Transportadoras entram na mira da ANTT com fiscalização automática de seguros. O alerta é da Mundo Seguro

A fiscalização automática de seguros no transporte rodoviário de cargas começa a ganhar forma no Brasil. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou a implementação de um sistema nacional que permitirá verificar automaticamente se as transportadoras mantêm atualizadas as apólices obrigatórias exigidas por lei.

A novidade funciona por meio de um webservice integrado ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), permitindo o intercâmbio digital de informações entre seguradoras e o órgão regulador. Dessa forma, a ANTT poderá confirmar de maneira mais rápida e precisa se as empresas estão em conformidade com as exigências legais para operar.

O sistema foi desenvolvido em parceria com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e permitirá que os dados das apólices sejam compartilhados automaticamente com a agência. Com isso, o processo de verificação, que antes dependia de análises manuais ou fiscalizações pontuais, passa a ocorrer de forma digital e integrada.

Segundo João Paulo Barbosa, especialista em seguro de cargas e sócio-diretor da Mundo Seguro, a medida tende a trazer mudanças relevantes para o setor. “A integração dos dados torna a fiscalização mais eficiente e transparente. Transportadoras e seguradoras terão menos burocracia, mas mais responsabilidade: qualquer falha na apólice será identificada automaticamente, evitando que empresas operem irregularmente e sofram prejuízos financeiros como multas ou até mesmo possíveis paralisações de sua atividade pelo órgão fiscalizador”, explica.

A obrigatoriedade está prevista na Lei 14.599/23, que determina que transportadores rodoviários de cargas mantenham três seguros obrigatórios para operar. Entre eles estão o RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga), o RC-DC (Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga) e o RCV (Responsabilidade Civil de Veículo). Esses seguros deverão estar devidamente registrados para obtenção, renovação ou manutenção do RNTRC.

O RCV, por exemplo, cobre danos a terceiros, como veículos, estruturas e pessoas, especialmente em operações realizadas com transportadores autônomos.

Fiscalização automática de seguros entra em fase de testes

O novo sistema de fiscalização automática de seguros está atualmente em fase de testes e integração tecnológica. Esse período de validação está previsto até 30 de junho de 2026, prazo definido para garantir que o envio e a verificação das informações ocorram corretamente entre seguradoras e o sistema da ANTT.

Durante essa etapa, o objetivo também é orientar empresas e seguradoras sobre a futura verificação automatizada das apólices. A partir de 1º de julho de 2026, a checagem dos seguros passará a ser realizada automaticamente durante os processos de inscrição e manutenção do registro das transportadoras no RNTRC.

Na prática, a mudança representa uma transformação na forma como o cumprimento das obrigações legais será monitorado. Antes, a conferência dos seguros dependia de procedimentos administrativos ou ações de fiscalização pontuais. Agora, o controle tende a ser mais contínuo e digital.

Para as transportadoras, isso significa a necessidade de maior controle interno sobre suas apólices. “Será necessária disciplina operacional para manter todas as apólices atualizadas. A identificação de irregularidades será imediata, protegendo a reputação e evitando multas ou até a suspensão do RNTRC”, afirma João Paulo.

Do ponto de vista das seguradoras, o novo modelo também exigirá integração tecnológica e atualização constante das informações enviadas ao sistema da ANTT. “Haverá a necessidade de integração tecnológica e atualização constante das apólices. Qualquer inconsistência nos dados gera responsabilidade direta da seguradora”, alerta o especialista.

Além disso, a ausência de cobertura adequada pode gerar consequências relevantes para as empresas. “Transportadoras que operam sem cobertura adequada estarão sujeitas a penalidades financeiras e legais. Já as seguradoras que falharem no envio de informações podem sofrer desgaste com clientes e órgãos reguladores”, explica João Paulo.

A expectativa no setor é que a nova estrutura de fiscalização contribua para reduzir irregularidades e aumentar a segurança das operações logísticas no país. Nesse contexto, o seguro de transporte de cargas reforça seu papel como ferramenta de gestão de riscos, especialmente em situações de acidentes, roubos ou danos à carga durante o transporte.

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