A International Association of Ports and Harbors (IAPH) divulgou os resultados do relatório World Ports Tracker 2026 – Sustainability and Market Trends, estudo que analisa tendências de sustentabilidade, riscos operacionais e perspectivas de mercado no setor portuário global. O levantamento reúne informações de portos responsáveis pela movimentação de mais de 8,6 bilhões de toneladas de cargas marítimas e 372 milhões de TEUs em todo o mundo.
O relatório mostra que, apesar das incertezas regulatórias e das tensões geopolíticas globais, os projetos de descarbonização portuária seguem avançando em diferentes regiões. Segundo a pesquisa, 53% dos portos consultados já anunciaram publicamente metas para atingir neutralidade de carbono antes de 2050, alinhando-se aos objetivos da Organização Marítima Internacional (IMO).
Além disso, o estudo aponta evolução gradual na infraestrutura voltada ao abastecimento de combustíveis marítimos de baixa emissão. O GNL (Gás Natural Liquefeito), por exemplo, já está operacional em 33% dos portos participantes, enquanto os biocombustíveis aparecem em 24%. Por outro lado, combustíveis como amônia e hidrogênio ainda estão em fase inicial de adoção.

Cibersegurança
Outro destaque do levantamento envolve a crescente preocupação com a cibersegurança portuária. Os ataques cibernéticos passaram a ser considerados o principal fator de risco para as autoridades portuárias, superando inclusive desastres naturais e mudanças climáticas. Segundo o estudo, 61% dos entrevistados classificaram as ameaças digitais como risco elevado.
Além disso, 85% dos portos afirmaram incorporar medidas de cibersegurança na implementação de novas tecnologias. O avanço da digitalização também aparece de forma consistente no relatório, com aumento do uso de inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT), automação, robótica e drones nas operações portuárias.
A pesquisa mostra ainda que a geração de energia renovável dentro das áreas portuárias vem crescendo, principalmente com projetos de energia solar. Atualmente, três quartos dos portos participantes informaram produzir eletricidade solar em suas instalações.
No campo operacional, o relatório identificou crescimento nas iniciativas de restauração ecológica e maior participação das comunidades nos processos de decisão dos portos. Cerca de 67% dos entrevistados afirmaram investir em recuperação ambiental como parte das políticas de sustentabilidade.
Já na análise de mercado, o documento indica expectativa de crescimento mais forte para fluxos de contêineres no hemisfério Sul, especialmente em regiões da América Latina e do Sudeste Asiático. Em contrapartida, mercados mais maduros, como Europa e América do Norte, devem registrar estabilidade ou leve desaceleração nos volumes.
O levantamento também aponta aumento na conectividade marítima global, com destaque para países asiáticos. A China segue liderando o índice global de conectividade marítima, enquanto a Índia apresentou um dos maiores crescimentos em 2025.
Patrick Verhoeven, diretor-geral da IAPH, afirmou que os resultados mostram um setor comprometido com avanços graduais em sustentabilidade, ao mesmo tempo em que busca fortalecer resiliência operacional, adaptação climática e proteção digital.
Já os professores Theo Notteboom e Thanos Pallis, responsáveis pela elaboração do estudo, destacaram que as tensões geopolíticas passaram a ter peso crescente na percepção de risco dos portos globais, especialmente diante das recentes instabilidades no comércio marítimo internacional.
Mais informações sobre o relatório podem ser acessadas no site oficial da IAPH.








