Transporte: “Falta investimento em cibersegurança e isso pode afetar o setor”, alerta especialistas

17/01/2023

A tecnologia é uma grande aliada para o setor de transportes e vem contribuindo na indústria há décadas. Como explica Iltenir Junior, sócio-diretor da KNG Network, integradora de negócios que atua nos segmentos de logística e tecnologia e idealizador do CISO Forum Brazil, ela deu início através do TMS (Sistema de Gerenciamento de Transportes), automatizando processos de emissões de documentos fiscais, relatórios de controle e integração entre filiais intermunicipais, interestaduais e internacionais. Em sequência, a localização por satélite, que deu maior robustez na gestão de riscos, chegando ao EDI (Intercâmbio Eletrônico de Dados), que permitia a troca de informações entre a indústria e transportadores através de arquivos leves de notas fiscais, embarques, ocorrências e cobrança.

Para o especialista, a tecnologia tornou-se uma matéria prima da indústria de serviços, com investimentos em servidores em nuvem, plataformas mobile e crescimento exponencial. “O varejo eletrônico, com toda a sua demanda crescente ano a ano, colocou o transporte na rota da digitalização através de API’s (Interfaces de Programação de Aplicações), mas foram as startups de logística e transportes, conhecidas como LogTechs, quem consolidaram ainda mais tecnologias no setor”, pontua.

Contudo, existem alguns desafios a serem enfrentados com tamanha evolução, como, por exemplo, o investimento em segurança para evitar os ataques cibernéticos no setor. Por conta da pandemia, as compras online e os pedidos por aplicativos impulsionam a importância dos transportes e, por consequência, colocam o setor como alvo das ameaças cibernéticas.

Na opinião do especialista, toda empresa, sendo ela do varejo ou indústria, concentra um grande volume de dados, desde seu pessoal, fornecedores, produtos e, principalmente, clientes e vendas. Com isso, a informação é tão importante quanto a entrega do produto e considerar o gerenciamento de risco somente no rastreamento de um caminhão, em um alarme de proteção do veículo ou escolta armada já não é mais o suficiente.

“O volume de dados que administramos, em mãos erradas, podem beneficiar ações criminosas como roubos de cargas. Seu vazamento pode impactar na estratégia de grandes empresas que confiam seus produtos às transportadoras”, destaca Junior.

Iltenir aponta os agravantes que essa falta de proteção adequada pode causar como imensos prejuízos a clientes, fornecedores e às próprias empresas, que perdem credibilidade e entrada neste imenso mercado. Uma vez que o setor está envolvido desde o transporte de matéria-prima para a indústria, até a entrega no destinatário final, sendo ele um distribuidor, revendedor ou consumidor, falhas graves de segurança podem afetar toda a cadeia e gerar custos que não foram planejados e baixa avaliação pelos clientes. 

“Sem logística é impossível imaginar um funcionamento minimamente satisfatório de praticamente qualquer setor da economia e das mais diversas áreas da vida de mais de 210 milhões de brasileiros”, aponta.

Dessa forma, algumas melhorias devem ser adotadas para garantir a segurança e evitar falhas maiores. Dentre elas, Junior enxerga alternativas fundamentais, como investir em equipamentos de qualidade e atuais que permitam mais eficiência na execução de tarefas, criar credenciais intransferíveis, adequadas para cada nível de acesso aos sistemas de acordo com níveis hierárquicos da empresa e ter uma equipe de profissionais de TI à disposição para cuidar da infraestrutura em equipamentos e da segurança digital. 

Além disso, é necessário um bom investimento também na proteção da rede usada pela empresa e sempre manter um bom antivírus e um firewall ativos em todos os dispositivos e usar um serviço VPN confiável, melhorando a criptografia dos dados da conexão e mantendo a rede mais segura. Tudo isso, contando com uma equipe de assessoria especializada em segurança da informação.

Questionado sobre esses investimentos, Iltenir pontua que não há reciprocidade em relação à importância que a logística e o transporte movimentam comparado a sua valorização de modo geral. “As margens estão cada dia mais enxutas e a cultura de grande fatia das principais empresas ainda sob gestão familiar de segunda e terceira geração. Esses fatores impactam na adoção de medidas preventivas”, finaliza.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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