Messer Brasil testa primeiros veículos elétricos do país para transporte de cilindros; Logweb foi conhecer!

21/12/2023

Os dois veículos elétricos, modelo iEV1200T Plus, da JAC Motors, tem PBT de 8,5 toneladas, capacidade para 48 cilindros e autonomia de 200 km

veículos elétricos

A Messer Brasil, maior empresa de capital fechado de gases industriais, medicinais e especiais do mundo, iniciou um projeto com caminhões 100% elétricos para transporte de cilindros na unidade de São Paulo. A Logweb foi convidada para conhecer a filial, localizada em São Bernardo do Campo, e ver os veículos in loco.

A empresa tem como parceira a Duefratelli Transportes, que opera 14 caminhões, sendo dois elétricos, modelo iEV1200T Plus, da montadora JAC Motors, com PBT de 8,5 toneladas, capacidade para 48 cilindros e autonomia de 200 km. O carregamento completo se dá em até 12 horas, tempo que pode ser reduzido com o uso de um carregador mais rápido, já em estudo. A ideia é testar o projeto até o fim de 2023, para expansão em 2024.

A iniciativa tem alguns objetivos, como diminuir a pegada de carbono, afinal, a substituição de um caminhão a diesel pelo elétrico reduz aproximadamente 1,8 tonelada de emissão de CO2. Além disso, contribuem para a maior rapidez e eficiência no atendimento aos clientes, uma vez que os veículos elétricos não se enquadram nas regras do rodízio da cidade de São Paulo.

Juliano Campaner, gerente de Distribuição da Messer Brasil, explicou que o projeto nasceu do desejo da empresa em encontrar soluções sustentáveis para sua operação. “Estamos sempre buscando alternativas mais sustentáveis. Nesse caso, decidimos olhar para a logística e acabou surgindo uma oportunidade junto com o time de compras e nossa transportadora parceria”, disse.

A iniciativa da Messer Brasil vai ao encontro do compromisso do setor privado de redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o último relatório do Painel Intercontinental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), há muito a se fazer para manter o aquecimento global em 1.5 Co acima dos níveis pré-industriais.

No setor de energia, o uso de combustíveis como o diesel no transporte de cargas é responsável por grande parte das emissões de CO2 na atmosfera. O diesel pode ser substituído por fontes de energia limpa via ações conjuntas entre governos e setor privado.

Para Scott Latta, CEO da Messer Brasil, a utilização dos veículos elétricos mostra o compromisso da empresa com a agenda ESG global. “Se já existem alternativas para substituir o diesel no transporte de cargas, temos que aproveitar e fazer a troca gradativa. Dessa forma, colaboramos não só com a diminuição dos custos da empresa, mas também, fazemos nossa parte enquanto setor privado para contribuir com o meio ambiente”, salientou. 

O projeto começou a ser desenhado no fim de 2022 e entrou em operação em 2023. “Foram mais de oito meses de preparação até que os caminhões começassem a rodar. Estamos otimistas com essa ação e esperamos que seja a primeira de diversos outros projetos sustentáveis que traremos para a Messer Brasil e nossos clientes”, contou Latta.

No entanto, Marcio Oliveira, diretor de operações, lembrou que os veículos elétricos têm algumas restrições. “Por exemplo, no caso do modelo usado, a autonomia é de 200 km, o que significa que dependendo da rota, não há postos de combustível preparados para abastecê-los.”

Filial do Futuro

A unidade de São Paulo foi recém-rebatizada de “Filial do Futuro”, com enfoque voltado para princípios ESG e inovação. “Começamos por ela porque sua característica logística é de viagens curtas. Essa filial atua no chamado varejo, recebendo os gases das plantas grandes, armazenando em tanques e envasando em cilindros menores. Dela, os produtos seguem para a cidade de São Paulo, grande ABC, Vale do Paraíba e Baixa Santista, realizando cerca de 25 viagens por dia”, explica Oliveira.

Esta filial é a 1ª em quantidade de caminhões e atendimento a clientes diretos e a 3ª em venda de cilindros. Anderson Machado, gestor da unidade, mostrou que os cilindros são entregues tanto de forma individual quanto em cestas de 12 unidades, com uma única saída. “Isso traz mais produtividade e rapidez no envase.”

Sobre a estratégia de produção e distribuição da empresa, Oliveira contou que quando os volumes consumidos são muito grandes, a Messer constrói uma fábrica dentro do próprio cliente. Quando o volume é intermediário, os produtos seguem via carretas com o gás liquefeito, capazes de transportar 20.000 m3 cada uma.

Oliveira, Latta e Machado

A Messer oferece gases do ar, como nitrogênio e oxigênio; outros gases, como propano e hélio; gases especiais e gases medicinais. “O hidrogênio também é produzido pela empresa, em quatro plantas. Fornecemos, ainda, nitrogênio para congelamento de alimentos em empresas do segmento. Vale destacar a importância dos gases medicinais, pois, na época de pandemia, foram essenciais para atender à população, principalmente em Manaus”, acrescentou Oliveira.

A Messer Americas faz parte da Messer SE & Co. KGaA, uma empresa alemã de aproximadamente US$ 4,4 bilhões, com presença nas Américas, Europa e Ásia. No Brasil, a empresa conta com 31 unidades, sendo 19 no Sudeste, duas no Centro-Oeste, quatro no Nordeste e seis no Sul. A maior filial no Brasil está localizada na cidade de Jundiaí, SP.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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