
Projeção da ABIACOM aponta alta de 24,37% no faturamento e crescimento de 31,2% no número de pedidos, ampliando a demanda por operações de armazenagem e distribuição
O comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 16,6 bilhões durante a semana da Black Friday de 2026, um crescimento de 24,37% em relação aos R$ 13,35 bilhões registrados em 2025. A estimativa é da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), que também projeta aumento no volume de compras e redução no ticket médio.
Segundo a entidade, o número de pedidos deve passar de 16,51 milhões, em 2025, para 21,66 milhões neste ano, uma alta de aproximadamente 31,2%. Se confirmada, a expansão representará um aumento significativo na quantidade de encomendas que precisarão ser processadas, transportadas e entregues durante um dos principais períodos promocionais do varejo.
Para a cadeia logística, a perspectiva de crescimento exige planejamento da capacidade operacional, desde a gestão de estoques e a separação de produtos nos centros de distribuição até o transporte e a entrega ao consumidor final.
Mais pedidos e menor ticket médio na Black Friday
Apesar da expectativa de aumento no faturamento e no número de compras, o ticket médio do comércio eletrônico deve recuar 5,2%, passando de R$ 808,50 em 2025 para R$ 766,50 em 2026.
A projeção sugere que o crescimento das vendas estará mais associado à quantidade de pedidos do que ao valor médio de cada compra. Esse cenário pode exigir das empresas maior capacidade de processamento e distribuição, mesmo que o valor individual das encomendas seja menor.
O presidente da ABIACOM, Fernando Mansano, atribui parte desse comportamento à busca dos consumidores por preços mais competitivos em um cenário econômico marcado por juros elevados.
Segundo ele, a possibilidade de comparar produtos, marcas e preços em diferentes lojas é um dos fatores que favorecem o comércio eletrônico durante a data promocional. A Black Friday também se consolidou como um período de antecipação das compras de fim de ano, incluindo presentes de Natal.
Logística precisa acompanhar o crescimento dos pedidos
A previsão de 21,66 milhões de pedidos coloca a capacidade de atendimento entre os pontos de atenção para varejistas, operadores logísticos e transportadoras.
O aumento do volume de encomendas pode pressionar diferentes etapas da operação, como recebimento de mercadorias, armazenagem, separação e embalagem de pedidos, expedição e distribuição. Na última milha, etapa final da entrega, o planejamento das rotas e a disponibilidade de veículos e motoristas são importantes para atender aos prazos prometidos ao consumidor.
A preparação para a Black Friday também envolve a organização dos estoques e a distribuição antecipada de produtos para aproximá-los dos mercados consumidores. Essas medidas podem ajudar a reduzir gargalos nos centros de distribuição e a necessidade de movimentações emergenciais durante o pico de demanda.
Outro desafio é equilibrar capacidade e custos. Uma operação dimensionada abaixo do volume necessário pode enfrentar atrasos e acúmulo de pedidos, enquanto o excesso de recursos contratados pode elevar as despesas. Por isso, a previsão de demanda e o acompanhamento dos indicadores operacionais são importantes para ajustar a estrutura ao longo da temporada.
Black Friday antecipa as compras de fim de ano
Além de concentrar promoções, a Black Friday se tornou uma oportunidade para consumidores anteciparem aquisições previstas para dezembro. Esse comportamento amplia a importância do planejamento logístico, já que as empresas precisam conciliar a demanda da data promocional com a preparação para o Natal.
A ABIACOM estima que as vendas diretamente associadas à Black Friday movimentem R$ 11,32 bilhões em 2026, ante R$ 9,1 bilhões no ano anterior. O indicador faz parte das projeções da entidade para o período e deve ser considerado separadamente do faturamento total estimado para a semana.
O desempenho efetivo dependerá do comportamento dos consumidores, das ofertas disponíveis e da capacidade das empresas de atender ao volume de compras. Para o setor logístico, o crescimento projetado reforça a necessidade de integrar planejamento de estoque, processamento de pedidos e distribuição para lidar com a concentração sazonal das entregas.








