Sistema implantado pela Veracel automatiza cadeia logística de celulose

19/07/2022

O transporte da celulose da linha de produção até o terminal marítimo, para onde é levada, requer várias etapas e paradas para conferência de carga e liberações de entrada e saída dos caminhões. Para otimizar essas etapas, a Veracel Celulose acaba de implantar uma ferramenta tecnológica que automatiza a cadeia logística por meio de câmeras com leitura automática das cargas na produção e no embarque. Antes, essas checagens eram feitas de forma manual.

Na prática, isso significa a adoção de um sistema que permite uma leitura automática, a partir de câmeras com reconhecimento de imagens instaladas na produção e no embarque das cargas, que saem da fábrica da empresa em Eunápolis, BA, e chegam ao Terminal Marítimo de Belmonte. A tecnologia RFID, usada para identificar, contar e rastrear os produtos, permite, inclusive, a liberação automática dos caminhões nas portarias, além do direcionamento do veículo dentro do terminal, evitando manobras desnecessárias. E não para por aí. O sistema pode ser utilizado ainda em sua versão mobile, o que eliminou a necessidade dos computadores de bordo nas empilhadeiras e redução de custos para a empresa.

“Essa automatização do processo da logística de celulose está diretamente ligada à estratégia de inovação da Veracel e veio para modernizar completamente nosso trajeto da celulose, trazendo muito mais agilidade e ainda otimizando o tempo das equipes, que agora podem se dedicar a atividades mais complexas, enquanto as operacionais são cobertas pela tecnologia de automação”, destaca Marlon Santos Sousa, coordenador de Logística da Veracel.

O projeto foi criado pela empresa após a realização de benchmarkings com companhias de outros setores, e a solução foi construída junto com o parceiro Conceitto Industrial, especializado em soluções em automação para indústrias.

“A ferramenta foi pensada de forma customizada para as necessidades da Veracel e, além de todos os ganhos de eficiência gerados por sua implementação, a inovação ainda passou a oferecer dashboards completos e atualizados sobre a cadeia logística da operação, sempre à disposição das equipes”, complementa Romulo Roberto Andronhuc, gerente de Tecnologia da Informação da Veracel.

O processo de direcionamento do produto também foi automatizado através de algoritmos inteligentes, eliminando a necessidade do serviço humano para essa função. Além disso as poucas etapas de carregamento e descarregamento que não podem ter a leitura

automatizada pelas câmeras também foram contempladas pelo projeto, e são feitas por coletores de dados móveis, o que gera mais agilidade também nesses momentos de conferência do operador.

Como próximas etapas, as equipes do projeto estimam otimizar cada vez mais o processo para que, no futuro, seja possível um processo 100% automatizado.

Sobre a Veracel Celulose

A Veracel Celulose celebrou 30 anos de atuação em 2021. Com a fábrica em Eunápolis, no Sul da Bahia, a companhia integra operações florestais, industriais e de logística em mais 10 outros municípios da região. Responsável pela produção 1,1 milhão de toneladas de celulose/ano, 100% da madeira de eucalipto utilizada no processo produtivo é certificada ou controlada em conformidade aos princípios e critérios de padrões normativos internacionais FSC e CERFLOR. Com 50% de participação cada, seus acionistas são duas grandes operadoras no setor de celulose e papel em âmbito internacional: a brasileira Suzano e a sueco-finlandesa Stora Enso.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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