Saiba tudo sobre a logística da TecBan, responsável por mais de 24 mil unidades do Banco24Horas

22/08/2023

Você já chegou a se perguntar como é a logística dos caixas eletrônicos (ATMs)? Pois bem, a Logweb foi de perto conhecer como funcionam as operações da TecBan, especializada em gestão de redes de autoatendimento bancário, responsável por mais de 24 mil unidades do Banco24Horas espalhadas pelo Brasil.

E empresa é a maior rede independente de autoatendimento do mundo em volume de saques e a 4ª maior em número de caixas eletrônicos. Em 2022, registrou receita bruta consolidada de R$ 4 bilhões, uma alta de 5,4% na comparação com 2021. Seu lucro líquido consolidado foi de R$ 46 milhões, e os investimentos chegaram a R$ 420 milhões.

A visita aconteceu no Centro de Distribuição em Cotia, SP, que possui capacidade de armazenagem de 12.400 posições-paletes, cinco docas e realiza mais de 1.200 movimentações entre ATMs e acessórios (recebimento ou expedições) diárias, totalizando aproximadamente 25.000 movimentações por mês.

No CD, são utilizadas quatro empilhadeiras elétricas retráteis, uma empilhadeira elétrica patolada e seis transpaleteiras elétricas. A TecBan conta com mais de 400 caminhões das frotas próprias de suas transportadoras, além de parceiros, fornecedores e clientes, que eventualmente podem realizar entregas no local.

Na área de armazenagem e gerenciamento de estoques, a parceira logística é a Pontocom Services, que subloca seu espaço físico para a TecBan e é responsável pelas operações. Já o parceiro de transporte é a Aerosoft.

Serviços integrados

O foco foi a apresentação da empresa de Serviços Integrados TecBan, que oferece mais de 15 soluções para garantir a eficiência da operação de diversos negócios. Além de ser responsável pela revitalização de equipamentos, como caixas eletrônicos, field service, como operação e manutenção técnica de equipamentos de autoatendimento, e desenvolvimento de dispositivos de segurança física para ATMs, a companhia também atende projetos de logística (armazenamento, transporte e instalação de caixas eletrônicos), de engenharia e obras de construção civil para instituições financeiras, varejo e outros segmentos.

No último ano, atingiu grandes números no atendimento às instituições financeiras, como a revitalização de 1.748 máquinas, descarte sustentável de 4.778 equipamentos, pintura em campo de 3.444 caixas eletrônicos, armazenagem mensal de mais de 4 mil paletes em seu centro logístico, manutenção de 753 terminais de autoatendimento bancário e movimentação de 7.400 máquinas, além de executar mais de 20 projetos de obra civil. No total foram mais de 8 mil movimentações/instalações realizadas em 2022.

Com novos contratos assinados, a Serviços Integrados TecBan faturou, no ano passado, 40% a mais em relação ao ano anterior – valor acima da meta estimada pela companhia. Para 2023, a meta é obter um crescimento no faturamento acima de 10%.

Atualmente, instituições financeiras, como Bradesco, Itaú, Sicoob, Santander, Banco Original, são atendidas pela empresa, que ao longo dos últimos meses conquistou também clientes do segmento de franquias, transportes e saúde.

As soluções oferecidas são customizadas conforme a necessidade dos clientes. São mais de 40 laboratórios (entre os de reparos de peças, revitalização de equipamentos e para projetos específicos), 20 centros de distribuição, 28 unidades operacionais e 17 pontos de logística avançados (PLAs) espalhados pelo Brasil.

Logística de ATMs e peças

A TecBan revitaliza mais de 3.500 ATMs e faz mais de 19 mil fretes por ano, o que significa em torno de 10 milhões de quilômetros, que seriam 252 voltas ao mundo.

Leonardo S. Mariatti, gerente executivo de manutenção ATM, explicou que a vida útil de um caixa eletrônico é de cinco anos, pois ele acaba sendo depreciado e descartado. “No entanto, conseguimos prolongá-la em mais de 20 anos, reduzindo a quantidade de descarte e colaborando para a sustentabilidade do planeta”, disse.

