Ypê inaugura CD 4.0 em Amparo, um dos mais modernos do Brasil, com 72 robôs autoguiados (veja vídeo)

25/11/2022

(Foto de Helton Nobrega)

Já imaginou entrar em um Centro de Distribuição onde 72 robôs operam sozinhos montando e transportando paletes? Pois foi isso que convidados da imprensa puderam conferir em visita à matriz da Ypê, empresa 100% brasileira e uma das maiores fabricantes de produtos de higiene e limpeza do país. (veja o vídeo aqui).

Localizado em Amparo, SP, o chamado CD 4.0 é um dos mais modernos e tecnológicos do Brasil e da América Latina, equipado em parceria com a E80 Group, empresa italiana referência global em armazéns tecnológicos, que ofereceu os softwares e hardwares. Embora já estivesse em operação, a inauguração oficial aconteceu no dia 25 de novembro.

Com investimento de R$ 300 milhões e quatro anos para desenvolvimento, o projeto faz parte da estratégia de crescimento da empresa, por meio da expansão da capacidade de armazenamento e distribuição dos produtos Ypê por todo o país. “A fábrica em Amparo é nossa maior unidade no Brasil, responsável pela distribuição de aproximadamente 500 SKUs do portfólio da empresa, que são expedidos para todo o país. O projeto CD 4.0 é fundamental para a estratégia de sermos reconhecidos como referência em qualidade no atendimento ao cliente e de mantermos a competitividade no mercado em meio à revolução 4.0”, explica Eduardo Beira, diretor de Engenharia e Manutenção da Ypê.

O grande desafio, segundo ele, foi “trocar a asa do avião com ele voando”, pois a unidade continuou a operar durante a execução do projeto. O CD possui 45.000 m2, sendo 17.000 m2 de área construída nova, e 50 mil posições-paletes, contra 35 mil antes da mudança. Eduardo deixou claro que o objetivo foi melhorar a qualidade de entrega ao cliente.

Inovações

O CD opera 24 horas por dia em fluxo contínuo, não cruzado, contando com cinco esteiras de recebimento e 58 docas de expedição. A estrutura recebe os produtos fabricados em outras unidades da Ypê para estoque na matriz.

Robô Quart (Foto de Augusto Mikio Kuba)

Nela, atuam 72 veículos autoguiados com sensores (LGVs), divididos em três tipos. São 3 robôs Quart, que transportam quatro paletes por vez para armazená-los em um dos 11 transelevadores, que alcançam 33 metros de altura. Outros 43 robôs Reach, com alcance de 12 metros de altura e capacidade para um palete, são responsáveis por levar a carga para o drive-in. Na área de separação estão os 269 Ant, que carregam um palete. Todos eles ficam em movimentação ao mesmo tempo no CD, operando a 6 km/h, de acordo com a legislação brasileira.

Robô Reach (Foto de Augusto Mikio Kuba)

Os robôs possuem bateria de lítio e são carregados de forma automática por condução. Eles mesmos se direcionam para o carregador quando estão com baixa carga de bateria ou ociosos. A manutenção acontece no próprio local diariamente, por técnicos especializados. Vale lembrar que eles foram adquiridos pela Ypê, portanto, não se trata de locação ou comodato.

Robô Ant (Foto de Augusto Mikio Kuba)

Já a separação acontece de duas formas, também com ajuda da tecnologia. O layer picking é feito por outros robôs, que montam o palete por camada com diferentes SKUs, personalizando de acordo com o pedido. Já o case picking é feito manualmente caixa a caixa, para separação mais fracionada ou no caso de sacarias, com apoio do voice picking, sistema que guia os colaboradores nas ruas de coleta para montagem do palete por comando de voz, de forma inteligente e evitando fluxos ineficientes.

“A inteligência do sistema identifica o palete e otimiza o tempo. Com o processo todo integrado, o ganho de inventário é enorme”, disse Eduardo. Os ganhos vão desde diminuição de erros e avarias até redução de consumo de energia elétrica, já que os robôs não precisam de iluminação para atuar.

