Caminhão elétrico eActros da Mercedes-Benz alcança autonomia de 250 km em testes na Suzano

Os testes com o caminhão elétrico eActros da Mercedes-Benz em operações reais no Brasil vêm apresentando resultados relevantes em eficiência energética e desempenho operacional. A avaliação está sendo conduzida pela Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, em rotas utilizadas no transporte de carga, com foco na análise da viabilidade da eletromobilidade no setor.

De acordo com os dados divulgados, o modelo eActros 300, equipado com baterias que totalizam 336 kWh, tem alcançado autonomia média diária de 250 km com apenas uma carga, sem necessidade de recarga intermediária. Além disso, o veículo já percorreu mais de 13.500 quilômetros durante o período de testes, mantendo operação equivalente à de caminhões movidos a diesel.

Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil, “o eActros 300 vem surpreendendo na operação da Suzano com apenas uma carga de bateria, alcançando uma autonomia média diária de 250 km sem necessidade de recarga intermediária e operando na mesma rota de um veículo movido a diesel”. Ainda conforme o executivo, o caminhão registrou consumo médio de 0,97 kWh/km, transportando cerca de 21 toneladas de carga líquida.

Desempenho operacional

Os testes também indicam ganhos em desempenho operacional e experiência de condução. De acordo com Caetano Paste Perim, consultor de Logística e gerente de Projetos da Suzano, “os primeiros resultados dos testes com o caminhão elétrico Mercedes-Benz eActros 300 têm se mostrado bastante promissores. O veículo vem cumprindo a mesma rota dos caminhões a diesel com bom desempenho, sem prejuízos operacionais”. Ele destaca ainda que os motoristas apontam conforto e dirigibilidade como diferenciais relevantes.

Além disso, a Suzano segue monitorando os dados operacionais do veículo para ampliar a base de análise. “Seguiremos monitorando continuamente o desempenho do caminhão elétrico, ampliando a base de dados para análises mais robustas sobre autonomia, eficiência energética e produtividade. Esses dados serão essenciais para uma avaliação mais completa da viabilidade operacional e ambiental dos veículos elétricos pesados, em alinhamento com o compromisso da Suzano com a descarbonização do transporte rodoviário e com soluções sustentáveis”, afirma.

O eActros 300 tem sido utilizado no transporte de bobinas de Eucafluff®, matéria-prima de produtos absorventes descartáveis, como fraldas e materiais hospitalares. Nesse contexto, os testes reforçam a capacidade do veículo em operações consideradas exigentes, mantendo padrões de eficiência e robustez comparáveis aos modelos a diesel.

Paralelamente, a Mercedes-Benz também realiza testes com o modelo eActros 400, que já percorreu 476 km entre São Bernardo do Campo (SP) e Curitiba (PR) sem recarga intermediária. O caminhão chegou ao destino com 9% de bateria restante, operando com carga líquida de 6.200 kg e eficiência de 0,85 kWh/km. Em outro teste, o modelo percorreu 442 km entre São Bernardo do Campo e o Rio de Janeiro, mantendo desempenho semelhante.

Além das operações externas, a montadora utiliza caminhões elétricos em sua própria logística interna, na fábrica de São Bernardo do Campo. Os veículos atuam em rotas de abastecimento de materiais para a produção, integrando iniciativas voltadas à descarbonização das operações industriais.

O caminhão elétrico eActros é desenvolvido para operações interurbanas de cargas médias e pesadas, podendo ser aplicado em diferentes configurações, como baú carga seca, refrigerado e porta-pallets. Com autonomia que varia entre 220 e 400 km, dependendo da aplicação, o modelo conta com sistemas de recuperação de energia por frenagem e tecnologias voltadas à segurança e eficiência operacional.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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