VW Caminhões e Ônibus inicia testes com caminhão movido a biometano

A Volkswagen Caminhões e Ônibus exibe novas soluções sustentáveis no Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas – Fenatran em São Paulo (SP). Entre os destaques apresentados pela montadora está o Constellation 26.280 modelo movido a biometano, com a maior capacidade de armazenamento em seu segmento de aplicação, motorização mais potente e potencial para redução de 90% das emissões de CO2e. Os primeiros testes em operação real do veículo serão realizados por clientes a partir de 2025.

Projetado de acordo com as necessidades das empresas do setor de coleta de resíduos sólidos, o protótipo traz configurações características da família vocacional Compactor. Alta tecnologia, desempenho elevado e atendimento às mais pesadas exigências operacionais, diferenciais já conhecidos pelos clientes, aliam-se à nova alternativa de combustível para os caminhões. O veículo é equipado com tanques de aço carbono que somam 240 metros cúbicos (960 litros) de capacidade de armazenamento, a maior do seu segmento, permitindo a cobertura de longas distâncias sem a necessidade de reabastecimento frequente, com uma autonomia de até 300 quilômetros.

Comprometida com as pautas ESG e atenta às necessidades do mercado, a VWCO investiu na utilização do biometano, combustível que impacta de forma positiva e significativamente nas emissões de gases do efeito estufa, reduzindo em até 90% as emissões de CO2e no ciclo poço à roda. Em uma operação típica em que o veículo percorre de 50.000 a 70.000 quilômetros ao ano, este valor equivale à redução de 150 toneladas de CO2e emitidas ao ano. Além disso, trata-se de um combustível renovável, ou seja, sua produção pode ser contínua, desde que haja uma fonte constante de matéria orgânica.

Portanto, do ponto de vista econômico, o Constellation 26.280 Biometano também contribui para um cenário especialmente interessante. A economia com combustível gerada pela produção própria de biometano possibilita um custo operacional baixo. Esse modelo traz transmissão totalmente automática e motor ciclo Otto de 280 cv de potência e 1.100 Nm de torque, similares à versão diesel.

Combinadas, as configurações oferecem ao condutor maior capacidade de arranque, aceleração mais rápida, melhor tração e direção mais confortável e controlada. Afinal, a coleta de resíduos exige um veículo potente para superar obstáculos e garantir a eficiência nas rotas.

O motor traz também redução significativa nos níveis de ruído. Os materiais isolantes e sistema de exaustão eficientes contribuem para um ambiente de trabalho mais silencioso para os coletores e para o menor impacto sonoro nas cidades, possibilitando operações noturnas nos centros urbanos. Graças à sua arquitetura simples e robusta, com sistema de pós-tratamento dos gases de escape com catalisador de três vias, este modelo de motor oferece ainda baixa manutenção e alta durabilidade.

Conforto e tecnologia para todas as operações

Mantendo o padrão de tecnologia dos caminhões VW, o Constellation 26.280 Biometano conta com freio retarder, sistema inteligente que garante ainda mais segurança, controle e eficiência às operações, possibilitando a otimização do custo total de operação e aumento significativo da vida útil dos componentes. Além disso, o veículo é equipado com controle de estabilidade e assistente automático de partida em rampa, itens que proporcionam ainda mais confiabilidade às operações. O projeto estreia novo sistema de direção, suspensões modulares e eixos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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