Scan Global Logistics conclui aquisição da Blu Logistics Brasil após aprovação pelo CADE

03/09/2024

Após a aprovação do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Scan Global Logistics (SGL) concluiu a aquisição da Blu Logistics Brasil. Com sede em São Paulo, empregando mais de 200 pessoas em oito escritórios, a Blu Brasil gerou uma receita anual de R$ 570 milhões em 2023. Um dos principais agentes de carga do Brasil, a Blu Brasil é a segunda maior empresa do setor no total de importações marítimas. Oferece serviços completos de frete aéreo e marítimo, incluindo desembaraço aduaneiro, transporte rodoviário e cabotagem.

A aquisição da Blu Brasil é um expressivo investimento na história da SGL, que terá uma plataforma operacional robusta, permitindo ao fornecedor global de logística expandir sua presença regional e oferecer serviços mais amplos aos clientes em todo o mundo.

Ragnar Dalen, VP Executivo de Desenvolvimento Corporativo, Gabriel Carvalho, CEO da Blu Brasil, e Clara Nygaard Holst, CFO Global da SGL

Allan Melgaard, CEO Global da SGL, explica como a aquisição da Blu Brasil se encaixa na estratégia de crescimento da empresa na América Latina: “Aumentar nossa presença na América Latina tem sido uma prioridade para nós há algum tempo e estamos entusiasmados em somar o Brasil à nossa crescente presença por meio da aquisição da Blu Brasil. A plataforma operacional da empresa ajudará a preparar o caminho para a SGL estabelecer uma presença estratégica no Brasil e expandir nosso alcance global, beneficiando nossos importantes clientes. É fundamental ressaltar que a Blu Brasil traz uma experiência abrangente no setor e uma visão do mercado local, proporcionando à companhia uma rede mais forte na América Latina. Estamos muito confiantes de que trazer a Blu Brasil a bordo apoiará a expansão dos nossos negócios e fortalecerá nossas ofertas para clientes novos e atuais”.

Gabriel Carvalho, CEO da Blu Logistics Brasil, acrescenta: “Na SGL, encontramos um parceiro compatível com a nossa abordagem centrada no cliente e orientada para soluções, o que irá beneficiar muito os nossos clientes. Seguiremos oferecendo o serviço personalizado a que os clientes estão habituados e, simultaneamente, vamos aumentar o nosso foco na expansão da nossa posição de mercado no Brasil e no crescimento de rotas comerciais adicionais, particularmente da Europa e da América do Norte”.

Reforço dos atuais e novos mercados latino-americanos

Nos últimos anos, a SGL expandiu rapidamente a sua presença na região por meio de uma combinação de entradas em novos mercados, expansões e aquisições. Com operações hoje na Argentina, Colômbia, Chile, Peru e México, a entrada no Brasil fortalece a sua presença em uma das regiões emergentes do mundo, com expressivo potencial econômico e de desenvolvimento significativo, além de uma posição geográfica única em relação às Américas, Ásia-Pacífico e Europa.

Segundo Jörn Schmersahl, CEO da SGL para a América Latina, a empresa está investindo na construção de uma região e de uma presença forte na América Latina. “Além de um comércio intrarregional significativo, a América Latina oferece grandes oportunidades de crescimento com a América do Norte, devido aos acordos de comércio livre existentes. Também tem ligações fortes e crescentes com a Ásia e a Europa. Ao expandir a nossa rede regional e a nossa expertise, oferecemos melhores oportunidades aos nossos clientes com soluções de transporte abrangentes que se adaptam as suas necessidades – dentro e fora da região.”

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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