Tecnologia permite inclusão de pessoas com deficiência auditiva em operações logísticas

02/10/2024

O uso de sensores de presença permite que pessoas com deficiência auditiva operem empilhadeiras sem risco de colisões ou atropelamentos. O dispositivo, denominado Hit Not, está sendo implantado em uma grande mineradora brasileira.

O Hit Not utiliza ondas eletromagnéticas para identificar a presença de pedestres em um raio de até 30 metros da empilhadeira e emite simultaneamente três tipos de alertas caso alguém entre no campo de operação da máquina. Além dos sinais visuais e sonoros, o operador recebe vibrações em um dispositivo afixado em sua roupa. Assim, mesmo um trabalhador com limitações auditivas pode perceber claramente os avisos e parar o veículo a tempo de evitar qualquer acidente.

“Essa tecnologia assegura um ambiente mais inclusivo na indústria e na logística, ao permitir que funções tradicionalmente inacessíveis para trabalhadores com deficiência auditiva, sejam agora também viáveis”, afirma Afonso Moreira, CEO da AHM Solution, empresa especializada em gestão de riscos na logística e que representa o Hit Not no Brasil.

A mesma tecnologia já vem sendo usada em outras operações logísticas. Em uma grande indústria madeireira, o Hit Not eliminou o risco de atropelamentos em pátios onde pedestres circulam entre toras de madeira. “Isso é possível porque as ondas eletromagnéticas atravessam qualquer obstáculo sólido, como paredes e pilhas de cargas, que formam os chamados pontos cegos da operação”, explica Moreira. No caso da indústria madeireira, após a implantação do Hit Not, as empilhadeiras passaram a operar com mais produtividade e segurança, parando menos a atividade e sem risco de atropelamento.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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