Setor naval no Rio de Janeiro espera dias melhores

04/07/2018

Reconhecida no mundo como a cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro amarga uma crise financeira e social que evidenciou o rombo fiscal que o estado sofreu nos últimos anos. A situação – agravada pela retração do setor de óleo e gás – teve como efeito a estagnação de uma série de empresas da cadeia produtiva do setor naval. Entretanto, há sim um esforço pela recuperação que está alinhavando perspectivas positivas no horizonte das empresas fluminenses.

A cidade é o local escolhido para receber o principal evento da América do Sul dedicado aos setores da construção naval, manutenção e operações, a Marintec South America. Neste ano, o evento acontece de 14 a 16 de agosto no Centro de Convenções SulAmérica e tem como objetivo reunir o máximo de fornecedores nacionais e internacionais e colocar os elos da cadeia naval em contato para alinhar os interesses e promover negócios.

“Estamos observando sinais positivos, impulsionados principalmente pelo OPEX (Operation Expenditure – capital utilizado para manter uma empresa) e CAPEX (Capital Expenditure – montante destinado para investimentos) offshore e esperamos que o setor marítimo volte aos trilhos ao longo de 2018 e no início de 2019”, diz o partner and managing director Brazil da M&O Partners, Jan Lomholdt.

A companhia norueguesa M&O Partners tem filial estabelecida no bairro Botafogo, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, e representa diversos fornecedores da indústria marítima e offshore. Para a Marintec South America, o destaque da empresa será a nova parceria com a dinamarquesa DESMI, que oferece mais de 100 tipos de projetos de bombas – centrífugas e de engrenagens, cobrindo todas as aplicações da sala de máquinas e também o DESMI Ro-Clean que fornece uma ampla gama soluções para a limpeza em derramamentos de óleo.

Outra presença confirmada na Marintec 2018 é a Jevin, empresa com matriz no município de Macaé (RJ), é especialista em integração de sistemas de radiocomunicação da Motorola, e seu dirigente integra também o grupo dos otimistas. O diretor comercial da empresa, Guilherme Capistrano Cunha, revela que é um desafio manter-se em um mercado que ficou estagnado por tanto tempo. “Acredito que, nos próximos dois anos, vamos acompanhar uma evolução nos negócios de exploração/produção de petróleo e a consequência será um aumento na demanda de produtos e serviços nesta área que atuamos de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação)”, afirma Cunha.

A filial da multinacional Wilhelmsen, a Wilhelmsen Ships Service do Brasil, está instalada no Rio de Janeiro, com uma ampla oferta de soluções para a área naval e offshore que será apresentada durante a Marintec. “O ano de 2018 ainda deve ser de transição para dias melhores para a indústria mais à frente. Temos a expectativa de crescimento nas vendas de mais produtos do portfólio às empresas presentes no Brasil no mercado naval, assim como no offshore, que vem de um encolhimento nos últimos anos, mas já dá sinais de recuperação”, diz o gerente de vendas América do Sul & Central da Wilhelmsen Ships Service na Divisão Marine Products, Augusto Vieira.

Empregos — A importância da retomada do setor naval no Rio Janeiro, além de ajudar a tirar do vermelho as contas públicas, significa uma recuperação dos níveis de emprego. A pesquisa divulgada Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), na última quinta-feira (21), aponta que a indústria naval teve uma queda de 49% do pessoal ocupado em apenas dois anos. O setor tinha 61,5 mil vagas em 2014 e fechou 2016 com 31,5 mil. Grande parte dessa queda ocorreu no estado do Rio de Janeiro, onde 23 mil vagas foram fechadas, e o contingente de 31 mil trabalhadores caiu para apenas 8 mil.

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