FOTON apresenta nova matriz de produtos para veículos comerciais

A FOTON apresentou sua nova matriz de produtos para veículos comerciais durante a Conferência Global de Parceiros 2026, realizada em Pequim. O encontro reuniu mais de 2.000 participantes de 140 países e trouxe, além da estratégia global da companhia até 2030, lançamentos que ampliam o portfólio para diferentes demandas de transporte e logística. A proposta é abranger todos os cenários operacionais, desde operações de longa distância até a distribuição urbana de última milha.

Entre as novidades, a plataforma de caminhões pesados GALAXUS foi um dos destaques. Desenvolvida para uma nova era de logística inteligente, ela reúne soluções multienergia, incluindo combustão, elétrico, hidrogênio, gás e híbrido. A FOTON incorporou mais de 90 tecnologias próprias. Além disso, o sistema elétrico mais avançado da plataforma alcança eficiência de 97,5%, com carregamento em nível de megawatts e ganho energético de aproximadamente 7%. O sistema inteligente de condução foi testado em mais de 2 milhões de quilômetros e suporta evolução entre os níveis L2 e L4. Modelos como GALAXUS R9, R5 e D3 foram exibidos com propostas que vão do transporte de longa distância às entregas expressas.

FOTON apresenta nova matriz de produtos para veículos comerciais

Voltada ao segmento de distribuição urbana, a FOTON apresentou a plataforma totalmente elétrica DAYSTAR. Projetada para operações de última milha, ela utiliza arquitetura de 800 V, controladores de silício-carbono e motores com resfriamento a óleo. Para garantir confiabilidade, a marca realizou mais de 6 milhões de quilômetros de testes. A eficiência energética foi elevada em cerca de 20%. O design da cabine se inspira em automóveis de passeio, oferecendo maior espaço interno, degrau ultrabaixo e recursos de conectividade OTA (over-the-air).

Ainda dentro das soluções urbanas, o minitruck Wonder Plus foi apresentado com foco ampliado em capacidade de carga. Segundo a empresa, o modelo “carry an extra half-ton” (“carrega meia tonelada a mais”), apoiado por um chassi reforçado em aço de alta resistência e suspensão de duplo triângulo (double wishbone). A carroceria, com 3.800 mm de comprimento e 1.850 mm de largura, foi projetada para acomodar diferentes tipos de carga em rotas de curta distância.

No segmento de vans elétricas, a FOTON revelou a plataforma CAVAN C1, destacada como a “primeira plataforma exclusiva de nova energia para vans” da companhia. O conjunto inclui bateria de alta segurança desenvolvida internamente, eficiência de condução superior a 93,5% e suporte a carga ultrarrápida (2.2C), permitindo percorrer 100 km após apenas 10 minutos de carregamento. A proposta atende especialmente à logística urbana e às operações de “última milha”.

As plataformas GALAXUS, DAYSTAR, Wonder Plus e CAVAN C1 compõem o núcleo da nova matriz global de produtos da FOTON. Elas se conectam aos objetivos de eletrificação, digitalização e expansão internacional definidos no evento, reforçando a adaptação da empresa aos desafios atuais de eficiência energética, inteligência embarcada e sustentação logística em nível global.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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