TEGRAM completa dois anos de operações e se consolida como opção logística para o agronegócio

01/06/2017

O Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM), no Porto do Itaqui (São Luís, MA), registrou movimento recorde em abril, com o embarque de 11 navios para a exportação de 726,5 mil toneladas de grãos no mês. A informação é do Consórcio TEGRAM-Itaqui, formado pelas empresas Terminal Corredor Norte, Glencore Serviços, Corredor Logística e Infraestrutura e Amaggi & LDC Terminais Portuários e responsável pela gestão terminal, que cita ainda o embarque de 1,28 milhão de toneladas (soja e milho) no acumulado dos quatro primeiros meses do ano.

Estes números positivos são anunciados logo após o TEGRAM completar dois anos de operação. De março de 2015, quando foi embarcado o primeiro navio, até abril deste ano, o terminal exportou o total de 7,07 milhões de toneladas de grãos (soja, milho e farelo de soja) em 124 navios, consolidando-se como alternativa logística de exportação da safra das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, sobretudo dos Estados do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), Goiás e Nordeste de Mato Grosso.

Para o agronegócio brasileiro, o TEGRAM tem alguns diferenciais importantes. Entre eles, destaque para o benefício de desafogar os portos das regiões Sudeste e Sul do País e para a localização estratégica, mais próxima dos principais mercados da Ásia e Europa, que contribui para reduzir custos logísticos e agilizar os processos. Estas vantagens competitivas tornam-se ainda mais relevantes à medida que o setor projeta para este ano uma safra recorde de grãos que, envolvendo todas as culturas, deve ser de 232 milhões de toneladas (aumento de 24,3% sobre o ano passado), devendo a colheita da soja chegar a 113 milhões de toneladas e a do milho atingir 92,8 milhões de toneladas, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ao início de maio.

Alta capacidade e eficiência
No TEGRAM, as empresas consorciadas investiram na construção de quatro armazéns com capacidade estática de 500 mil toneladas de grãos (125 mil toneladas por armazém) e na montagem de toda a infraestrutura necessária para operar um berço de atracação na primeira fase do projeto. Para isso, incorporou equipamentos de alta tecnologia, como um shiploader para carregamento de navios, com capacidade de embarque de 2,5 mil toneladas por hora, moegas rodoviárias com oito tombadores (dois em cada armazém), que permitem receber mais de 960 caminhões diariamente (totalizando 44 mil toneladas descarregadas a cada 24 horas), e a moega ferroviária, que descarrega 4 vagões de forma simultânea, a uma taxa de 2 mil toneladas de grãos por hora (composições de 80 vagões tipo HFT, com capacidade líquida de 100 toneladas de carga por vagão).

De acordo com o Consórcio, o projeto contempla ainda uma segunda fase, que permitirá dobrar a capacidade operacional, hoje superior a 5 milhões de toneladas de grãos ao ano, para volumes superiores a 10 milhões de toneladas / ano. Para isso, estão nos planos de investimentos do Consórcio a duplicação da linha de embarque para operar mais um berço de atracação, envolvendo a aquisição de um segundo shiploader, que permitirá uma taxa de embarque de 5 mil toneladas de grãos por hora distribuídas em dois berços, operando de forma simultânea, e a ativação da segunda linha da moega ferroviária, permitindo a descarga de oito vagões simultâneos a uma taxa de 4 mil toneladas por hora.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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