Via Varejo reduz ruptura nos pontos de venda em 30%

05/03/2018

Um dos maiores desafios logísticos da Via Varejo, responsável pelas marcas Ponto Frio e Casas Bahia, é manter o balanceamento adequado de estoques de todas as categorias de produtos em todos os períodos do ano, principalmente para que a distribuição de mercadorias ocorra de forma adequada nas lojas da rede. Após introduzir a tecnologia e os conceitos de gestão da Neogrid, a empresa conseguiu reduzir em 30% o índice de ruptura, ou seja, a falta de produtos, em suas cerca de 1 mil lojas, assim como os itens comercializados pelos sites, ao mesmo tempo em que diminuiu em 17% o excesso de produtos em estoque.

Segundo Edgard Liberali Filho, diretor de Operações Logísticas da Via Varejo, em 2013, a empresa iniciou a busca por novas tecnologias para o controle e gerenciamento dos estoques. Para que esse movimento de mudança ocorresse com qualidade e eficiência, entre os provedores de tecnologias consultados, a Neogrid foi escolhida devido à grande experiência em plataformas de distribuição e a expertise no varejo. “Até hoje, já implantamos a ferramenta de planejamento de distribuição, intercâmbio eletrônico de dados e o portal de agendamento de entregas de produtos. No geral, tivemos um melhor balanceamento dos estoques, reduzindo os excessos de produtos em alguns pontos da rede em 17% e a falta deles para venda em 30%, que alavancaram as nossas vendas”, destaca o executivo.

De acordo com o diretor da Via Varejo, a gestão de estoques na rede, após o projeto, ficou mais dinâmica e assertiva, pois as parametrizações do sistema como, por exemplo, estoque de segurança e ponto de ressuprimento, refletem com precisão as variações de demanda diárias. “O projeto desenvolvido pela Neogrid promoveu uma mudança efetiva na gestão de supply chain da Via Varejo, melhorando o nível de serviço para nossas lojas e, por consequência, ampliando a sua confiabilidade de trabalho junto às demais áreas da empresa”, afirma Liberali.

A função da solução de Planejamento de Distribuição (DRP) é distribuir os produtos que estão armazenados no centro de distribuição (CD) da rede varejista e atacadista entre os seus pontos de venda. “O DRP sugere quando e quanto de cada produto deve ser enviado a determinada unidade com base em parâmetros como média de vendas em cada loja, tempo que o CD leva para entregar, frequência de reposição e estoque de segurança de cada produto. E isso foi fundamental para reduzir faltas e excessos de estoque da Via Varejo”, explica o vice-presidente de operações da Neogrid, Robson Munhoz.

Novas soluções em breve – O próximo passo da Via Varejo é implantar a ferramenta de Planejamento de Demanda e Reposição Colaborativa da Neogrid, que suportará as estratégias baseadas no sell-out (vendas ao consumidor final) da rede. Esse processo será fundamental à companhia, que pretende elevar seu investimento em 2018 e abrir de 70 a 80 lojas para ampliar a integração de comércio físico com online. A empresa está trabalhando neste ano com estoques mais elevados, diante da perspectiva de vendas maiores que no mesmo período de 2017.

As iniciativas incluem a previsão de integração completa de sistemas de logística e fiscaisaté abril deste ano, o que permitirá ao grupo ampliar as ferramentas do chamado omminichannel, conceito em varejo que se refere à integração completa de canais de venda físicos e online.

A Via Varejo obteve, no terceiro trimestre de 2017, lucro líquido ajustado de R$ 14 milhões, ante prejuízo de R$ 156 milhões sofrido um ano antes. O resultado operacional medido pelo Ebitda atingiu R$ 346 milhões, um salto de 407% ante os R$ 68 milhões obtidos em mesma etapa de 2016.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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