VLI e COPI inauguram corredor de fertilizantes do Arco Norte

19/06/2023

A VLI e a COPI, companhias de soluções logísticas integradas e multimodais, acabam de inaugurar o novo corredor de importação de fertilizantes do Arco Norte no Porto do Itaqui, em São Luís, MA.

O projeto conta com investimentos conjuntos de aproximadamente R$ 400 milhões e já nasce com capacidade para movimentar até 1,5 milhão por ano de toneladas do insumo, suprindo a demanda crescente por fertilizantes no Arco Norte do país. Os testes operacionais foram realizados ainda no final de 2022, e, em 2023, mais de 100 mil toneladas de insumos para fertilizantes já foram transportadas pelo corredor, projetado para atender produtores situados em uma área que abrange os estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia e Piauí, além do Tocantins, Maranhão e do Distrito Federal.

A operação do novo corredor consiste no carregamento pela COPI, no Porto do Itaqui, de composições da VLI, de onde a carga segue por ferrovias VLI até a nova estrutura especialmente projetada e construída pela COPI para esta operação, destinada à recepção, armazenagem e expedição de fertilizantes, no Terminal Integrador de Palmeirante (TIPA), no Tocantins, de propriedade da VLI. Além destes investimentos, a preparação para a entrada em operação do novo corredor incluiu a aquisição de material rodante para gerar capacidade de movimentação de carga – duas locomotivas, no último ano, e 78 vagões HTT, entregues em março. Os equipamentos se somam à frota da companhia em operação no Corredor Centro-Norte, que liga os estados do Maranhão e do Tocantins.

“A inauguração do corredor de fertilizantes é mais uma mostra do compromisso da VLI com a geração de valor na cadeia de negócios dos nossos clientes e um grande estímulo ao fortalecimento da infraestrutura logística do Arco Norte do país. Estamos certos de que este projeto representará um marco na história do agronegócio de toda a região, pela eficiência e competitividade da ligação ferroviária, que permitirá o transporte de insumos fertilizantes em direção a zonas produtoras e, no fluxo inverso, a movimentação da safra em direção ao sistema portuário do Maranhão, contribuindo para as exportações brasileiras”, afirma Fábio Marchiori, CEO interino e diretor-executivo Financeiro, de Supply Chain e de Serviços da VLI.

“Com a expertise da COPI na logística de fertilizantes, a competência da VLI na movimentação de produtos e a força dos nossos clientes, temos certeza de que este novo fluxo será o catalisador do crescimento do agronegócio na região centro-norte do país, contribuindo fortemente para o seu desenvolvimento socioeconômico. Importante destacar também a fundamental parceria e apoio da EMAP como autoridade portuária e agente fomentador de desenvolvimento, e dos poderes públicos estaduais e federal na realização deste feito. Estamos muito felizes em celebrar este importante marco atingido e o início deste novo fluxo”, afirma Guilherme Eloy, CEO da COPI.

A VLI é o principal player no transporte ferroviário de insumos para fertilizantes, com movimentação anual de cerca de 10 milhões de toneladas, atendendo alguns dos principais players do segmento. 

Polo industrial do corredor Centro-Norte

A inauguração do corredor logístico de fertilizantes, fruto da parceria entre VLI e COPI, é um primeiro passo para uma grande transformação regional, que culminará na criação de um grande polo industrial no Terminal Integrador de Palmeirante, que possui área de cerca de 230 hectares, com possibilidade de arrendamento de terreno para players de fertilizantes, tradings de agronegócio e outros setores interessados em se instalar e operar no local. A principal vantagem é o ganho em eficiência, pela proximidade com a operação ferroviária e capacidade de armazenagem oferecida no local.

O primeiro grande investimento no polo industrial foi anunciado em fevereiro, pela Mosaic Fertilizantes, que investirá R$ 400 milhões em uma unidade de mistura, armazenagem e distribuição a ser instalada no terminal da VLI, que já tem negociações com outros também players interessados em operar no TIPA. O movimento poderá ter como consequência a industrialização não apenas do Tocantins, mas de outros estados da área de influência. A VLI possui experiência neste modelo, com bons resultados para os clientes em operações na Ferrovia Centro-Atlântica, também administrada pela companhia. Um exemplo é a FTO, localizada ao lado do Terminal Integrador de Araguari, MG. Desde 2019, quando se instalou a interligação por correias transportadoras entre a FTO e o TIA, a FTO cresceu 20% ao ano os volumes movimentados pela ferrovia, com destino ao porto de Tubarão, no Espírito Santo.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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