SAG Ambiental inicia operação de reciclagem de pneus com capacidade para processar 21 mil toneladas por ano

Unidade em Araçariguama (SP) recebe pneus inservíveis, transforma os componentes em matérias-primas e utiliza rastreabilidade para documentar o transporte e a destinação dos resíduos

A logística reversa de pneus inservíveis é o foco da operação da SAG Ambiental, empresa instalada em Araçariguama, no interior de São Paulo. A unidade tem capacidade instalada para receber até 43 mil toneladas de pneus por ano e processar 21 mil toneladas anuais nesta primeira fase de implantação. O material é transformado em matérias-primas destinadas a setores como construção civil, pavimentação, indústria automotiva, siderurgia e fabricação de artefatos de borracha.

A operação abrange diferentes etapas, desde a coleta programada em oficinas, transportadoras, indústrias e empresas com frotas próprias até a triagem, trituração e separação dos componentes. A empresa também recebe pneus diretamente em sua unidade, que ocupa uma área de 96 mil metros quadrados, com 8.194 m² de área construída, e gera 55 empregos diretos.

O modelo combina logística reversa, processamento industrial e rastreabilidade para documentar a movimentação dos resíduos e sua destinação. O controle permite acompanhar a origem das cargas, o transporte e a entrada dos pneus na unidade, além de registrar os materiais produzidos ao longo do processo.

Logística reversa começa na coleta dos pneus

Os pneus que chegam ao fim da vida útil precisam ser encaminhados para destinação ambientalmente adequada. Quando descartados irregularmente, podem acumular água, favorecer a proliferação do mosquito transmissor da dengue e aumentar o risco de incêndios, além de provocar impactos ambientais.

Para organizar esse fluxo, a SAG realiza coletas programadas em oficinas, transportadoras, indústrias, órgãos públicos e outros estabelecimentos que geram ou acumulam pneus inservíveis. O material também pode ser entregue diretamente na unidade de Araçariguama.

Após o recebimento, os pneus são registrados e conferidos antes de seguirem para a linha de processamento. A localização da fábrica, próxima à Rodovia Castello Branco e a centros urbanos, industriais e logísticos, facilita o acesso de veículos responsáveis pelo transporte dos resíduos.

A documentação acompanha as etapas da operação. Segundo a empresa, as cargas são registradas com nota fiscal e Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), enquanto os lotes de materiais reciclados permanecem vinculados às informações de origem. Ao final do processo, a SAG emite o Certificado de Destinação Final (CDF), documento que comprova a destinação declarada dos resíduos recebidos.

Borracha e aço retornam à cadeia produtiva

Na unidade, os pneus passam por triagem, destalonamento, trituração, separação de componentes e classificação da borracha conforme a granulometria. O processo resulta em chips, granulados, pó de borracha e aço recuperado.

Os materiais de borracha podem ser utilizados na fabricação de pisos para academias e playgrounds, quadras esportivas, gramados sintéticos, mantas, placas, ladrilhos, solados e outros artefatos. Também podem ser empregados em compostos de borracha e aplicações em pavimentação, conforme as especificações técnicas de cada produto.

O aço recuperado é destinado a siderúrgicas e fundições. Segundo a SAG, as frações que não são transformadas em novas matérias-primas podem ser encaminhadas para aproveitamento energético em fornos de cimento, conforme as condições aplicáveis à destinação.

A separação e a classificação dos materiais são importantes para que a borracha reciclada atenda às exigências dos diferentes mercados. O controle de granulometria, temperatura e umidade, combinado à organização da produção em lotes, permite acompanhar as características dos produtos e sua adequação às aplicações previstas.

Rastreabilidade e exigências ambientais

A destinação de pneus inservíveis está sujeita a regras específicas no Brasil. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelece diretrizes para a gestão de resíduos e a logística reversa. Já a Resolução Conama nº 416/2009 determina obrigações para fabricantes e importadores de pneus novos quanto à coleta e à destinação ambientalmente adequada de pneus inservíveis.

Dados do Ibama citados no material divulgado pela SAG, referentes ao ano-base 2024, indicam uma meta nacional de destinação de aproximadamente 826 mil toneladas. Segundo esses números, 5,08% da meta, equivalentes a cerca de 42 mil toneladas, ficaram sem destinação declarada no período.

A diferença evidencia a importância de ampliar a coleta e o encaminhamento formal desses resíduos. Para as empresas que geram pneus inservíveis, a documentação das etapas de transporte e destinação também é relevante para demonstrar o cumprimento de suas obrigações ambientais.

A SAG informa que sua unidade possui Licença de Operação emitida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), válida até 2032, além de documentação do Corpo de Bombeiros e licenças municipais.

A combinação entre coleta, processamento e controle documental integra o sistema de logística reversa de pneus. Ao recuperar a borracha e o aço para novas aplicações, a operação busca reinserir materiais na cadeia produtiva e reduzir a necessidade de descarte.

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