Santos Brasil cria corredor logístico para produtor de fertilizantes

03/11/2020

Em um país como o Brasil, onde o agronegócio é o motor do crescimento e responde por cerca de 24% do PIB, o desenvolvimento de soluções inteligentes que integrem processos logísticos, reduzindo custos e gargalos, traz benefícios não apenas para as empresas envolvidas, mas para o país como um todo, que ganha ainda mais competitividade para o setor.

Atenta ao seu papel neste contexto e às possibilidades de melhoria contínua na cadeia de produção de seus clientes, a Santos Brasil, referência em operações logísticas e portuárias, desenvolveu para a AgroCP – uma das mais importantes fabricantes de fertilizantes do país – uma solução que otimiza a produção e distribuição dos produtos da empresa por meio da criação de um novo corredor logístico, que eliminou uma etapa na distribuição, reduzindo custos e agregando agilidade.

Para viabilizar o novo desenho logístico, a Santos Brasil ampliou o leque de serviços até então oferecidos para a AgroCP. Além de atuar no recebimento de cargas por meio do Tecon Santos e na desova destes nos seus Clias (terminais alfandegados), abriu uma filial da AgroCP no seu centro logístico alfandegado. Agora, os produtos da AgroCP saem direto da Santos Brasil para os clientes da indústria de fertilizantes.

Segundo Wagner Toffoli, Diretor Comercial de Operações Logísticas da Santos Brasil, as nossas soluções e a “simbiose” entre a Companhia e a AgroCP têm contribuído para que o cliente consiga alcançar índices de crescimento no mercado da ordem de 40% ao ano. De acordo com ele, a solução só foi possível devido à integração dos sistemas e ativos da Santos Brasil, que atua no modelo one stop shopping. “Centralizamos todos os serviços da cadeia logística em uma interface única, com alto nível de qualidade e cuidamos da carga do nosso cliente do porto até o destino final”, diz.

“Iniciamos nossa fábrica de fertilizantes organominerais no ano de 2013 e graças ao empenho de todos os colaboradores e parceiros obtivemos êxito já nos primeiros anos. No ano de 2016 nos vimos obrigados a iniciar importações de nossas matérias primas para aumentar ainda mais nossa qualidade e competitividade. Naquele ano testamos as opções logísticas/portuárias disponíveis e a Santos Brasil foi a única empresa capaz de superar nossas expectativas construindo soluções até então inesperadas por nós. Hoje, em apenas quatro anos de início desta parceria, já nos tornamos um dos principais importadores do Brasil de carga em contêineres”, afirma o CEO da AgroCP, Marcos Lucas.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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