O avanço do e-commerce brasileiro e a crescente pressão por eficiência na logística de última milha vêm impulsionando o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas ao mercado de seguros para delivery. Nesse cenário, a 88i Seguradora Digital aposta em inteligência artificial, integração via API e modelos de seguro embarcado para ampliar eficiência operacional e reduzir custos no varejo.
Segundo projeções da Statista Market Forecast citadas pela empresa, o mercado de delivery deve crescer de US$ 21 bilhões para US$ 29,5 bilhões até 2030. Além disso, o número de usuários deve avançar de 63 milhões para 90,5 milhões nos próximos anos.
Com o aumento da complexidade operacional da logística urbana, especialmente na última etapa da entrega, empresas de seguro digital passaram a atuar de forma mais integrada às plataformas de marketplace e delivery. De acordo com a 88i, as soluções voltadas ao setor já representam cerca de 70% dos negócios da companhia.
Atualmente, a empresa atende clientes como Posta Já, Voa Delivery e Vai Delivery, operando com foco em seguros embarcados (embedded insurance), modelo no qual a proteção é integrada diretamente à jornada logística.
Para Rodrigo Ventura, CEO da 88i, o seguro deixou de ser apenas uma obrigação operacional para assumir papel estratégico na gestão logística. “No delivery, o seguro deixou de ser um rito burocrático para se tornar uma ferramenta de rentabilização. Através do modelo embarcado, transformamos o que era uma despesa fixa em um vetor de eficiência operacional e uma nova frente de geração de receita incremental”, destaca.

Modelo “on-off” e IA ampliam eficiência no delivery
A empresa utiliza um sistema chamado “on-off”, integrado via API, que ativa e desativa automaticamente a cobertura conforme o trânsito da mercadoria. Na prática, o seguro permanece ativo apenas durante o período efetivo da entrega.
Segundo a companhia, o modelo reduz desperdícios, melhora o controle operacional e permite maior aderência ao fluxo das operações de delivery.
Além disso, a 88i afirma investir fortemente em inteligência artificial para análise de sinistros e monitoramento das operações. Atualmente, mais de 50% da documentação relacionada a sinistros já é processada automaticamente por modelos de IA.
A integração em tempo real com sistemas de gestão de transportes (TMS) e ferramentas de telemetria também permite cruzamento de dados operacionais, contribuindo para redução de fraudes e aumento da precisão das análises.
Outro ponto destacado pela empresa é o impacto do seguro na retenção de entregadores. Em um mercado marcado pela alta rotatividade e pela disputa por mão de obra, benefícios ligados à proteção social passaram a ser utilizados como diferencial competitivo pelas plataformas.
Segundo dados mencionados pela companhia, o engajamento dos entregadores pode crescer cerca de 15% quando a plataforma oferece seguro de vida e renda.
“O profissional protegido prioriza a empresa que lhe oferece segurança, o que resulta em maior produtividade e menor rotatividade para a plataforma”, afirma Rodrigo Ventura.
Para o executivo, o seguro vem assumindo uma função mais ampla dentro da logística digital. “O seguro contemporâneo não é um contrato estático, mas um código integrado ao sistema de gestão, capaz de proteger simultaneamente a carga, o veículo, o motorista e o consumidor final. Em um cenário onde a agilidade é a moeda de troca, ignorar o potencial do seguro como ferramenta de inteligência de negócios é um erro estratégico que o varejo moderno não pode mais cometer”, conclui.








