Vale registra lucro líquido no segundo trimestre de R$ 5,3 bilhões

04/08/2020

A Vale registrou no segundo trimestre deste ano lucro líquido de R$ 5,289 bilhões (US$ 995 milhões), revertendo o prejuízo de R$ 384 milhões (US$ 133 milhões) do mesmo período de 2019, quando sentia os reflexos do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas gerais. A estimativa do mercado apontava para um ganho em torno de US$ 1,6 bilhão (ou R$ 8,2 bilhões).

No primeiro semestre, a Vale registrou lucro líquido de US$ 1,234 bilhão, uma queda em relação aos US$ 1,775 bilhão no mesmo período do ano passado.

A mineradora informou que seu Conselho de Administração aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio de aproximadamente R$ 1,41 por ação.

A receita com as vendas ficou em R$ 40,4 bilhões (US$ 7,518 bilhões) no segundo trimestre, menor que os R$ 36 bilhões ( US$ 9,186 bilhões) registrados em igual período do ano anterior.

No segundo trimestre, a geração de caixa operacional, excluindo os gastos com Brumadinho e doações para combater a pandemia, totalizou R$ 18,1 bilhões, maior que os R$ 12,2 bilhões do mesmo período do ano passado.

Demanda em alta na ChinaA Vale explicou que o aumento na geração de caixa operacional ocorreu por conta dos maiores preços do minério de ferro, “refletindo a demanda saudável vinda da China”. A mineradora destacou ainda os maiores volumes de venda, o efeito positivo da desvalorização do real frente ao dólar e os menores custos de frete.

Apesar dos efeitos com a pandemia, a produção começou a ganhar força em junho, quando chegou a 25,1 milhões de toneladas, um aumento de 23% em relação à média dos cinco primeiros meses deste ano. Assim, a produção de minério de ferro subiu 13,4% no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses deste ano. As vendas subiram 5,7% no mesmo período.

Com a instabilidade financeira internacional por conta da pandemia, a mineradora disse que sacou US$5 bilhões de seus contratos de linhas de crédito rotativo, sendo US$2 bilhões com vencimento em junho de 2022 e US$3 bilhões com vencimento em dezembro de 2024.

Para um especialista do setor, a China segue como a principal compradora.

– Mas as previsões ainda vão depender de uma vacina e evolução da doença – destacou o analista Pedro Galdi.

Segundo dados da Bloomberg, o preço do minério de ferro começou o ano a U$ 85 a tonelada e deve fechar o ano a US$ 90.

Vale volta a captar no exterior após três anosEm julho, a Vale emitiu US$ 1,5 bilhão em bonds (títulos) com vencimento em 2030 e um cupom de 3,75% por ano. A mineradora não acessava o mercado internacional desde fevereiro de 2017. A demanda foi nove vezes superior a sua demanda.

Semana passada, a mineradora anunciou a criação de um comitê para melhorar a governança corporativa da companhia, com membros independentes. Além do atual presidente do Cosnelho de Administração da Vale (José Maurício Pereira Coelho), foram indicados pela mineradora Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e presidente do Conselho de Administração da BRF, e Alexandre Gonçalves Silva, presidente do Conselho de Administração da Embraer e membro independente do conselho da Votorantim Cimentos.

Há dois dias, a mineradora disse também que a exclusividade firmada com a New Century Resources (NCZ) para a venda de sua fata na Vale Nouvelle-Calédonie (VNC) foi estendida por 45 dias. O objetivo é concluir a due diligence.

Fonte: O Globo

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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