporte especializado, infraestrutura, armazenagem, segurança, profissionais capacitados e diferentes formas de integração.
O avanço dos veículos elétricos também amplia discussões sobre a disponibilidade e a competição por minerais utilizados em diferentes atividades produtivas.
Enquanto isso, iniciativas como a operação de reciclagem de pneus da SAG Ambiental, com capacidade anunciada de 21 mil toneladas por ano, mostram como a circularidade começa a ganhar novas estruturas industriais.
A transição energética não muda apenas aquilo que movimentamos. Pode modificar a própria maneira como organizamos as cadeias que sustentam a economia. E isso cria oportunidades para operadores logísticos, transportadores, fornecedores de tecnologia e prestadores de serviços especializados.
A reorganização do trabalho deixa o campo das hipóteses
A experiência da Temp Log merece destaque especial. A empresa anunciou a antecipação da escala 5×2 em grande parte de suas atividades, reorganizando jornadas na logística farmacêutica. O aspecto mais interessante não está apenas na mudança de escala. Está no processo de adaptação. Segundo a empresa, a reorganização envolve análise dos períodos de maior demanda, necessidades de cobertura, produtividade das áreas e continuidade dos serviços.
Na logística farmacêutica, onde determinadas entregas exigem condições especiais e janelas específicas de atendimento, qualquer alteração precisa considerar a integridade dos produtos e a confiabilidade da operação. A iniciativa ganha relevância diante das mudanças legislativas e dos debates sobre jornadas de trabalho.
Mas oferece uma lição que vai além da legislação. Reorganizar o trabalho não significa simplesmente redistribuir horas. Significa compreender como as atividades são executadas e quais condições são necessárias para manter a qualidade dos resultados. Uma jornada diferente pode exigir ajustes em processos, dimensionamento de equipes, tecnologia e planejamento.
Pode também abrir oportunidades de melhorar a qualidade de vida dos profissionais. Mas seus resultados dependerão das características de cada operação. Não existe uma solução única para todas as empresas. E talvez seja justamente essa a principal contribuição do caso.
A reconfiguração bem-sucedida começa pelo conhecimento da operação, não pela simples adoção de um novo modelo.
A Black Friday testa a capacidade de reorganização – A aproximação da Black Friday acrescenta urgência a essa discussão. As projeções divulgadas nesta semana apontam para uma movimentação de R$ 16,6 bilhões no comércio eletrônico brasileiro durante a data. Para a logística, isso significa necessidade de capacidade adicional, planejamento de estoques, contratação de profissionais e coordenação entre armazéns, transportadoras e canais de venda.
A Loggi anunciou vagas temporárias em Cajamar para atender à demanda do período. Mas contratar mais pessoas ou ampliar turnos não resolve necessariamente todos os gargalos. O desafio é compreender onde estão as restrições da operação e como redistribuir recursos para responder ao aumento de volume.
Conteúdo em destaque | Senior Sistemas – Black Friday: a operação precisa funcionar como um todo
Em Branded Content publicado no Portal Logweb, a Senior Sistemas apresenta cinco cuidados para evitar atrasos e rupturas durante a Black Friday. A análise aborda planejamento de estoques, conhecimento da capacidade do armazém, integração com transportadoras, testes prévios da operação e acompanhamento das entregas.
Anderson Benetti, Head de Produto de Logística da Senior Sistemas, chama atenção para um aspecto central: a capacidade real de uma operação depende de seu elo mais restritivo. Essa perspectiva dialoga diretamente com o tema desta edição.
Não basta ampliar a capacidade de uma etapa se as demais não conseguem acompanhar. Uma operação preparada não é apenas aquela que possui mais recursos. É aquela que consegue coordená-los de maneira eficiente quando a demanda aumenta.
Leia o Branded Content da Senior Sistemas:
https://logweb.com.br/sua-operacao-esta-pronta-para-a-black-friday-senior-lista-cinco-cuidados-para-evitar-atrasos-e-rupturas/
A Fenatran evidencia diferentes caminhos para a transformação
A Fenatran 2026 reúne exemplos concretos de evolução tecnológica e adaptação às necessidades do transporte. A possibilidade de experimentar caminhões de sete marcas no Fenatran Experience amplia o contato dos profissionais com diferentes soluções. A PALFINGER apresenta uma atualização de seu guindaste MD 510.
A Librelato anunciou investimento de R$ 65 milhões e uma nova geração de implementos rodoviários. São iniciativas que respondem a necessidades distintas. Capacidade operacional. Versatilidade. Segurança. Eficiência. Produtividade.
A feira mostra que a transformação do transporte não acontecerá por meio de uma única tecnologia. Diferentes aplicações exigirão soluções específicas. E essa diversidade reforça uma conclusão importante.
O futuro não será necessariamente construído pela substituição de tudo o que existe, mas pela capacidade de combinar recursos novos e existentes de maneira mais eficiente.
Reconfigurar exige conhecer os limites da operação – As notícias da semana também mostram como a pressão cotidiana continua exigindo soluções práticas.
