Transportadores veem infraestrutura como um dos principais desafios para desenvolvimento do setor

12/12/2022

A infraestrutura brasileira é um dos maiores desafios do transporte rodoviário de cargas no país. De acordo com a 25ª edição da pesquisa de rodovias do país da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a malha rodoviária brasileira piorou em 2022. Segundo os dados, 66%, dos 110.333 quilômetros avaliados são classificados como regulares, ruins ou péssimos, números que geram um alerta ao transporte rodoviário de cargas e que representam um aumento percentual de 4,2% em relação a 2021.

O estudo leva em consideração variáveis como pavimento, sinalização e geometria da via e demonstra quanto espaço há para melhoria nas rodovias nacionais. Além disso, de acordo com os empresários do segmento, há vários pontos que causam preocupação e que, se aprimorados, ajudariam a deixar o ecossistema mais fluído e eficiente.

Adriano Depentor, presidente do conselho superior e de administração do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – SETCESP, é um desses empresários. Como líder de uma entidade de classe que representa mais de 21 mil transportadoras em 50 municípios da Grande São Paulo, ele vê como delicada a situação da infraestrutura brasileira.

“A conjuntura das rodovias é, neste momento, motivo de muitas preocupações. Temos diversas obras inacabadas e baixa qualidade do asfalto, e os preços dos pedágios cobrados atualmente são muito altos em relação ao serviço entregue”, explica o presidente.

A preocupação não é sem motivos, já que essas questões envolvem uma outra esfera muito importante na área do transporte rodoviário de cargas, que é o custo. “Isso onera o setor. Quando se tem rodovias ruins e sem revestimento de qualidade, o tempo de chegada nos portos aumenta, havendo consequentemente uma demora que gera um impacto negativo”, afirma Depentor.

Para o presidente do SETCESP, é preciso que haja um trabalho constante de reivindicações sobre os órgãos responsáveis, e nisso o trabalho das entidades também é muito importante.

“Nesses casos, o papel de uma entidade de classe, como o SETCESP, é justamente estar ao lado do seu associado para levantar essas demandas e cobrar dos órgãos competentes as melhorias a serem alcançadas para que esses problemas não prejudiquem o desenvolvimento das operações das empresas e a economia do país”, finaliza Adriano.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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