A expansão do e-commerce no Brasil vem redesenhando o setor de logística, principalmente nas operações de última milha, etapa considerada uma das mais desafiadoras da cadeia. Em um cenário marcado por desigualdades geográficas e limitações estruturais, milhões de brasileiros ainda vivem em regiões onde o sistema tradicional de endereçamento dificulta ou até impede o recebimento de mercadorias.
Nesse contexto, a empresa de tecnologia logística Drivin firmou uma parceria com a naPorta para ampliar o alcance das operações de entrega em áreas consideradas de difícil acesso. A iniciativa une recursos de gestão de transporte e inteligência territorial com o objetivo de organizar operações logísticas em comunidades onde o CEP tradicional não representa adequadamente a realidade local.

A integração conecta o sistema de gestão de transporte (TMS) da Drivin à operação especializada da naPorta, que atua diretamente dentro dessas comunidades em diferentes regiões do país. Com isso, o planejamento de rotas e entregas passa a considerar fatores territoriais e operacionais que normalmente não aparecem nos mapas convencionais utilizados pelas transportadoras.
Segundo Alvaro Loyola, country manager da Drivin Brasil, a proposta vai além da otimização operacional. “Com isso, as rotas deixam de depender apenas de mapas formais e passam a refletir a realidade de quem vive nesses territórios. Mais do que otimizar processos, a tecnologia passa a reconhecer pessoas. A colaboração entre plataformas e operadores locais aponta um novo caminho, onde inovação também significa inclusão”, afirma.
A plataforma da Drivin reúne ferramentas de planejamento logístico, roteirização e monitoramento em tempo real, ampliando a visibilidade sobre as operações. Ao mesmo tempo, a atuação da naPorta incorpora conhecimento territorial e relacionamento local para viabilizar entregas em regiões historicamente desassistidas pelos modelos tradicionais de distribuição.
Logística inclusiva e inteligência territorial
A parceria entre as empresas reforça uma tendência crescente no setor de logística inclusiva, baseada na colaboração entre plataformas tecnológicas e operadores especializados. Dessa forma, o uso combinado de dados, tecnologia e conhecimento local busca ampliar a capilaridade das entregas e reduzir barreiras operacionais em áreas que ainda permanecem fora do radar do comércio eletrônico.
Além da eficiência operacional, iniciativas desse tipo também têm impacto direto sobre o acesso ao consumo e aos serviços digitais. Para as empresas, o avanço representa novas possibilidades de expansão de mercado. Já para moradores dessas regiões, significa a possibilidade concreta de receber produtos diretamente em casa, mesmo em localidades onde o endereço formal ainda é um desafio para o setor logístico.







