Rota da fortuna: como os investimentos em tecnologia estão fazendo o setor logístico valer R$ 15 trilhões, em 2023

30/06/2023

O mercado logístico terá o valor de R$ 15,5 trilhões em 2023, de acordo com a pesquisa realizada pela Transparency Market Research. A projeção também aponta para uma movimentação de 92 bilhões de toneladas de mercadorias.

Os dados refletem as constantes injeções de capital no segmento, feitas pelas grandes empresas de logística e e-commerce. Os investimentos se intensificaram com o aumento das vendas online dos últimos anos.

“Grande parte dos recursos têm sido destinados aos centros de armazenagem e distribuição – conhecidos como hubs –, contratação de mão de obra, contratação de parceiros logísticos, além do forte investimento nas principais tecnologias de mercado”, explica Fernando Sartori, fundador e CEO da Uello, empresa especializada em logística urbana.

O Brasil também tem apostado muito na tecnologia para logística. Um dos principais investidores locais é a Uello, que realiza constantes contribuições para o desenvolvimento de tecnologias do setor, avaliando as principais tendências para garantir os melhores resultados e oferecer qualidade superior de entregas para seus clientes, parceiros e consumidores.

A principal plataforma da empresa é SaaS (sigla para Software as a Service), feito para atender demandas do mercado de forma flexível e personalizada, de acordo com o que cada parceiro precisa.

“Por meio de uma plataforma SaaS, permitimos que marcas e empresas estabeleçam a própria maneira de organizar a logística de entregas, de acordo com suas demandas de mercado. Nossa tecnologia disponibiliza programas de alta flexibilidade, que através do armazenamento em nuvem, podem ser acessados por computadores ou dispositivos móveis definidos pela empresa ou player varejista”, explica Sartori.

A plataforma da Uello é exclusiva no mercado, construída a partir de sistemas de gestão de entregas utilizados para estruturar a operação de crowdshipping – quando as entregas são feitas por pessoas comuns, com seus próprios veículos, com oferta e demanda combinados via app.

A preocupação com o serviço do mercado como um todo influenciou diretamente no crescimento de 100% da empresa no primeiro semestre de 2022 e na expansão de suas operações ao longo do ano. A Uello passou a atuar nos estados do Paraná, Santa Catarina, Goiás e no Distrito Federal, além de prestar serviços em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Atualmente, a Uello realiza mais de sete mil entregas por dia, para mais de 150 clientes, entre eles MMartan, Petz, Dengo e Mobly.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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