Tecnologia da VLI para otimizar embarque e desembarque de navios chega ao Terminal de Produtos Diversos (TPD)

16/12/2022

O Sistema de Planejamento de Embarque e Desembarque de Navios (Speed), desenvolvido pela VLI – companhia de soluções logísticas que opera terminais, ferrovias e portos – para promover mais eficiência nas operações de carga e descarga dos navios, otimizando os processos em seus portos, agora é utilizado no Terminal de Produtos Diversos (TPD). Localizado em Vitória, no Espírito Santo, o TPD está no maior complexo portuário privado do Brasil: o Complexo de Tubarão. O software, já usado nas operações da empresa no Porto do Pecém (CE), começou a ser implantado nesta segunda unidade em julho de 2021.

Antes do Speed, o plano de desembarque de navios era feito exclusivamente pelo capitão e com foco exclusivo na estabilidade do navio, sem preocupação com o tempo necessário para a conclusão do desembarque. Assim, o tempo de operação era diretamente impactado. Segundo o gerente de Transformação Digital para Portos e Terminais da VLI, Luciano Gonçalves Pereira, a estimativa de ganho com a ferramenta é de ganho de duas horas por navio. “Considerando 45 navios no berço quatro, operado pela VLI, o ganho será a redução de 90 horas operacionais em um ano”, avalia.

Luciano Pereira explica que para ser implantada no TPD, a plataforma passou por alguns ajustes em função da diferença de produtos e navios em relação ao Pecém. “O principal ganho é a melhora na eficiência operacional do desembarque de navios, pois o software permite planejar o desembarque, simular cenários otimizados, de forma a aumentar a simultaneidade da operação dos descarregadores de navios. Os planos e simulações consideram a estabilidade do navio e outras variáveis identificadas durante a operação para garantir a segurança estrutural da embarcação”, frisa.

Pioneira

Com essa iniciativa, criada nas jornadas de intraempreendedorismo da VLI, a companhia se tornou pioneira na proposição de planos de embarque e desembarque, considerando a capacidade operacional dos portos, os interesses dos clientes e garantindo a estabilidade e a segurança dos navios, de forma personalizada para cada embarcação. O sistema é capaz de propor planos de desembarque ou embarque mais eficientes, permitindo a redução no tempo de operação, gerando maior capacidade de movimentação de carga nos portos da VLI.

A próxima fase do Speed, que é o plano de embarque, está prevista para funcionar no TPD já no início de 2023. Neste momento ela está sendo desenvolvida no Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), localizado na Baixada Santista, em São Paulo, e no Terminal Portuário de São Luís (TPSL), no estado do Maranhão. Segundo o gerente de Transformação Digital para Portos e Terminais da VLI, a expectativa é que esta segunda fase da tecnologia, que compreende o plano de embarque de navios, gere eficiência com a redução de 15% no tempo operacional de embarque por navio no TPD, aumentando a capacidade de movimentação de carga durante o ano.

A expectativa é de que o Speed seja replicado para todos os terminais portuários onde a empresa atua. “Em conjunto com a Gerência Marítima Portuária da VLI estamos estruturando uma equipe técnica especializada, para a elaboração destes planos otimizados, que atenderão todos os portos da VLI”, finaliza.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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