Vendas do varejo paulista voltam a crescer após 30 meses, diz ACSP

29/08/2017

As vendas do varejo paulista cresceram 0,8% em junho, na comparação com o mesmo período de 2016, conforme pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 28, pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Esse é o primeiro crescimento registrado pelo levantamento na comparação interanual em 30 meses. O desempenho também permitiu que as vendas do setor no Estado fechassem o primeiro semestre com leve crescimento de 0,3% frente aos seis primeiros seis meses do ano passado.

“As quedas vinham diminuindo mês a mês e o varejo paulista chegou à estabilidade, confirmando a recuperação do setor”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP, apontando a uma tendência de crescimento mais vigoroso das vendas nos últimos quatro meses do ano.

O resultado é atribuído aos efeitos positivos sobre a renda e as condições de crédito causados pela queda tanto da inflação quanto dos juros, além do estímulo ao consumo provocado pelos saques de recursos que estavam depositados em contas inativas do FGTS.

Os dados da pesquisa consideram o chamado varejo ampliado, que inclui as concessionárias de veículos e as lojas de material de construção, tendo como base as informações declaradas à Secretaria de Fazenda do Estado.

Na comparação com junho do ano passado, quatro entre nove setores varejistas monitorados mostraram crescimento, com destaque para a alta de 21,9% das vendas nas lojas de departamentos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Na sequência, aparecem os setores de móveis e decorações (10,2%), concessionárias de carros (7,7%) e autopeças e acessórios (6,7%).

Na ponta oposta, caíram as vendas das lojas de vestuário, tecidos e calçados (-6,9%), bem como as das lojas de material de construção (-3,1%). As vendas dos supermercados recuaram 0,7% em junho, no comparativo interanual.

 
Fonte: Estadão Conteúdo

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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