Grandes empresas discutem o papel do Supply Chain Omnicanal no varejo

16/03/2016

Com os avanços do comércio e da tecnologia que levam os consumidores a adquirirem produtos não mais apenas por lojas físicas, mas também por diferentes canais – como e-commerce, móbile commerce, televendas e social commerce -, o varejo se vê impulsionado a buscar o aperfeiçoamento das operações através do Supply Chain Omnicanal.

A temática, que é uma novidade no Brasil já bastante difundida nos Estados Unidos e iniciada na Europa, leva os varejistas que praticam a multicanalidade a trocarem informações e buscarem atualizações sobre como o Supply Chain Omnicanal se organiza no Brasil. Tal assunto reuniu recentemente em São Paulo cinquenta profissionais, vinte e cinco empresas e especialistas no assunto, como: Aurélien Jacomy da DIAGMA Brasil; Robledo Castro, IT Manager na DPaschoal; Marcos Lima, diretor de Supply Chain da Leroy Merlin Brasil; e Christophe Minarelli, gerente de projetos na Cnova, responsável pela transformação Omnicanal.

Segundo o francês Olivier Dubouis, sócio da DIAGMA e especialista em Supply Chain no varejo e moda, que veio ao Brasil especialmente para palestrar no evento, o meio ambiente do varejo conhece diversas revoluções que levam as empresas a implementar estruturas omnicanais, e suas aplicações práticas  causam grandes impactos estruturais. “Trata-se de uma implantação urgente, pois traz fluidez e visibilidade global às marcas. Porém, para a implantação e execução nas empresas brasileiras é necessário vencer barreiras de processo e de cultura”, detalha. Entre os exemplos citados por ele como bons na implantação do Omnicanal na França, estão a Decathlon, de artigos esportivos; a FNAC, cultura e material eletrônico; e NESPRESSO, café e máquinas.  Para ele, antes de unificar canais é necessário um e-commerce maduro e um planejamento especializado que dê à inovação uma infraestrutura adequada de sistema, logística e processos integrados.

O consumidor não diferencia uma loja física de um e-commerce. Para ele ambos os canais representam uma mesma marca. Mais exigente, esse comprador quer ser bem atendido e ter a conveniência de comprar na loja virtual e trocar ou retirar em qualquer loja física da mesma empresa. Para atender bem a este cliente surge a necessidade de um processo logístico integrado e é neste ponto que o Omnicanal ganha força.

A transformação do Omnicanal necessita de uma reeestruturação sobre nove frentes ligadas à Supply Chain, que são a gestão dos estoques, organizações dos CDs (centros de distribuição), área fiscal, malha de distribuição, organização das lojas, transporte, sistemas de informação, organização das equipes e pricing (definição dos preços).

Para Aurélien Jacomy, da DIAGMA Brasil, a grande dificuldade está em adequar à cadeia de abastecimento para permitir ao cliente escolher por qual canal comprar e por onde receberá o produto.  Outra dificuldade é a diferenciação de preços do canal online para o físico, que segundo ele pode ser justificado por uma promoção ou simplesmente ser nivelado, evitando distinções.

Christophe Minarelli, gerente de projetos na Cnova, responsável pela transformação Omnicanal em grandes marcas de varejo no Brasil, como Extra, Ponto Frio e Casas Bahia, já está implantando – conforme o perfil de cada um dos grandes varejos – a organização da empresa para a entrega em pontos de venda. “Se o cliente compra online, ele pode retirar em uma loja próxima de casa, pois infelizmente há locais no Brasil onde se torna perigoso e até mesmo dificultoso uma entrega, não garantindo ao comprador o recebimento do produto em tempo hábil”, detalha. Além disso, ele afirma que a pessoa que retira no local pode optar em fazer mais compras o que é vantajoso para o varejo.

Robledo Castro, IT Manager na Dpaschoal, relatou que a marca unificou a proposta de valor dos diferentes canais de vendas e a compra online com retirada no local, o que é vantajoso: “Ao retirar pneus, o cliente ficará satisfeito em poder também usufruir dos serviços da empresa relacionados ao produto”, explica.

Marcos Lima, que é diretor de Supply Chain da Leroy Merlin Brasil, disse que ao implantar o Omnicanal a marca organizou os centros e as malhas de distribuição. A empresa também atua com e-commerce há um pouco mais de um ano, e televenda e, por isso, já trabalha com entrega a domicílio e também retirada nas lojas físicas. “A maioria das lojas trabalha em um raio de apenas 100 quilômetros, o que facilita a distribuição. São Paulo tem três CDs e o Rio de Janeiro tem um. Já Fortaleza tem um CD regional dentro da loja, por causa da distância”, explica.

Todos os participantes do evento foram unânimes em constatar que a implantação do Supply Chain Omnicanal é um desafio trabalhoso, que exige uma eficiência de gestão de produtos e uma ação sistêmica do negócio, porém é uma estratégia certeira na evolução e produção do varejo.

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