Grupo chinês compra 23,7% da Azul Linhas Aéreas por R$ 1,7 bilhão

26/11/2015

A companhia aérea brasileira Azul fechou acordo para vender uma fatia de 23,7% ao grupo chinês HNA. Para obter a participação, o conglomerado pagará R$ 1,7 bilhão, com direito a assento no Conselho de Administração da empresa.

O investimento avalia a empresa em mais de R$ 7 bilhões e, de acordo com a Azul, a torna a aérea mais valiosa do mercado brasileiro.

De acordo com o presidente da aérea, Antonoaldo Neves, a injeção de capital deve acontecer nas próximas semanas e a companhia já poderá contar com os recursos no fim de 2015.

Eles serão utilizados para amortizar parte da dívida de curto prazo da companhia e fugir dos juros altos praticados no mercado brasileiro atualmente, afirmou Neves. A Azul também aproveitará parte do dinheiro para dar continuidade ao plano de renovação de sua frota.

Com o adiamento da abertura de capital da aérea pela terceira vez neste ano, o valor injetado substitui, neste momento, os recursos que seriam captados no mercado.

“Como o valor foi muito alto, [esse novo caixa] não terá um horizonte de curto prazo, mas de dois, três anos. Ele é como o IPO [oferta inicial de ações] que a gente não conseguiu fazer por causa das condições do mercado brasileiro”, disse Neves.

Isso não significa, no entanto, que a Azul tenha desistido do IPO, que ainda acontecerá “um dia”, segundo o executivo.

“Apesar de a gente não ter se capitalizado com a IPO, a gente se capitalizou com empresas privadas, o que, na prática, representa até mais do que a IPO que a gente faria”, afirmou.

Em junho, a Azul já havia vendido 5% da participação na companhia para a norte-americana United, por US$ 100 milhões.

NOVAS ROTAS

O novo acordo permitirá que a Azul entre no mercado asiático por meio de contratos de “interline” —modelo que possibilita passageiros reservarem voos de diferentes companhias parceiras para um percurso não atendido por só uma empresa— e de compartilhamento de voos.

Isso só deve acontecer, porém, em um prazo de seis meses a um ano, disse Neves, já que as operações vão demandar uma análise das malhas das companhias e aprovação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para o compartilhamento de voos.

A venda de participação não muda os planos da Azul para a capacidade de operação da companhia no mercado brasileiro.

“A gente ia crescer 15% neste ano [em oferta de voos domésticos], agora vai crescer só 4%. Então eu tenho entre cerca de 10 e 15 aeronaves em excesso, que serão vendidas”, afirmou Neves. Com a frota restante, disse, será possível manter a projeção para 2016, que varia de manutenção da capacidade a redução de entre 4% e 5%.

A Azul, assim como todo o setor aéreo no Brasil, sofre com a valorização do dólar, já que 60% de seus custos são em moeda estrangeira.

Para voltar a aumentar a capacidade, será preciso avaliar, no médio prazo, o comportamento do câmbio e os preços tarifas, que são hoje “as mais baratas da história”, disse Neves.

“O que muda no ano que vem com o aporte é que vamos trabalhar muitas sinergias com a HNA, de custo, manutenção, ajuste sazonal da frota, negociação de seguros juntos”, disse o executivo.

Em junho, o consórcio que controla a Azul, liderado pelo empresário David Neeleman, venceu a disputa pela compra de 61% da ex-estatal portuguesa TAP, o que também deve ajudar a aérea brasileira a ganhar capilaridade.

HNA

O HNA Group é um conglomerado que opera nos setores de aviação, indústria, turismo, logística e financeiro, com atuação expressiva no financiamento de aeronaves. O grupo possui faturamento anual de US$ 25,6 bilhões e mais de 110 mil funcionários.

Em nota, o presidente do HNA, Adam Tan, afirmou que o grupo está comprometido em expandir sua presença no setor de aviação. “Estamos felizes de nos aliar à Azul para proporcionar mais opções e conveniência para nossos clientes que viajam ao Brasil”, afirmou.

RAIO-X

AZUL/2014

FATURAMENTO R$ 5,8 bilhões

PREJUÍZO LÍQUIDO R$ 65,04 milhões

NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS 10 mil (tripulantes)

DÍVIDA LÍQUIDA R$ 2,3 bilhões

PRINCIPAIS CONCORRENTES Tam, Gol, Avianca

Fonte: Folha de S. Paulo

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Fenatran 2026 reúne mais de 700 marcas e expõe os caminhos da transformação no transporte de cargas
Fenatran 2026 reúne mais de 700 marcas e expõe os caminhos da transformação no transporte de cargas
CSN reduz R$ 75 milhões em capital imobilizado em estoques com projeto desenvolvido pela GTPLAN
CSN reduz R$ 75 milhões em capital imobilizado em estoques com projeto desenvolvido pela GTPLAN
Primeiro computador quântico do Brasil chega ao Porto de Suape, PE, em operação logística da Movecta
Primeiro computador quântico do Brasil chega ao Porto de Suape, PE, em operação logística da Movecta
Caminhoneiro de Salvador vence a 32ª Gincana do Caminhoneiro e ganha Volkswagen Delivery Express
Caminhoneiro de Salvador vence a 32ª Gincana do Caminhoneiro e ganha Volkswagen Delivery Express
Pesquisa da Lalamove aponta que 76,4% das PMEs que usam IA relatam operações mais rápidas
Unilever inaugura seu primeiro Hub Logístico no Brasil, um dos mais automatizados da empresa no mundo
Unilever inaugura seu primeiro Hub Logístico no Brasil, um dos mais automatizados da empresa no mundo

As mais lidas

01

Diesel acumula alta de 5% em dois meses, enquanto gasolina cai em 20 estados, aponta ValeCard
Diesel acumula alta de 5% em dois meses, enquanto gasolina cai em 20 estados, aponta ValeCard

02

Scania lança o caminhão Super 11 litros com potências de 390 e 430 cv, para diferentes segmentos do transporte
Scania lança o caminhão Super 11 litros com potências de 390 e 430 cv, para diferentes segmentos do transporte

03

Insights Logweb - O movimento da semana de 26 a 30 de outubro
Insights Logweb – O movimento da semana de 26 a 30 de outubro