Varejo digital fatura 33 bi no segundo trimestre e Compre e Confie aproveita expansão do setor para crescer

27/07/2020

A pandemia e o isolamento social trouxeram efeitos negativos para a vida de grande parte dos brasileiros: sob a ótica da economia, a falta de mobilidade social “quebrou” muitas companhias, sem perspectivas claras de retomada. Na contramão desse cenário, empresas de tecnologia crescem cada vez mais – o que, dentro do varejo, tem seu equivalente claro com o sucesso do e-commerce.

Longe de ter motivos para se preocupar com falta de dinheiro, o setor faturou R$ 33 bilhões no segundo trimestre deste ano, mais do que o dobro da cifra registrada no mesmo período do ano passado (ao todo, o crescimento foi de 104,2%). O resultado foi apurado pela Neotrust/Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce, e apresentado no relatório homônimo, apresentado trimestralmente pela companhia com foco total no varejo eletrônico do país.

Sem sair de casa, brasileiros buscaram ao máximo itens utilizados em seu dia a dia na internet. O conforto de consumir com apenas alguns cliques ganhou popularidade e 82,8 milhões de pedidos foram realizados nesse período – aumento de 112,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

O “boca a boca” a respeito das facilidades de comprar on-line foi tão grande que fez 23,6 milhões de pessoas comprarem pelo menos um item durante os meses de abril a junho, volume 82,1% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Desse total, 5,70 milhões de pessoas ingressaram no e-commerce pela primeira vez – ou seja, quase um quarto dos consumidores do período foi formado por brasileiros que nunca haviam comprado online.

O aumento significativo das vendas via e-commerce também impacta diretamente os números da fraude no setor, aponta levantamento da ClearSale, também presente no relatório trimestral. Nos seis primeiros meses do ano, foram mais de R$ 765 milhões em fraudes evitadas. O valor, apesar de ser 63,5% superior aos prejuízos evitados no e-commerce no mesmo período de 2019, é inferior ao aumento das vendas pelo canal no cenário de pandemia e restrição da circulação de pessoas nas ruas. Ou seja, as vendas boas crescem mais do que as tentativas de fraude.

Na quebra por regiões, a Norte é a que teve maior índice de tentativas de fraude no período, com 3,44%. Em seguida, a região Nordeste aparece no ranking com 2,17%, praticamente empatada com a Centro-Oeste, que ficou com 2,13%. As regiões Sudeste, com 1,25%, e Sul, com 0,79%, foram as que apresentaram os menores índices.

Reestruturação

Com tanta demanda no ambiente digital, a Compre&Confie encontrou a oportunidade perfeita para crescer e diversificar sua atuação no varejo on-line. A partir de hoje, a companhia torna-se a aceleradora de negócios digitais do T. Group (holding que centraliza todos os negócios originados com a ClearSale).

“Sem dúvida, estamos muito felizes com essa conquista. Mesmo em meio a um momento tão delicado para a sociedade, consolidamos a nossa presença no varejo digital e esperamos contribuir cada vez mais para a confiança de empresas e consumidores no varejo on-line. Nossa estimativa é a de crescer 350% nos próximos 12 meses com a nova configuração da empresa”, explica André Dias, diretor executivo da Compre&Confie.

A partir dessa nova estrutura, a companhia passa a dividir sua atuação em dois pilares: o Neotrust, que vai agregar toda a parte de inteligência de mercado da companhia, além de seus relatórios periódicos; e o aplicativo para smartphones VIPy, totalmente focado no consumidor final e em tornar a experiência de compra pela internet cada vez mais segura.

Além das duas novas empresas, a aceleradora ainda conta com as empresas Lomadee (plataforma especializada em marketing de afiliados) e com a Send4, companhia focada em automatizar processos de logística reversa para e-commerce.

Com o crescimento da empresa, André Dias, co-fundador e Diretor do Compre&Confie, assume o cargo de Diretor Executivo da nova empresa Neotrust, além de ocupar este mesmo cargo na Lomadee, empresa de marketing de afiliados adquirida pelo T.Group no início de 2020. A presidência da Compre&Confie continuará sendo ocupada por Mauro Back.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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