Supermercados projetam crescimento de 2,44% para 2020

07/01/2020

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) projeta que em 2020 o crescimento do setor varejista alimentar no estado deve variar entre 2% e 2,44%, maior valor dos últimos cinco anos. O otimismo dos empresários é sentido também na pesquisa de confiança que a APAS realiza com os associados, que apontou que 94% se sentem otimistas quanto às vendas em 2020. O número reflete o sucesso da Black Friday, em que 43% dos empresários alegam ter vendido mais do que em 2018 além de um Natal com recordes de contratações.

Tradicionalmente, os melhores números no faturamento ocorrem no segundo semestre, incentivados pelo aumento do poder de consumo, fruto da diminuição do desemprego ao longo do ano. A projeção da APAS para 2020 é fechar o ano com 12 mil novas contratações em todos os canais (hiper, super, mini, atacados, atacarejos e hortifrútis). Os números são retratados também na pesquisa de confiança, em que 44% dos empresários esperam aumentar o quadro de funcionários.

Segundo os supermercadistas, entre categorias, as mercadorias perecíveis devem ter maior peso nas vendas para 2020 com a expectativa de aumentar o faturamento em 8,23% e 8,7%. Padaria e confeitaria devem subir 4,6%, puxadas pelos maiores preços do trigo e maior sinergia entre varejo e indústria. O recente aumento na arroba do boi e os recordes de exportação da carne bovina fizeram 50% dos empresários estarem pessimistas sobre as taxas de juros no Brasil.

Entre as cidades, a APAS acredita que Sorocaba, São José dos Campos, Marília e Bauru deverão crescer acima do PIB em 2020. Para o economista da APAS, Thiago Berka, o motivo da boa projeção está no fato do interior conseguir sair da crise de forma mais fácil. “Para 81% dos supermercadistas, a esperança é de um PIB maior que 2019. Parte deste otimismo reflete a confiança do setor nas políticas do atual Governo Federal, que é visto com otimismo por 63% dos supermercadistas”, comentou Berka.

Ainda na pesquisa de confiança, os empresários indicaram que a medida ou reforma mais importante para o setor em 2020 é a tributária (sendo citada por 81% dos entrevistados). Na sequência ficaram a reforma administrativa (50%) e programa Carteira Verde e Amarela (44%).

Com mais de 1,5 mil associados, a pesquisa da APAS aponta que o índice de satisfação do empresário para o próximo ano com o setor varejista alimentar é de 60%, sendo apenas 16% um olhar mais pessimista sobre o futuro. O número é a melhor projeção desde 2016.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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