
Do estoque à última milha, a recomendação é testar a operação em alto volume antes de 27 de novembro e acompanhar indicadores em tempo real durante o pico
A Black Friday tem data marcada no calendário, 27 de novembro, mas para quem cuida da logística ela já começou. Em 2026, o comércio eletrônico brasileiro deve movimentar R$ 259,8 bilhões e processar cerca de 460,87 milhões de pedidos, um crescimento de 15,3% sobre o ano anterior, segundo projeções de mercado. A data é um dos momentos que mais concentram esse volume: na edição de 2025, entre quinta-feira e domingo, as vendas online somaram R$ 10,19 bilhões, alta de 7,8% em relação a 2024, de acordo com a Confi Neotrust.
O consumidor também chega mais preparado. Levantamento da Serasa Experian aponta que 23,5 milhões de brasileiros têm disposição para comprar na Black Friday, e nove em cada dez deles devem fazer isso pela internet. Outros dados de mercado indicam que 42,5% dos consumidores planejam as compras com antecedência e que sete em cada dez aproveitam o período para adiantar os presentes de Natal, o que estende o pico pelo fim de semana, pela Cyber Monday e por todo o mês de dezembro.
Do pedido à porta do cliente
Para as empresas, o desafio vai além de vender mais. Entre a confirmação da compra e a chegada do produto, existe uma cadeia inteira que precisa funcionar no mesmo ritmo: estoque, separação, conferência, faturamento, expedição, transporte e entrega. Quando o volume dispara, gargalos que passam despercebidos no restante do ano ficam expostos.
“Uma pequena divergência no estoque pode virar a venda de um produto que não existe. Um atraso na separação compromete a coleta, e uma coleta perdida afeta toda a cadeia até o cliente final. Na Black Friday, uma etapa impacta a outra, e é por isso que a operação precisa ser enxergada como um todo”, afirma Anderson Benetti, Head de Produto de Logística da Senior Sistemas.
Segundo o executivo, a capacidade real de uma operação é definida pelo seu elo mais restritivo. “Não basta saber quantos pedidos entram por dia. É preciso saber quantos a operação consegue efetivamente processar e entregar dentro do prazo prometido. Vender mais só vira resultado quando a empresa consegue cumprir a promessa feita no checkout.”
Cinco pontos de atenção antes do pico
A partir da experiência com operações de diferentes portes, da indústria ao atacado, especialistas da Senior listam os cuidados que fazem diferença nas próximas semanas:
1. Planejar o estoque com base no histórico, mas não só nele
Os dados das campanhas anteriores (produtos mais vendidos, regiões atendidas, prazos e devoluções) devem ser cruzados com as ações comerciais previstas para 2026 e com a capacidade de reposição dos fornecedores. Também é essencial que o estoque físico esteja alinhado entre e-commerce, marketplaces e lojas, para evitar vender o que não está disponível.
2. Conhecer o limite do armazém
Recebimento, separação, conferência, embalagem, faturamento e expedição precisam ser avaliados em conjunto, junto com espaço físico, equipes, equipamentos, docas e janelas de coleta. Nesse ponto, sistemas de gestão de armazenagem (WMS) com rastreabilidade em tempo real ajudam a identificar onde a operação está perdendo produtividade antes que o atraso chegue ao cliente.
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3. Envolver as transportadoras com antecedência
Volumes previstos, regiões, prazos e horários de coleta devem ser compartilhados com os parceiros logísticos, considerando cobertura, desempenho histórico e capacidade de cada um. Vale ter planos alternativos para o caso de a capacidade contratada não ser suficiente. Com mais cargas e destinos, a roteirização e o controle de fretes e ocorrências, funções típicas de um sistema de gestão de transportes (TMS), ganham peso.
4. Testar a operação antes da data
A Black Friday não deveria ser o primeiro teste em alto volume. Simular cenários próximos do pico, verificar integrações, etiquetas, faturamento e rastreamento e definir respostas para imprevistos, como queda de sistema, ruptura de estoque ou atraso de coleta, reduz a dependência de decisões improvisadas.
5. Não perder o pedido de vista depois que ele sai do armazém
Acompanhar status e ocorrências de entrega em tempo real permite agir enquanto ainda há margem para corrigir a rota. Ferramentas de monitoramento que registram a comprovação do recebimento, com assinatura, foto e geolocalização, aproximam o que acontece na operação daquilo que o consumidor percebe. O mesmo vale para a logística reversa: trocas e devoluções crescem depois da data e precisam de um fluxo definido.
Indicadores em tempo real
Outro ponto destacado é o acompanhamento de indicadores durante a campanha, e não apenas depois dela. Acuracidade de estoque, tempo de processamento do pedido, produtividade de separação, custo de frete por pedido, percentual de entregas no prazo, ocorrências e taxa de devolução funcionam como sinais de alerta. “Se o tempo de processamento começa a subir ou as ocorrências de entrega aumentam, é sinal de que alguma etapa está chegando ao limite. Ter essa informação a tempo é o que permite ajustar a operação enquanto a Black Friday ainda está acontecendo”, finaliza Benetti.






