Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro

O frete mínimo da ANTT entrou em uma nova fase no Brasil, marcada por maior rigor regulatório, uso de tecnologia e impacto direto na forma como o risco é avaliado no transporte de cargas. Medidas recentes, como a Medida Provisória nº 1.343/2026, a atualização da tabela e o reforço da fiscalização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ampliam o controle sobre as operações e reposicionam o tema dentro do setor.

Embora a medida ainda dependa de validação definitiva pelo Congresso, as novas regras já estão em vigor e exigem adaptação imediata das empresas. Além disso, a expectativa é de intensificação da fiscalização nos próximos meses, com maior integração entre órgãos e redução de brechas operacionais. Esse cenário, portanto, eleva o nível de exigência em termos de compliance e gestão de risco.

Na avaliação de João Paulo, especialista em gestão de risco e CEO da Mundo Seguro, corretora brasileira especializada em seguros para transporte de cargas e com atuação nacional, o impacto sobre o seguro é direto. “O frete mínimo deixa de ser apenas uma referência de preço e passa a funcionar como um indicador claro de conformidade da operação. Para as seguradoras, isso é fundamental, porque permite diferenciar operações estruturadas daquelas que ainda operam com maior grau de exposição ao risco”, afirma.

Um dos pontos centrais da nova regulamentação é a obrigatoriedade do CIOT, registro digital que formaliza e permite o controle do frete desde a origem. Com isso, a validação prévia das informações possibilita identificar inconsistências antes da realização do transporte, reduzindo a informalidade e aumentando a confiabilidade dos dados — fatores que impactam diretamente a análise securitária.

“Quando há mais rastreabilidade e consistência nos dados, o seguro deixa de ser apenas uma camada de proteção reativa e passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de gestão de risco. Isso permite não só uma precificação mais adequada, mas também uma estrutura de cobertura mais alinhada à realidade da operação”, explica.

Impactos do frete mínimo ANTT para embarcadores e transportadoras

Para os embarcadores, a mudança implica maior responsabilidade direta sobre a operação. Na prática, será necessário garantir a emissão de um CIOT válido antes do embarque, assegurar que os valores estejam compatíveis com o piso mínimo e formalizar corretamente a contratação. Caso contrário, o descumprimento pode resultar em multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, além da suspensão do direito de contratar novos fretes.

Por outro lado, as transportadoras passam a operar sob um nível mais elevado de exigência em termos de controle e rastreabilidade. A emissão do CIOT torna-se obrigatória em todas as operações, inclusive quando não houver TAC, e a adequação ao piso mínimo deve ocorrer já na origem da contratação. Em situações de irregularidade, as penalidades incluem multas, suspensão das atividades e até o cancelamento do RNTRC, com impedimento de operar por até dois anos.

Segundo o especialista, o momento exige revisão das apólices e da própria estrutura de proteção das empresas. “Não basta ter seguro, é fundamental ter a proteção adequada. Em um ambiente mais regulado e transparente, qualquer desalinhamento entre a operação real e a cobertura contratada pode gerar impacto direto no momento do sinistro, seja em termos de indenização, seja em questionamentos por parte das seguradoras”, alerta.

Além disso, o movimento tende a impactar a relação entre embarcadores, transportadoras e seguradoras. A expectativa é de maior exigência contratual, padronização de processos e integração da gestão de risco à operação logística. “A tendência é que o seguro acompanhe esse avanço. Com mais dados e mais controle, a diferenciação entre operações bem estruturadas e aquelas com maior exposição ao risco tende a ficar cada vez mais clara”, afirma João Paulo.

Mais do que uma mudança regulatória, o que se observa é uma reconfiguração da lógica do transporte de cargas no país, na qual conformidade, transparência e gestão de risco passam a influenciar não apenas a operação, mas também os custos e a viabilidade do seguro.

Compartilhe:
Veja também em Transporte rodoviário
Frete rodoviário sobe 6,93% em abril e acumula alta de 16,8% em 12 meses, aponta índice da Frete.com
Frete rodoviário sobe 6,93% em abril e acumula alta de 16,8% em 12 meses, aponta índice da Frete.com
ADM moderniza operação logística em Rondonópolis (MT) e dobra produtividade com nova frota de caminhões
ADM moderniza operação logística em Rondonópolis (MT) e dobra produtividade com nova frota de caminhões
Abiquim lança QMeet Partners, que destaca a logística química no Brasil, e anuncia premiação para transportadoras
Abiquim lança QMeet Partners, que destaca a logística química, e anuncia premiação para transportadoras
Estudo aponta diversificação de sistemas de propulsão e energia como saída para a recessão do frete nos Estados Unidos
Estudo aponta diversificação de sistemas de propulsão e energia como saída para a recessão do frete nos Estados Unidos
Mulheres lideram novas contratações no transporte de cargas e ampliam presença no setor
Mulheres lideram novas contratações no transporte de cargas e ampliam presença no setor
Águia Branca Encomendas inicia operação em São José dos Campos, SP, com embarque no mesmo dia
Águia Branca Encomendas inicia operação em São José dos Campos, SP, com embarque no mesmo dia

As mais lidas

01

Geração Z quase dobra presença na gestão de frotas e logística, revela pesquisa da Platform Science
Geração Z quase dobra presença na gestão de frotas e logística, revela pesquisa da Platform Science

02

Frete rodoviário sobe 6,93% em abril e acumula alta de 16,8% em 12 meses, aponta índice da Frete.com
Frete rodoviário sobe 6,93% em abril e acumula alta de 16,8% em 12 meses, aponta índice da Frete.com

03

Drivin e naPorta ampliam logística inclusiva para entregas em áreas de difícil acesso no Brasil
Drivin e naPorta ampliam logística inclusiva para entregas em áreas de difícil acesso no Brasil