Startup paranaense lança robô autônomo que auxilia no transporte dentro das agroindústrias

26/03/2024

Imagine um futuro próximo em que profissionais de diversos setores compartilham seus espaços de trabalho com robôs. Juntos, colaboram em uma variedade de atividades, tornando-as mais eficientes e ágeis. O que soa como um enredo de ficção científica está se tornando uma realidade cada vez mais comum no Brasil.

Uma das últimas novidades nesse cenário é o robô desenvolvido pela Human Robotics. Trata-se do Robios Cargo, projetado para tornar o transporte de cargas seguro e rápido, principalmente em ambientes fabris.

A Human, sediada em Curitiba, é também responsável pelo primeiro robô brasileiro de autoatendimento e telepresença, totalmente interativo. Ele pode conversar, piscar e sorrir, proporcionando uma experiência humanizada. Agora, essa abordagem se estende à funcionalidade de transporte dentro das fábricas.

Equipado com inteligência artificial e sensoriamento por meio de câmeras de profundidade e visão computacional, o Robios Cargo apresenta precisão em seus deslocamentos. Pode ser chamado e enviado para qualquer ponto de uma indústria, seja por controle manual ou através de integração de sistema, permitindo o monitoramento em tempo real de seu trajeto.

Com capacidade de carga de até 40 quilos, sua estrutura integrada possui um layout de transporte configurável, adaptando-se às diferentes formas de cargas que precisam ser transportadas.

Dentre suas funcionalidades, destacam-se a navegação natural que o permite andar sozinho no mapa da empresa, bem como um leitor de código 2D que permite a leitura de códigos de barras e QR Codes para conferência em tempo real. Além disso, possui uma API aberta para integração com softwares e uma estação de recarga automática, para onde o Robios Cargo retorna quando necessário.

Em uma aplicação prática em um laboratório farmacêutico, o Robios Cargo assumiu o transporte de amostras de sangue, antes feito por pessoas que percorriam até 54 quilômetros por dia. Isso aliviou a carga dos funcionários, proporcionando precisão e segurança, reduzindo significativamente o risco de danos, e aumentando produtividade.

Olivier Smadja, fundador e CEO da Human Robotics, destaca o impacto positivo dessa automação: “Com menos tarefas de transporte, os profissionais puderam concentrar sua expertise em diagnósticos ainda mais precisos, elevando a qualidade do serviço prestado. Agora, imagine esse potencial em um cenário em que 8 milhões de amostras médicas são transportadas mensalmente dentro de uma planta fabril. O impacto recai sobre a produtividade e competitividade de mercado, diretamente”. 

E, além de suas funcionalidades, os robôs interativos e simpáticos conquistam a equipe, tornando o trabalho diário dos profissionais mais fácil e até mesmo mais divertido.

Olivier destaca, ainda, que toda a implementação do Robios Cargo é conduzida pela Human Robotics, incluindo configuração, suporte e treinamento. “Oferecemos atendimento personalizado em todo o território brasileiro. Ao contrário daqueles que adquirem robôs de fora e enfrentam desafios ao buscar assistência, em nossa empresa isso não acontece. Contamos com profissionais capacitados para fornecer todo o suporte necessário. E como os robôs são fabricados no Brasil, não há problema com peças de reposição e manutenção, caso precise”, explica.

Mercado da Robótica

O Brasil figura entre os 20 países com maior estimativa de receita proveniente da venda de robôs. Em 2016, esse mercado movimentou 225 milhões de dólares no país, e a expectativa é que esse valor ultrapasse 390 milhões em 2027, colocando o Brasil na 18ª posição no ranking de países com previsão de maiores receitas no mercado de robótica.

Globalmente, as projeções indicam que o mercado de robótica crescerá de US$ 25 bilhões em 2021 para até US$ 260 bilhões em 2030, segundo a empresa de consultoria BCG (Boston Consulting Group). Esse crescimento será impulsionado por mudanças no perfil do consumidor, crescimento econômico global e avanços tecnológicos, especialmente relacionados à inteligência artificial, internet das coisas e inteligência de máquina.

O uso de robôs está em ascensão tanto na indústria quanto nos serviços. De acordo com dados do Statista, site de inteligência de mercados, projeta-se um crescimento anual de 5,5% no faturamento mundial com robótica até 2027. A maior parte dessa receita será gerada nos Estados Unidos, na China e na Alemanha. Em 2023, esse mercado movimentou quase 45 bilhões de dólares com a produção de 4 milhões de robôs em todo o mundo.

Sabemos que o Brasil enfrenta desafios na corrida da automação industrial, tendo ficado para trás durante dez anos entre 2008 e 2017. Ao comparar esse movimento internacionalmente, percebemos a dificuldade de ingressar na quarta revolução industrial, e um dos motivos é a quantidade limitada de robôs industriais. Para reverter esse cenário, a Human Robotics promove a tecnologia robótica acessível no Brasil. “Acreditamos que ao incentivar a fabricação local, desde o projeto até a fabricação e montagem, os custos de produção podem ser potencialmente reduzidos a longo prazo”, completa.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal