Transportadoras apresentam comportamento de preocupação com o meio ambiente

16/10/2023

No meio ambiente, o Brasil possui meta na redução de emissões de carbono em 50% até 2030, prometido na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26). Entretanto, essa e outras promessas não dependem apenas do governo brasileiro, mas também de organizações e empresas privadas.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), nos últimos anos, cada vez mais brasileiros têm experimentado hábitos que visam cuidados com o meio ambiente. Cerca de 23% afirmam que a mudança de comportamento é devido a preocupações ambientais. Outros 41% acreditam que essas mudanças são definitivas. Durante o encontro global da COP27, conhecida como a “COP das Empresas”, Sanda Ojiambo, secretária-geral adjunta e CEO do UN Global Compact, enfatizou a importância da ação do setor privado para enfrentar a crise climática: “Temos menos de 10 anos para mudar o mundo para uma trajetória de 1,5°C […] O Pacto Global da ONU espera continuar nosso trabalho com empresas de todo o mundo para acelerar nossa transição para o net-zero”.

Para Fernanda Veneziani, coordenadora da comissão de sustentabilidade do SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, as ações do setor de transportes são pertinentes, uma vez que todos são incluídos no cumprimento da Agenda de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) até 2030 no Brasil. “A busca por fontes renováveis de energia visando não só eliminar, mas um caminho que começa com o reduzir e compensar as emissões dos GEE (Gases de Efeito Estufa), é onde as empresas do TRC podem ter seu maior foco. A indústria automobilística vem investindo maciçamente na criação de veículos com maior eficiência no que tange a motores com combustíveis fósseis, focando na redução das emissões, além de veículos elétricos e movidos a biocombustíveis” enfatiza a coordenadora.

Para além do meio ambiente, a sustentabilidade empresarial visa a redução de custos de produção, uma vez que os colaboradores passam a pensar a não gastar tantos recursos. Dessa forma, enfrentarão o desperdício de recursos naturais. Empresas, como as do setor de transporte de cargas, buscam cada vez mais ser menos poluentes visando a agenda ESG, com mais atenção e preocupação. A busca por eventos e conhecimentos relacionados à sustentabilidade também é um fator crucial no mercado, uma vez que empresas que desenvolvem boas práticas voltadas ao meio ambiente tendem a ser mais bem-vistas pelos consumidores.

Como no caso do SETCESP, que criou em 2014 o “Prêmio de Sustentabilidade”. O objetivo é reconhecer e destacar as empresas de transporte associadas à entidade que reduzem os impactos ambientais, geram desenvolvimento social e econômico e que prezam pela segurança viária e do trabalho de seus colaboradores.

Este ano, o prêmio está em sua 9ª edição e bateu recorde de inscrições. São 69 projetos e 38 empresas participantes e, de acordo com informações da organização do prêmio, essas instituições representam 34.872 veículos na frota e 68.740 colaboradores. Ainda segundo Fernanda, conhecer o que vem sendo feito pelas empresas e buscar aquilo que cabe dentro de cada negócio é um excelente começo.

“Neste momento ainda esbarramos em muitas questões práticas envolvendo custos, viabilidade logística e de abastecimento, mas existem setores do transporte específicos que já conseguem operar dessa forma e essa é uma grande contribuição. O E-Book de Boas Práticas de Sustentabilidade que está disponível no portal do Prêmio no site do SETCESP traz um guia completo de ações elaboradas por todos os tipos e tamanhos de transportadoras que podem inspirar um primeiro passo para quem se interessar”, finaliza Fernanda.  

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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