Tecon Salvador é importante operador de carga eólica entre os portos do Nordeste

03/05/2016

O Terminal de Contêineres de Salvador, operado pelo Grupo Wilson Sons, tem se destacado entre os portos do Nordeste no transporte de cargas de projeto (de grande dimensão), registrando grande volume e regularidade na movimentação de equipamentos para a construção de parques eólicos no Brasil. Um dos destinos atendidos este ano para o segmento é o estado do Rio Grande do Sul, para onde serão embarcados, até dezembro, 69 sets de aerogeradores. Na última semana de abril, 16 equipamentos (nacelles e hubs) da fabricante Acciona, em parceria com a CTI Cargo, em Camaçari, serão embarcados pelo Tecon Salvador.

O uso da cabotagem neste tipo de operação torna-se uma operação mais segura para o setor. O modal, além de seguro, diminui o tempo de exposição da carga (de alto valor agregado) nas rodovias contribuindo para desafogar as vias. Se fossem transportados pela rodovia, cada caminhão carregaria uma peça por vez, devido ao volume e peso.
Com a perspectiva de investimentos contínuos no setor, o terminal baiano tem traçado estratégias para garantir o atendimento a esta crescente demanda. “Em 2015, as cargas eólicas se colocaram com grande destaque, uma vez que nos tornamos um player muito importante para o mercado regional. O segmento foi fundamental para os resultados de importação do ano passado e o desafio para 2016 é manter o alto nível de movimentação deste tipo de carga”, explica Demir Lourenço, diretor do Terminal de Contêineres de Salvador.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), a instalação de parques eólicos tem alcançado um crescimento médio de 40% ao ano e que este ritmo deve ser mantido por mais de 10 ou 15 anos. O diretor do Tecon Salvador avalia que o “Brasil se tornou um grande player na área de geração de energia eólica e, por isso, se torna cada vez mais competitivo, com a atração de novas empresas. O mercado também aponta para uma segunda onda de investimentos significativos no setor de energia, inclusive na solar, que vem compor com a eólica na construção de grandes campos onde coexistam as duas fontes geradoras de energia”.

Novos equipamentos – Para garantir com cada vez mais excelência de suas operações e atendimento das demandas crescentes, o Tecon Salvador tem investido em novos equipamentos. Em janeiro, foram adquiridos três RTGs elétricos em fabricação na ZPMC na China. Os equipamentos, que tem previsão de chegada para maio de 2017, representaram um investimento de U$ 1.6 milhões de dólares cada. “A inciativa traz um aumento de produtividade ao mesmo tempo em que representa um compromisso com sustentabilidade, uma vez que os equipamentos são os mais modernos do mercado, tanto em termos de produtividade quanto em ecoeficiência”, ressalta Lourenço.

Ainda como vantagem, os equipamentos apresentam segurança e eficiência energética. “Assim, nos preparamos para o futuro e um aumento de demanda, ação que independe da situação econômica do país. Com as operações de dragagem e a chegada de navios cada vez maiores e mais modernos à costa brasileira, o Terminal precisa acompanhar as alterações”, comenta Demir Lourenço. Atualmente, o Tecon Salvador possui três portêineres panamax, três super post panamax e aptos a operar todos os navios que escalam/operam a costa leste brasileira.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal