O avanço das operações com navio multipropósito voltou a ganhar destaque no Brasil após a atracação do Green Suape, da COSCO Shipping Specialized Carriers, no Sepetiba Tecon, em Itaguaí (RJ), no último dia 20 de março. A embarcação realizou uma escala com diferentes perfis de carga, reunindo contêineres, veículos, bobinas de aço e vagões de metrô em uma única operação.
Esse tipo de movimentação reflete uma mudança gradual no padrão de transporte marítimo. Tradicionalmente, cargas conteinerizadas são operadas por navios dedicados, enquanto cargas soltas seguem em embarcações de carga geral ou de projeto. No entanto, esse modelo segmentado pode gerar ineficiências operacionais, especialmente para armadores que precisam consolidar volumes e para embarcadores que acabam arcando com custos adicionais de adaptação e armazenagem.
Nesse contexto, os navios multipropósito surgem como alternativa mais flexível. Ao permitir o transporte de diferentes tipos de carga na mesma viagem, o modelo contribui para melhor aproveitamento da capacidade das embarcações, além de potencial redução de custos e maior competitividade nos fretes.

Operação exige infraestrutura e integração operacional
Por outro lado, a operação com cargas diversificadas em uma mesma escala demanda maior preparo dos terminais portuários. É necessário contar com infraestrutura adequada, áreas de armazenagem compatíveis e acessos integrados — marítimos, rodoviários e ferroviários — capazes de suportar diferentes características de carga.
Além disso, o manuseio simultâneo de itens distintos exige equipamentos específicos, protocolos de segurança e equipes qualificadas, com capacidade para atuar em operações mais complexas e integradas.
De acordo com o diretor operacional do Sepetiba Tecon, Guilherme Vidal, a adaptação a esse cenário envolve evolução contínua da operação. “Nosso terminal já conta com as condições necessárias para operar navios multipropósito, com infraestrutura adequada, áreas de armazenagem e acessos que permitem atender diferentes perfis de carga. Ainda assim, é fundamental seguir investindo não apenas em equipamentos, mas também na formação de equipes com perfil multidisciplinar, para ampliar a capacidade operacional e o nível de integração das operações”, afirma Vidal.
Impulsionada pelo crescimento do segmento de carga geral, a tendência é que a demanda por navios multipropósito aumente nos próximos anos. Dessa forma, terminais com maior versatilidade operacional tendem a ganhar relevância estratégica no cenário portuário brasileiro.