Quando um ATM precisa ser removido de um ponto, a TecBan aciona a equipe de transporte, que desinstala o equipamento do local e o leva para o CD mais próximo. “Lá ele vai ser rejuvenescido por completo, desmontado, higienizado, pintado e atualizado tecnologicamente. Deixamos o equipamento novo para voltar a operar”, detalhou.

No caso de algum problema de funcionamento, o caixa eletrônico não sai do local em que está instalado. Apenas as peças são retiradas. “O caixa não tem mobilidade, só é movimentando em caso de vandalismo, quando o estabelecimento fechou ou se o ponto não está sendo rentável”, explicou. Cada ATM pesa cerca de 1,5 tonelada.

No caso de uma máquina com defeito, o técnico solicita uma peça e é atendido pelo PLA mais próximo. O depósito central, localizado em Cotia, supre os estoques regionais de todos os PLAs espalhados pelo Brasil. São mais de 2.000 SKUs diferentes e mais de 200 mil peças armazenadas no Brasil inteiro.

Os diversos PLAs emitem por dia várias notas referentes à retirada de peças com defeito, que não puderam ser reparadas no local. O sistema monitora todo o processo, para garantir o suprimento de peças e o funcionamento de todas as máquinas. Resumindo, ao longo do dia, os PLAs vão gerando as solicitações, os colaboradores vão separando as peças e formando os lotes de embarque, que se encerra às 18h.

Então, a Aerosoft encosta o caminhão na doca, abastece com todas as peças e envia para o seu centro de despacho. De lá, ela direciona as peças para o destino. No outro dia, chegam neste centro de despacho as peças danificadas que vieram dos PLAs, que são colocadas no caminhão e entregues na unidade de Cotia da TecBan. “Tentamos consertar essas peças no laboratório e as devolvemos consertadas para o depósito central”, disse Mariatti.

Vale lembrar que pelo modelo de negócio, os ATMs não são locados, a não ser que sejam instalados em shoppings e aeroportos, que exigem um valor de locação. A TecBan pode instalar um equipamento em um local simplesmente porque é atrativo para o estabelecimento. “É uma relação ganha-ganha, nós ganhamos por transação e o estabelecimento pelo público gerado.”

Além disso, a TecBan não fabrica peças. “Mas desenvolvemos tecnologias complementares movidas pela necessidade do Brasil, como itens de segurança, que acabam sendo replicadas em outros países”, explicou Cassio Leandro Pieretti, gerente executivo da engenharia de projetos e P&D.

Tecnologia

Em termos de tecnologia, o CD utiliza o sistema WMS integrado ao ERP (SAP) com transmissão de dados via EDI – Electronic Data Interchange, ou seja, integração dos dados do sistema de gestão ERP com bancos de dados de outros softwares de forma automatizada. Com este sistema, a empresa tem acesso real time às movimentações de estoque e disponibilidade dos produtos.

Além disso, o sistema oferece módulo cíclico de inventário com disponibilidade de contagem por movimentação, valor ou endereçamento. Nos processos de recebimento, separação, expedição e armazenagem são utilizados coletores de dados integrados ao WMS, que garantem a confiabilidade e acuracidade do estoque.

Sustentabilidade

O CD de Cotia é a principal sede de revitalização de caixas eletrônicos da empresa, onde cada máquina revitalizada evita o descarte de cerca de 1,5 tonelada de resíduos, bem como evita a emissão de CO² provenientes da fabricação de um novo caixa eletrônico.

Este serviço já é amplamente utilizado em sua rede própria (Banco 24Horas) e em grandes instituições financeiras do país. Além disso, cada caixa eletrônico que não é passível de revitalização devido a vandalismo, obsolescência ou por qualquer outro motivo, é desmontado com o objetivo de reaproveitar todas as peças que ainda possam ser utilizadas na operação.

“Desta forma, é enviado para nossos parceiros de descarte sustentável o cofre praticamente vazio, do qual temos um índice superior a 97% de reciclagem ou reaproveitamento dos resíduos”, salientou Mariatti.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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