Tecnologia segue contribuindo com o desenvolvimento das empresas de transporte

17/10/2022

A evolução da tecnologia é um aditivo para a mudança de cenário em muitos segmentos. O transporte rodoviário de cargas (TRC), um setor com processos analógicos tão enraizados, tem mudado a postura das lideranças e integrado, nos últimos anos, o uso de ferramentas tecnológicas que surgem com o passar do tempo.

Entre outras que já são integradas no setor, a chegada do 5G vai abranger um novo tipo de rede, projetada para conectar praticamente tudo e todos, incluindo máquinas, objetos e os mais diversos dispositivos. Com isso, possibilitará um avanço com relação da largura de banda e, consequentemente, da velocidade de transmissão de dados, permitindo maior confiabilidade, mais usuários simultâneos e, principalmente, baixas latências, o que oferecerá um enorme potencial para novos serviços sem fio de valor agregado.

Franco Gonçalves, gerente administrativo da TKE Logística, empresa localizada no sul de Santa Catarina, em Araranguá, destaca como o uso dessa nova transmissão será benéfico, principalmente no TRC: “A rapidez e a agilidade tendem a fazer parte do nosso cotidiano com a otimização de tempo. No segmento, podemos esperar mais segurança nas viagens, câmeras ao vivo nas estradas e veículos funcionando pela rede de dados, além do controle de gastos de pneus e de relatórios de integridade do veículo, tudo de forma rápida e instantânea”.

Além desses benefícios citados, outro exemplo que mudará o cenário do transporte será a integração do reconhecimento facial, já presente nas plataformas de fretes com objetivo de prevenir fraldes e roubos de cargas nas estradas. Segundo o levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), esses sinistros tiveram aumentos significativos (1,7%) no país em 2021, causando cerca de R$ 1,27 bilhão em prejuízo financeiro para o setor.

Ainda que exista um processo longo para a utilização dessa ferramenta em totalidade no modal rodoviário, internamente as empresas que compõem esse nicho de trabalho se movimentam para buscar novas estratégias e para se resguardar desses desafios recorrentes.

Franco, que atua diretamente na supervisão dos processos logísticos e de transporte da TKE, relata o comportamento que a empresa possui diariamente: “Buscamos um controle intenso dos nossos processos, desde o momento da contratação até a operação. Por isso, estamos sempre nos atualizando, até mesmo com os nossos equipamentos de rastreamento. Nossa frota possui uma série de ferramentas de controle que funcionam de forma híbrida — com transmissão com sinais de celulares e de satélites para não arriscarmos perder o sinal. Temos sistemas gestores (multas, telemetria, controles diversos, maps de gerenciamento de risco) e, claro, o bom uso dos grupos de celulares”, descreve o executivo.

Além da busca de implementos inovadores, outros métodos “analógicos” são concentrados e utilizados para a finalidade da capacitação dos colaboradores, especialmente os motoristas que são os responsáveis pela distribuição das mercadorias por todo o país.

O mais utilizado entre as empresas de transporte é o treinamento da direção defensiva. Esta consiste no monitoramento das ações por parte do condutor e deve ser associada à direção segura, ou seja, adotando precauções para evitar acidentes e preservar a saúde dos envolvidos.

“É importante ter uma troca de informações constante com os motoristas. Não é apenas o escritório ou a gerenciadora de risco com acesso às informações, são os motoristas nas ruas também. Isso nos ajuda a elencar os melhores trajetos, pontos de parada e horários em que se deve ou não passar por algum trecho.
Além disso, instruímos nossa equipe sobre como devem agir em situações estranhas”, complementa o empresário.

A era tecnológica é iminente, e as empresas entendem que este é o momento de poder desenvolver o setor como um todo e de apresentar novas soluções como crescente para futuros promissores.

Franco finaliza: “Enquanto transportadores, precisamos continuar aprimorando a segurança das nossas operações pelo bem de todos os envolvidos nos processos, e a tecnologia está aí para acelerar ainda mais esse cenário”.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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