Uso de tecnologia avançada e práticas sustentáveis são as principais tendências da Logística 4.0 em 2022

28/04/2022

A logística sempre teve um papel importante para um gerenciamento eficiente de todas as etapas da cadeia de suprimentos nas empresas. Isso se tornou ainda mais evidente nos últimos anos com a pandemia de Covid-19, que impulsionou o crescimento das vendas on-line. Durante esse período, a logística fez diferença com a distribuição de alimentação pronta, medicamentos, bens de consumo duráveis e não duráveis e tudo o que a população reclusa necessitou. Tanto que, parte dos brasileiros que comprava apenas presencialmente, passaram a ter os canais digitais como meio de consumo.

De acordo com uma projeção realizada pela Neotrust para 2022, a receita do e-commerce deve crescer cerca de 9%, atingindo um faturamento recorde de R$ 174 bilhões neste ano. Em 2021, as vendas on-line no Brasil totalizaram mais de R$ 161 bilhões de faturamento, um aumento de 26,9% comparado ao ano anterior. O levantamento também apontou o crescimento de 16,9% no número de pedidos, com 353 milhões de entregas. A empresa de inteligência de mercado é responsável pelo monitoramento de mais de 85% do e-commerce brasileiro.

Diante desse cenário, é possível notar que o setor de logística segue em expansão e isso mostra a necessidade de as empresas investirem na qualificação profissional de seus funcionários e de fazerem uso dos benefícios da Logística 4.0 para otimizarem as transações comerciais e viabilizarem melhores resultados.

“Além do papel da tecnologia, outro fator importante para a logística em 2022 está ligado à sustentabilidade. O tema já vem sendo discutido há alguns anos e ganhou força em 2021. Nesta área, as práticas sustentáveis estão ligadas principalmente a respeitar e reduzir o impacto ao meio ambiente, diminuindo a produção de gases poluentes, conter desperdícios e criar processos que promovam o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis”, destaca Ricardo Luiz Ciuccio, coordenador do Bacharelado em Engenharia de Produção, do Centro Universitário Senac.

Etapas da logística

É importante ter em mente que esse percurso começa quando o cliente faz o pedido via internet e pode ter, durante o processo, todas as informações detalhadas, desde o despacho até a previsão de entrega do produto. Além disso, a Logística 4.0 trabalha não somente com informações de produtos, mas utiliza um conjunto de informações na nuvem, que permite refletir sobre as melhores estratégias, analisando situações on-line de tráfego e ainda otimizando o tempo de entrega das diversas encomendas que podem estar em transporte.

Tecnologia como aliada

É essencial que os diversos componentes e máquinas sejam dispositivos microprocessados, para que possam comunicar-se uns aos outros por meio da infraestrutura tecnológica. A automatização dos processos logísticos está relacionada a uma série de benefícios, como a redução de falhas, o aumento da produtividade, a melhor rentabilidade, a organização de processos, além de trazer mais segurança e facilitar o acesso às informações.

É muito importante e necessário investir em suportes tecnológicos que viabilizem a integração de setores da empresa, dinamizando as operações e diminuindo operações manuais.

Tudo indica que o este novo modelo de consumo é um caminho sem volta, por isso 2022 não será diferente. As oportunidades estarão a favor das empresas que conseguirem ficar à frente das tendências tecnológicas emergentes. A otimização de processos, a eficiência e a construção de relacionamentos serão essenciais neste ano.

Fidelização como diferencial

Os processos logísticos devem ir muito além do que apenas transportar um produto. Para agregar valor, fidelizar e gerar a confiança dos clientes é fundamental criar soluções completas, capazes de inovar e reunir tudo em um só lugar. Entretanto, as plataformas de inovação e sustentabilidade de produtos podem ser fundamentais para que uma empresa seja mais competitiva. Para isso, toda empresa deve investir em inovação e sustentabilidade.

Quem se interessou pelo tema ou busca se especializar na área, o Centro Universitário Senac conta com as graduações Tecnologia em Logística e o Bacharelado em Engenharia de Produção. Nesta última, por exemplo, os estudantes colocam literalmente a mão na massa para realizarem estudos, pesquisas e principalmente resolverem problemas reais das empresas parceiras.

Para fortalecer os laços entre a instituição e a indústria, o Projeto Challenge, criado pela VDI (Associação de Engenheiros Brasil — Alemanha) é um programa focado na capacitação do engenheiro por meio de desafios técnicos que serão resolvidos através de ideias e soluções ágeis, inovadoras, criativas e que contem com experimentações físicas ou digitais. Os alunos têm orientação e conexão com a carreira, com foco em oportunidades e possibilidades de trajetórias profissionais em gestão e negócios, conectando educação e trabalho e auxiliando escolhas educacionais e ocupacionais.

Outro destaque é a pós-graduação em Logística Empresarial, para o profissional que busca se especializar na gestão da logística empresarial, com a utilização de métodos e novas tecnologias para realizar o gerenciamento estratégico de todo processo, desde a produção industrial até a entrega do produto ao mercado.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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