Softtek aponta 6 tecnologias que moldarão o futuro da Logística

17/03/2023

É fato que o comércio e consumo enfrentam uma nova era predominantemente digital, que vem moldando comportamentos e criando um perfil de consumidor cada vez mais consciente e exigente.

E com o avanço progressivo nas modalidades de e-commerce e omnichannel – com prazos de atendimento mais curtos, uma grande variedade de produtos, exigência de altos níveis de serviços e entregas cada vez mais pulverizadas –, a evolução do comportamento de consumo caminha em paralelo com a aplicabilidade de novas tecnologias digitais.

“Diante deste cenário, o conceito da Logística 4.0 nunca esteve tão relevante, merecendo o mesmo tratamento quando falamos da aplicação de novas tecnologias. Por isso, conhecer as tendências tecnológicas do setor pode ser um fator determinante para antecipar a detecção de problemas, melhorar o planejamento e execução de processos e otimizar operações, impactando a cadeia como um todo. E isso vai desde as tecnologias mais conhecidas, e já amplamente utilizadas no mercado, até as mais disruptivas”, explica João Roberto Azarito, engenheiro mecânico e de produção com mais de 30 anos de experiência em supply chain e manufatura, que atua como executivo da Softtek Brasil, multinacional mexicana líder no setor de TI na América Latina.

Dentre os benefícios do investimento em tecnologia para o setor logístico, estão: redução de inventário; redução de custo operacional; redução de custo de frete; redução no lead time de atendimento; melhoria no nível de serviço ao cliente; e incremento de receita, seja pela redução de rupturas ou pelo ganho de competitividade.

Abaixo, confira as tendências tecnológicas mapeadas pela Softtek que seguirão em alta em 2023, bem como as novidades previstas para o setor nos próximos anos.

Big Data

Uma das tecnologias mais utilizadas pelo setor logístico é o Big Data. Isso porque há uma enorme quantidade de dados gerados em toda a cadeia de supply chain, com uma infinidade de fatores que podem influenciar todos os processos da cadeia de suprimentos, desde o planejamento de demanda e suprimentos até o monitoramento da execução.

Para tratar e obter informações e insights de negócios diante deste volume enorme de dados é necessária a aplicação de métodos analíticos de Big Data e Data Mining, que permitem armazenar, transmitir e processar grandes quantidades de dados, que não podem ser processados e analisados por ferramentas tradicionais e tecnologias de banco de dados.

Inteligência Artificial e Machine Learning

A Inteligência Artificial é o campo de desenvolvimento de sistemas computadorizados e robôs capazes de tirar conclusões e tomar decisões que imitam ou vão além das capacidades humanas. Ela está no centro de muitas tecnologias, como robôs e drones autônomos ou sistemas avançados de planejamento e monitoramento de demanda.

Machine Learning é uma subcategoria da inteligência artificial que utiliza algoritmos para aprender automaticamente e reconhecer padrões de dados, aplicando tal aprendizado para tomar decisões cada vez melhores.

Uma boa engenharia de dados, muitas vezes baseadas em Big Data e Analytics, é a base para decisões e conclusões corretas a serem tomadas pela Inteligência Artificial e Machine Learning.

“Podemos considerar Big Data, Inteligência Artificial e Machine Learning o ‘cérebro’ por trás da Logística 4.0 e o que vai permitir um planejamento mais preciso, considerando uma quantidade enorme de fatores de influência, permitindo o monitoramento da realização do plano e orientação quanto a ações corretivas inteligentes que podem levar ao tão falado supply chain autônomo”, explica João.

Internet das Coisas (IoT)

A conectividade com a IoT em Logística 4.0 funciona, principalmente, possibilitando a troca de informações com objetos inteligentes, tais como contêineres inteligentes, pallets, embalagens, veículos, prateleiras, empilhadeiras, infraestrutura, portos, terminais etc.

Um exemplo prático são empresas especializadas nesse tipo de serviço, por meio do qual se conecta um contêiner inteligente dentro de um navio para monitorar o conteúdo dele, a temperatura e a posição geográfica (via GPS). Com tudo isso, é possível antecipar problemas, manter a previsão de chegada atualizada e identificar a necessidade de ação em qualquer momento.

O mesmo vale para o transporte rodoviário e para operações em fábricas e CDs (centros de distribuição), onde é possível escolher operações e pontos estratégicos para adotar dispositivos inteligentes conectados à Internet das Coisas (IoT) e colher informações em tempo real, otimizando ações, caso necessário. Também é possível automatizar tarefas de contagem e verificação feitas por humanos, e por isso mais passíveis de erros.

Alguns dos principais benefícios da adoção desta tecnologia são a visibilidade e a possibilidade de tomada de decisões antecipadas, evitando rupturas.

Inteligência Amplificada (Augmented Intelligence)

Para os próximos anos, pode-se esperar uma maior aderência e aplicabilidade da Inteligência Amplificada (Augmented Intelligence).

Esta tecnologia busca combinar inteligência humana com inteligência artificial para desenvolver sistemas que permitam combinar a experiência, o pensamento estratégico e o senso comum do ser humano com a capacidade de processamento e decisões em situações repetitivas da inteligência artificial.

Cobots ou Collaborative Robots

Os Cobots ou Collaborative Robots são uma classe especial de robôs autônomos, desenvolvidos para trabalhar em colaboração com o ser humano em um mesmo espaço físico.

Considerando, por exemplo, a operação de um armazém, algumas operações, como a armazenagem de caixas ou pallets completos e fechados, podem ser realizadas por robôs autônomos, sem a participação humana. Porém, quando pensamos em armazenar vários itens em um pallet /endereço de armazenagem com itens soltos ou envoltos em embalagens de diferentes tamanhos, formatos e resistência, há um desafio no que se refere ao desenvolvimento de manipuladores com sensores que “substituam” o tato para fazer operações desse tipo com segurança e qualidade. A mesma análise se aplica a operações de separação de pedidos (picking) sortidos, ou seja, em peças ou embalagens múltiplas.

“Nestes casos, o que temos visto são Cobots fazendo os deslocamentos maiores e os humanos, as operações mais delicadas de armazenagem ou picking, sendo poupados de grandes deslocamentos, o que traz grandes ganhos de produtividade”, relata João.

Blockchain

A utilização de Blockchain na logística deve crescer ainda mais nos próximos anos. Isso porque através dele é possível registrar transações, validar documentos e consolidar informações em um mesmo banco de dados acessado por todos os envolvidos.

“O fato é que estamos vivendo uma grande revolução na logística. Quem dominar e aplicar tais tecnologias mais cedo, garantirá grande vantagem competitiva. Lembrando que é preciso realizar cuidadosa análise de retorno em cada projeto de implementação e adequar os custos às realidades do negócio de forma a obter retorno sobre o investimento. Afinal, a tecnologia está aí para ajudar, e não para criar empecilhos. Se implementada de forma consciente, a tecnologia é capaz de transformar toda a cadeia de consumo”, complementa João.

Ainda segundo o executivo, no futuro essas tecnologias serão amplamente utilizadas e trarão benefícios enormes em termos de produtividade, redução de custos, redução de prazos e erros.

“A tendência é uma nova realidade que possibilite o atendimento de pedidos em tempos cada vez mais curtos, com custos sustentáveis. Claro que um futuro mais distante para algumas tecnologias, e mais próximo para outras. Daí a importância da análise de aplicabilidade para o negócio e da montagem de roteiro (roadmap) de adoção”, conclui.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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