SETCESP pelo mundo

19/08/2019

É incrível a oportunidade de poder viajar ao exterior a trabalho para conhecer novas perspectivas, ideias, negócios e propostas para um Brasil melhor.

Este ano, escolhemos como destino para nossa Viagem Técnica a agradável cidade de Montreal, em Quebec, no Canadá. O primeiro dia de programação, 03 de junho, também data do meu aniversário – aliás, aniversario bom é assim, trabalhando e produzindo – nós visitamos a CFTR (Center de Formation du Transport Routier de Saint-Jérôme).

O local é um gigantesco centro de capacitação de motoristas, uma empresa privada, financiada, em sua maior parte, pelo governo canadense. O curso dura cerca de 5 meses e o aluno passa pelo aprendizado de vários temas, como, por exemplo: documentações fiscais, roteirização, tecnologias embarcadas, centenas de possibilidades de amarrações de carga, manobras em diferentes equipamentos, direção defensiva, direção econômica, treinamentos em simuladores, entre outros. As transportadoras, em sua esmagadora maioria, só contratam se o candidato tiver o certificado do CFTRC.

Na sequência, visitamos a transportadora Robert (Transport Robert-Groupe Inc). Fundada em 1946, a companhia está hoje sob gestão da terceira geração da família Robert. Fomos recebidos, naquela ocasião, pelo CEO, Michael Robert. Além de visitarmos toda a operação da transportadora, aprendemos que ali, no Canadá, também existe roubo de carga, mas é claro que não chega nem próximo ao caótico patamar que o Brasil enfrenta. Outro ponto que percebemos é um enorme desafio com a falta de mão de obra no país, notadamente de motoristas.

No dia seguinte, participamos da abertura da Movin’on, maior feira-congresso de mobilidade de cargas do mundo. O evento é organizado pela C2, empresa proprietária do Cirque du Soleil. O espetáculo foi incrível, o cenário muito futurista, existia um palco central no qual o CEO global da Michellin, Florent Menegaux, principal patrocinador do evento, e a prefeita de Montreal, Valérie Plante, realizaram a abertura. A cada momento surgia uma surpresa dos artistas do Cirque du Soleil… um homem pendurado, artistas sobre cordas bambas fazendo movimentos lúdicos em todos os cantos e muita alegria e tecnologia. Para se ter uma ideia, até os crachás do evento se ‘conversavam’ trocando dados entre as pessoas.

Após a abertura, visitamos os stands de fornecedores, principalmente de tecnologia, e participei de um grande workshop sobre o futuro da industrial de Parcel and Post (Encomendas e Correspondências) liderado pelo diretor global da Accenture, uma das maiores empresas de consultoria de tecnologia do mundo.

O debate foi empolgante, falamos muito da enorme expansão do mercado eletrônico (e-commerce) no mundo. Neste painel, foi apresentada uma tecnologia que a General Motors está desenvolvendo nos Estados Unidos para que o porta-malas de seus veículos seja aberto e permita que o entregador deixe a encomenda no carro, tudo isso controlado por um aplicativo.

Obviamente que não escapou a grande discussão sobre veículos autônomos. Uma colocação que me marcou bastante foi a criação dos autônomos com lockers, como se fossem pequenos armários. Imagine o veículo parando na frente da sua casa, você recebe uma mensagem pelo smartphone e quando se aproxima dele, uma portinha abre com a sua encomenda dentro. Fantástico, não é?

Tivemos também a oportunidade de conhecer o caminhão elétrico e autônomo da fabricante sueca Einride, o T-Pod, que não tem cabine própria porque é controlado remotamente por um operador que consegue controlar vários veículos simultaneamente. Cada veículo tem a capacidade de percorrer 200 km a uma velocidade de 90 km/h com 16 toneladas de carga.

Dando sequência à programação, visitamos a transportadora de cargas indivisíveis Express Mondor, e este foi um dos pontos altos da viagem. Fomos recebidos por Eric Mondor, CEO da companhia. A Express Mondor opera com vários caminhões extra-pesados movidos a gás comprimido, já que o governo do Canadá incentiva as empresas que operam com caminhões movidos a energias sustentáveis e a Mondor recebeu subsídios financeiros para implementar esta tecnologia.

Nesta visita falamos também sobre carga tributária, pois, no Canadá, os impostos são direcionados para o consumo, incentivando a produção. A empresa que tem prejuízo não paga imposto e o imposto é apenas sobre o lucro.

Na parte da tarde, voltamos para a Movin’on, pois tivemos um encontro com o Embaixador do Brasil no Canadá, Rubens Gama Dias Filho, já que tivemos todo o apoio da embaixada durante o planejamento do programa da viagem.

No quarto dia, quinta-feira, 06 de junho, iniciamos a programação visitando a MTL INTL Montreal International, um centro arquitetonicamente muito moderno que congrega, em um só espaço, universidades de tecnologia, startups e escritórios de grandes empresas. Naquele momento visitamos uma carreta adaptada para ser showroom da Ciena Corporation, provedora de comunicação de dados multinacional, com escritório em São Paulo.

À tarde visitamos a empresa de operações portuárias Ray-Mont, momento no qual conseguimos acompanhar in loco uma inovação desenvolvida pela companhia para melhorar a estocagem de sacas de grãos em contêineres: um tombador que vira o contêiner com as portas abertas para cima. Desta forma, é possível colocar e acomodar mais sacas dentro do container e ocupar praticamente 100% do seu espaço útil.

Na manhã do último dia, sexta-feira, visitamos a central de controle do Ministério de Transportes de Quebec, Transport Quèbec, autoridade responsável por toda a infraestrutura do estado, e a sala de controle que monitora, com mais de 300 câmeras, em tempo real, todo o município de Montreal. Nesta visita fomos recebidos, também, pela Associação das Empresas de Transporte de Quebec, a Association du Camionnage du Quèbec.

Este Associação, que tem 68 anos de existência e mais de 500 associados, nos apresentou um completo panorama do setor de transporte rodoviário de cargas canadense, que é responsável por 54% do escoamento da produção nacional. Existem no Canadá 33 mil registros de transportadores, entre empresas e autônomos, sendo que as empresas representam 24%.

Foi realmente fantástico visitar o Canadá e ter a oportunidade de conhecer novas realidades, novas pessoas e, acima de tudo, ter a oportunidade de voltar para o Brasil motivado a fazer coisas diferentes e implementar melhorias no nosso setor.

 

Mais informações estão disponíveis no site www.setcesp.org.br, ou pelo telefone 11 2632.1082, com Silmara Balhes.

 

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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