Trading norte-americana de grãos começa expansão no Brasil e prevê abertura de escritórios regionais

01/08/2023

Pedro Salles, CEO da Agro.Club

A Agro.Club, trading norte-americana de grãos que usa a tecnologia para identificar e executar negócios, dá início ao seu plano de expansão no Brasil, por meio da abertura de escritórios regionais localizados estrategicamente nos principais polos produtores. As duas primeiras cidades a receberem as unidades serão Rondonópolis, MT, e Londrina, PR, ainda este ano.

Segundo o CEO da Agro.Club, Pedro Salles, essas localidades foram selecionadas estrategicamente devido à sua importância no setor agrícola e à concentração de produtores nessas regiões. As demais regionais estão em fase de planejamento e avaliação nos estados do Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins, Bahia, Minas Gerais e outras regiões de Mato Grosso, como o Médio-Norte e o vale do Araguaia, para 2024.

O CEO ressalta que, como uma empresa de tecnologia, abrir escritórios físicos no interior do Brasil é uma estratégia da Agro.Club para garantir um contato mais próximo e pessoal com os clientes.

“Apesar do crescimento do digital, acreditamos na importância de humanizar as negociações e proporcionar aos produtores diferentes formas de acessar nossos serviços. Ao disponibilizar espaços físicos, permitimos que os produtores tenham a oportunidade de encontrar nossas equipes, tirar dúvidas, receber suporte personalizado e estabelecer um relacionamento mais próximo.”

Para Salles, a presença física em diferentes regiões do Brasil permite ao seu time entender melhor as particularidades e demandas locais, adaptando os serviços de acordo com o seu perfil. “Essa abordagem reforça nosso compromisso em democratizar o acesso aos nossos serviços, atender às necessidades dos clientes de forma abrangente, combinando tecnologia com uma abordagem personalizada e presencial quando necessário”, detalha.

Como funciona?

Com forte atuação na Europa desde 2018, a empresa está operando no Brasil desde agosto de 2022, por meio da tecnologia na facilitação da comercialização de grãos no mundo, encontrando a melhor combinação entre origem e destino, participando da transação como compradora, financiadora e operadora logística.

Em seguida, a Agro.Club assina os contratos casados com o comprador e o vendedor e paga o produtor, o cerealista ou a cooperativa. É feita então a contratação do frete e executada toda a logística. No passo seguinte é realizado o teste de qualidade na origem e na entrega ao destino, finalizando com o pagamento do comprador à Agro.Club.

Agro.Club

A Agro.Club atua para facilitar a comercialização de cereais, principalmente soja, milho e trigo, encontrando a melhor combinação entre origem e destino e participando da transação como compradora, financiadora e operadora logística. Atualmente possui transações nos maiores polos mundiais do agronegócio como América do Norte, América do Sul e Europa, com o apoio de tradicionais fundos de Venture Capital, como Speedinvest, Venture Friends, Elevator Ventures e o RaboFrontier Ventures, braço do banco Rabobank.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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