Uma nova receita milagrosa para não cair nas garras do bafômetro está no mercado. Chama-se Metadoxil, medicamento composto por íons de pidolato de piridoxina, conhecida mundialmente como metadoxina.
O remédio
lançado no mercado brasileiro em agosto passado pelos laboratórios Baldacci – é utilizado no tratamento do alcoolismo. Ele acelera a eliminação do álcool e seus produtos metabólicos do organismo. No entanto, a tese de que a ingestão da substância após a bebedeira elimina totalmente o álcool é um engodo. Detalhe: há até quem garanta que o remédio evita totalmente a ressaca.
Péssima notícia para quem não quer abrir mão de uns drinques a mais por conta da Lei Seca, que pune motoristas que bebem antes de dirigir. "A verdade é uma só: não existe qualquer medicamento que possa reduzir ou eliminar de forma rápida a concentração de álcool no sangue", ressaltou a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Ou seja, não há qualquer fórmula ou método para escapar das exigências da nova lei.
Receita
O problema é que a falsa solução para o bafômetro caiu na internet e na boca do povo. Jovens de várias capitais brasileiras estão recorrendo às farmácias e usando a droga para assumir o volante depois das baladas. Mais complicações: além da automedicação, ocorre a venda irregular do produto. O Metadoxil, que tem preço sugerido de R$ 36,64, possui tarja vermelha e, portanto, deve ser vendido apenas sob prescrição médica. Só que a regra não é seguida.
Na quarta-feira passada, o Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul notificou uma farmácia em Porto Alegre que fazia propaganda do Metadoxil. Um cartaz no estabelecimento oferecia o remédio para driblar o bafômetro. O Conselho notificou a farmácia por propaganda enganosa e falta de ética do farmacêutico. O caso será analisado pela Vigilância Sanitária de Porto Alegre.
Em São Paulo, o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia, Marcelo Polacow, garantiu que haverá ações para intensificar a fiscalização. "É preciso cumprir a lei. Vamos entrar em contato com farmácias e farmacêuticos e orientá-los sobre a venda do medicamento", disse Polacow. Segundo ele, há contradições a respeito do Metadoxil. Há pesquisas científicas que contradizem o efeito da eliminação do álcool no sangue e nos tecidos, mas há também as que garantem a eficácia.
O medicamento, um derivado da vitamina B6, vendido em países da Europa e Ásia, chegou ao Brasil em agosto e ainda é pouco conhecido entre a classe médica. O laboratório Baldacci, responsável pela comercialização, estima que 3 mil caixas já foram vendidas no Brasil. A indicação é para pacientes dependentes do álcool ou para quem já parou de beber e está em fase de desintoxicação. Ao acelerar a eliminação do álcool, a droga ajuda a recuperar as funções do fígado. Recomenda-se de um a quatro comprimidos por dia, a depender do paciente. O tratamento dura de um a três meses.
Em nota, o diretor-médico do Laboratório Baldacci, Ronaldo Abud, afirmou que "a droga é destinada ao tratamento de alterações hepáticas decorrentes da intoxicação alcoólica aguda e crônica; tratamento de fígado gorduroso e hepatite alcoólica; apropriado para completar protocolos terapêuticos de desmame e para manutenção da abstinência de indivíduos alcoolistas". "O Metadoxil é um coadjuvante no tratamento do alcoolismo, pois protege o organismo de seus efeitos. O Baldacci reforça, ainda, que não recomenda o uso de qualquer medicamento sem orientação médica." Alcoolismo – Além da metadoxina, existem outros fármacos utilizados no tratamento do alcoolismo. Nenhum tem o poder de reduzir o álcool no sangue em tempo reduzido. Um deles, conhecido popularmente como antietanol, se ingerido com bebida alcoólica pode levar o indivíduo à morte, conforme conta a coordenadora do Cisa.
"Não há milagres. A única coisa a fazer é beber com cautela, sabendo que uma dose de álcool leva em torno de uma hora para ser eliminada no organismo", diz Camila. "A lei é ótima em termos de saúde pública, já mostrou ótimos resultados e veio para ficar", completa.
Fonte: Diário do Comércio – www.dcomercio.com.br








