Tecnologia aumenta engajamento dos colaboradores nos armazéns

04/08/2022

A tecnologia é uma grande aliada quando se trata de gerenciar mão de obra e garantir o bem-estar dos colaboradores. Com o aumento das vendas online e o número de pedidos cada vez maior, o trabalho no armazém ficou ainda mais desafiador: as empresas precisam atender a esse volume de forma rápida e segura para cumprir a expectativa do cliente. Esse avanço no comércio eletrônico destacou a importância da produtividade e, com isso, surgiu a necessidade ainda maior de uma força de trabalho engajada e comprometida.

Nenhuma organização — grande ou pequena — quer uma equipe ineficiente, desengajada ou pouco qualificada. Os gestores precisam estar atentos ao que motiva os colaboradores e como eles podem aumentar a produtividade, observando quais equipes e indivíduos são estimulados por desafios e técnicas de gamificação nas tarefas diárias. “No entanto, na realidade, para muitos gerentes de armazém, a gestão da mão de obra ainda equivale a publicar ranking de desempenho e implementar programas de recompensas subjetivos, baseados em indicadores básicos ou mesmo injustos. Essas técnicas têm impacto limitado no engajamento dentro do centro de distribuição”, explica Marco Antonio Beczkowski, diretor de vendas e CS na Manhattan Associates, líder global em soluções para a cadeia de suprimentos. Agora, mais do que nunca, o uso da tecnologia e da gamificação para aumentar o engajamento e a motivação dos colaboradores é essencial.

Automação para aumentar a eficiência

A combinação de automação e robótica melhora a eficiência nos processos do armazém, permitindo que os trabalhadores se concentrem em tarefas que os robôs não podem concluir. O uso crescente de inovação também aperfeiçoou áreas como previsão e visibilidade em todas as cadeias de suprimentos, permitindo que os Centros de Distribuição (CDs) se comuniquem melhor com outras partes da rede e movam o estoque livremente conforme necessário.

Para Marco, os ambientes de separação de pedidos devem usar uma combinação de automação e força de trabalho humana para obter os melhores resultados. Segundo ele, um Warehouse Management System (WMS) tradicional pode gerenciar a atribuição de tarefas de picking, mas quando se trata de automação, esses sistemas nem sempre a gerenciam da maneira mais eficaz. “Os Warehouse Execution Systems (WES) têm se mostrado eficazes para que os varejistas tenham a flexibilidade de escolherem diferentes tipos de tecnologia e fornecedores de automação, garantindo que eles sejam orquestrados não de forma isolada um do outro, mas harmoniosamente de acordo com visão e estratégia macro”, explica. 

A tecnologia também garante maior facilidade e velocidade de implementação porque requer menos desenvolvimento de interfaces. Unindo as tecnologias de WMS, WES, Labor Management e Gamificação é possível garantir que pessoas e máquinas atinjam seu pleno potencial. “Na verdade, a tecnologia WES pode incorporar fluxo de pedidos, separação sem ondas e colegas de trabalho robóticos em um só lugar, criando um ambiente de armazém muito mais eficiente e simplificado”, pontua.

Pessoas e máquinas em harmonia

Tecnologias como voz, automação, robótica e pick to light não são novas, mas os avanços nos últimos anos trouxeram mudanças reais nas operações de separação de pedidos. De acordo com Marco, há uma percepção equivocada de que com os robôs não serão necessárias pessoas nos armazéns, mas os armazéns mais eficientes são aqueles que usam pessoas e máquinas em harmonia – mais ‘cobots’ do que robôs. “Um ótimo exemplo de onde os robôs podem aumentar a eficiência é a movimentação de mercadorias e pedidos. Os colaboradores geralmente gastam até 50% de seu tempo caminhando para pegar um pedido, então, ao passar mercadorias para robôs, eles podem reduzir significativamente esse número, liberando tempo para que o elemento humano da força de trabalho seja mais eficiente e eficaz em todo o resto do armazém”.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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