(Foto de Augusto Mikio Kuba)

Outro ponto relevante do novo CD são as esteiras automáticas no recebimento, com capacidade para 28 paletes, que abastecem o caminhão em 5 minutos, contra 30 minutos da operação anterior. Ou seja, antes da automação, o processo conjunto de carregamento e descarregamento de caminhões levava cerca de 1 hora e, agora, apenas 10 minutos. Com isso, o tempo médio de permanência veicular também mudou, de 12 horas para 6 horas.

O CD recebe 250 caminhões por dia e são movimentados 250 paletes de saída por hora e 250 paletes de entrada por hora. Como o processo de separação do pedido começa antes de o caminhão chegar na unidade, evitam-se rupturas no processo e o giro é mais rápido. “Isso garante velocidade de produção. O projeto do CD 4.0 mudou a nossa história. Visualizamos levar essas tecnologias para outros CDs, mas com tempo e de forma estruturada”, ressaltou Eduardo.

Todas as decisões de movimentações são tomadas pelo sistema, de maneira independente e autônoma, garantindo máxima eficiência na operação. Ao longo do projeto, todos os colaboradores envolvidos foram desenvolvidos profissionalmente e capacitados para atuarem em sinergia com as tecnologias implementadas. Com isso, além de garantirem a eficiência operacional do CD 4.0, os profissionais tiveram a oportunidade de prosperarem em suas carreiras ao se qualificarem nos novos processos de automação que pautam a chamada Indústria 4.0 na área de logística.

O CD conta ainda com mezanino para controle do case picking por voz, novas ferramentas de manutenção, iluminação automática em LED e sinalização de segurança com certificação NR-26, que visam capacitar e aculturar os colaboradores quanto às sinalizações e cores que devem ser usadas nos locais de trabalho para prevenção de acidentes.

Caminhão autônomo

Outra inovação da Ypê, que foi apresentada na Fenatran 2022, é o caminhão totalmente automatizado, modelo cavalo mecânico Atego 1730, que está em processo de configuração e parametrização para operação específica na matriz. O veículo, o primeiro com nível 4 de automação do Brasil, é um projeto em parceria com a Mercedes-Benz do Brasil e a startup Lume Robotics, responsável pela tecnologia agregada ao veículo.

A Ypê foi a primeira a adquirir o Atego autônomo, que irá operar durante 24 horas por dia, para carregamento e descarregamento automáticos no interior da fábrica de Amparo, transferindo mercadorias entre as linhas de produção e o centro de distribuição, que também são interligados por um sistema de automação industrial. Este é o primeiro de quatro caminhões autônomos adquiridos pela Ypê que estrarão em operação no ano que vem.

“Como tudo já é autônomo dentro do CD, havia um hiato entre a fábrica com tecnologia de ponta e este CD totalmente inovador. Com este projeto, expandimos a inovação de um lugar ao outro”, afirmou Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de Operações da marca. “Sendo nível 4, o veículo traz mais produtividade e segurança, com menor impacto no meio ambiente, já que, por conta das manobras precisas, gera menos carbono. Então unimos toda esta inovação com a visão de sustentabilidade”.

No nível 4 de automação, o caminhão se movimenta em áreas confinadas e controladas, em velocidade baixas (no caso da Ypê, de 5 km/h a 20 km/h) e com alta precisão nas manobras. “Devido à atuação de diversos sensores e câmeras, o sistema da Lume Robotics reconhece todos os obstáculos que foram mapeados, incluindo pedestres. Com inteligência artificial, o caminhão memoriza todas as características do local onde atua”, diz Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas e Marketing Caminhões e Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. É importante ressaltar que o motorista segue presente na logística da operação, acompanhando o processo e podendo até realizar outras tarefas.

Sobre a Ypê

Além da matriz, localizada em Amparo, SP, a Ypê conta com mais cinco unidades fabris: Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO) e Itapissuma (PE). A sétima unidade, um CD sem unidade fabril, será inaugurada em Extrema, MG, no primeiro semestre de 2023. Fundada em 1950, a Ypê exporta para mais de 10 países da América Latina, Ásia, África e Oriente Médio e ainda detém as marcas Atol, Assolan, Tixan, Perfex, Flor de Ypê e Action Ypê.

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Veja com seus próprios olhos o CD 4.0 da Ypê no vídeo abaixo!

https://youtu.be/Iqg6hkAlAHk

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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