Transportadores devem se mobilizar no combate ao Aedes aegypti

10/02/2016

O engajamento de todos é essencial para enfrentar o Aedes aegypti, mosquito que transmite o zika vírus, associado a um surto de microcefalia no Brasil, e os vírus causadores da dengue e da febre chikungunya.

Entre os transportadores, algumas medidas básicas podem ter um papel decisivo. O cuidado com pneus é um deles. Conforme a diretora do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, “eles são perfeitos para a reprodução do mosquito, pois são escuros, bem vedados e acumulam água facilmente”.

Ela alerta, assim, que esse tipo de acessório não deve ficar armazenado ao ar livre. Mas, mesmo em locais fechados, deve-se ter atenção. “Às vezes fica acumulado, nos pneus, um pouco de água de limpeza, por exemplo”. Se eles não forem mais utilizados para rodar, Zilda Veloso recomenda que os pneus sejam furados ou cortados ao meio e dispostos com a abertura para baixo. Ou, então, o descarte deve ser feito corretamente. O ideal, é entrar em contato com a prefeitura, comerciantes ou fabricantes para identificar pontos de coleta.

Outros utensílios, como lonas, reboques ou mesmo implementos e veículos que ficam parados por muito tempo também devem ser verificados, pois podem ser focos do mosquito. “As pessoas deixam carros batidos estacionados, móveis, ferros retorcidos, esquadrias antigas, caixas d’água abertas, lixo. Tudo isso acumula água e pode se tornar criadouro. Todos têm que ter consciência de que isso, hoje, não é mais possível, ou estaremos colocando em risco a gente, nossa família, nossos vizinhos”, destaca Zilda Veloso.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) publicou um aviso às empresas de transportes terrestres, determinando a intensificação dos esforços para a eliminação de focos do Aedes aegypti.

Atuação intensificada nas áreas litorâneas

A SEP (Secretaria Especial de Portos) também enviou um comunicado aos portos de todo o Brasil e entidades do setor com um alerta sobre o tema. Mas em muitos lugares, as ações já estavam sendo adotadas.

No Paraná, por exemplo, a APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina) incluiu as ações preventivas ao Aedes aegypti no programa de zoonoses desde junho do ano passado. “Temos uma rotina diária de limpeza, de vistoria e de pulverização com larvicidas na área do porto”, explica o diretor da APPA, Luiz Henrique Dividino. O trabalho envolve uma equipe de 30 pessoas. A verificação de cada uma das áreas ocorre em intervalos de até seis dias, tempo em que é possível evitar a eclosão de ovos e a formação de novos insetos.

Desde dezembro, com a ampliação do número de casos de microcefalia associados ao vírus zika, as ações ultrapassaram as áreas portuárias. “Muita umidade, temperatura alta, são características litorâneas que favorecem a proliferação do mosquito”, lembra Dividino.

Assim, a campanha chegou a todo o litoral paranaense. “Temos uma patrulha de combate à dengue que é composta por membros que sensibilizam empresas portuárias que estão no entorno, e também fizemos ações nos sete municípios do litoral”, diz. A equipe visitou cinco mil estabelecimentos comerciais e mais de 150 mil informativos sobre o tema já foram distribuídos.

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