O avanço do registro de operações de transporte por meio do CIOT e a aplicação de inteligência artificial à análise de dados das frotas apontam para maior capacidade de controle e gestão.
A utilização de IoT para acompanhar equipes e equipamentos industriais pode ajudar a identificar perdas e oportunidades de melhoria.
Soluções como o Vale-Pedágio por placa, apresentado pela Move Mais, buscam simplificar procedimentos operacionais.
Enquanto isso, a expansão de operações de combustíveis, as demandas por máquinas de construção em novas regiões e a necessidade de eficiência nas exportações agrícolas mostram que o crescimento continua exigindo capacidade física e coordenação.
Nem todos esses avanços representam uma ruptura. Alguns melhoram processos existentes. Outros modificam etapas específicas. E há aqueles que podem exigir mudanças mais profundas na organização da cadeia. O importante é distinguir essas situações.
Transformar não significa mudar tudo. Significa mudar aquilo que impede a operação de produzir resultados melhores.
Os Cinco Movimentos da Semana
1. A inteligência artificial começa a reorganizar processos
Soluções de IA agêntica e automação ampliam as possibilidades de redistribuir atividades e responsabilidades operacionais.
2. A transição energética cria novas cadeias de valor
As projeções da DHL, os investimentos em hidrogênio verde e as alternativas de descarbonização mostram oportunidades para novos serviços e competências logísticas.
3. A organização do trabalho entra em transformação
A experiência da Temp Log e os debates sobre jornadas evidenciam a necessidade de conciliar condições de trabalho, produtividade e continuidade operacional.
4. A Black Friday exige coordenação, não apenas capacidade
Contratações, planejamento, integração de sistemas e preparação para picos de demanda mostram a importância de reorganizar recursos com antecedência.
5. A inovação precisa responder às necessidades reais
Os lançamentos associados à Fenatran e as soluções de gestão reforçam que o valor de uma tecnologia depende de sua aplicação concreta.
O que observar daqui para frente
A transformação da logística deverá exigir decisões cada vez mais complexas.
Quais atividades poderão ser automatizadas?
Quais competências precisarão ser desenvolvidas?
Como adaptar as jornadas de trabalho sem comprometer a continuidade dos serviços?
Quais oportunidades surgirão com as novas cadeias energéticas?
Como avaliar investimentos em tecnologias que possuem diferentes níveis de maturidade?
E como reorganizar operações sem criar novas ineficiências?
A resposta provavelmente não estará em um único modelo.
Empresas diferentes possuem estruturas, necessidades e restrições distintas.
Por isso, a capacidade de diagnosticar a operação e compreender suas interdependências poderá tornar-se tão importante quanto a capacidade de investir.
O futuro da logística não será construído apenas com novas ferramentas, novas fontes de energia ou novos equipamentos. Será construído pela capacidade de reorganizar processos, pessoas e decisões em torno de novas possibilidades.
Reflexão Logweb
Existe uma ideia que frequentemente acompanha os períodos de transformação. A de que o futuro exige abandonar o passado. Substituir equipamentos. Trocar sistemas. Modificar estruturas. Redesenhar processos. Mas talvez a questão seja mais complexa. Algumas práticas precisam realmente desaparecer. Outras precisam evoluir.
E muitas continuam produzindo bons resultados. A dificuldade está em reconhecer a diferença. Uma empresa pode investir em inteligência artificial e continuar operando com processos inadequados. Pode modificar jornadas de trabalho sem compreender as necessidades de cada área. Pode incorporar novas tecnologias energéticas sem preparar a infraestrutura necessária. Pode ampliar a capacidade física sem eliminar os gargalos que limitam sua produtividade. E pode reorganizar toda uma operação sem conseguir melhorar seus resultados.
Nem toda inovação exige uma ruptura completa. E nem toda reorganização produz automaticamente melhores resultados.
Talvez a transformação mais importante seja desenvolver a capacidade de questionar a maneira como trabalhamos. Não para mudar por mudar. Mas para identificar o que precisa ser preservado, aperfeiçoado ou reconstruído. Por isso, a pergunta desta semana é: Sua empresa está incorporando novas tecnologias à maneira antiga de trabalhar ou está preparada para repensar a própria maneira de operar?
A resposta não precisa significar uma ruptura. Pode significar uma mudança gradual. Uma nova distribuição de responsabilidades. A eliminação de uma etapa desnecessária. A integração de processos. Uma forma diferente de utilizar o conhecimento dos profissionais. Ou a descoberta de que determinada estrutura já não responde às necessidades atuais.
O importante é compreender que a transformação não está apenas nos recursos que incorporamos.
Está também nas escolhas que fazemos sobre como utilizá-los.
Porque o futuro da logística não será definido simplesmente por tudo aquilo que conseguirmos modernizar.
Será definido pela capacidade de reconhecer o que realmente precisa mudar — e transformar essa mudança em valor.
*Valeria Lima
Presidente Instituto Logweb de Logística e Supply Chain
Diretora da Logweb – Mídia Especializada em Logística
“As notícias informam. O Insights Logweb conecta os fatos e revela os movimentos que ajudam a compreender o futuro da logística brasileira.”










