Projetos ESG ganham destaque no transporte rodoviário de cargas – Prêmio de Sustentabilidade do SETCESP aponta finalistas

20/10/2023

Ao longo dos últimos anos, o termo ESG tem ganhado força no ambiente empresarial. O que antes parecia um diferencial, se tornou relevante para as empresas que adotam projetos que se enquadram nesse novo cenário.

No Brasil, a adoção de uma agenda ESG é cada vez mais discutida e aplicada. Dados de um estudo realizado pela KPMG indicam que 76% das empresas brasileiras, desde privadas de todos os setores, até órgãos públicos, bancos e gestores de investimento, adicionaram práticas ESG em suas estratégias de negócio.

No transporte rodoviário de cargas, setor que representou 5,1% do Produto Interno Bruto do Brasil no primeiro trimestre de 2023 e responsável por movimentar mais de 65% de tudo que é produzido no país, os projetos ESG têm crescido ano após ano. De acordo com as inscrições para o Prêmio de Sustentabilidade do SETCESP – Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região, o número de projetos e iniciativas em sustentabilidade e ESG mais que dobrou nos últimos dois anos, passando de 33 projetos, em 2021, para 69 projetos em 2023. Além disso, as inscrições bateram recordes de empresas participantes, passando de 25 organizações em 2022, para 38 neste ano.

O Prêmio de Sustentabilidade foi lançado em 2015 com o objetivo de reconhecer e destacar as empresas de transporte associadas à entidade que estão criando projetos de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e através deles, reduzem os impactos ambientais, geram desenvolvimento social e econômico e que prezam pela segurança viária e do trabalho de seus colaboradores.

De acordo com Adriano Depentor, presidente do conselho superior e administrativo do SETCESP, “o Prêmio de Sustentabilidade da entidade é uma grande oportunidade para destacarmos que o transporte rodoviário de cargas também está evoluindo quando o assunto envolve as práticas ESG. Estamos batendo recordes de empresas inscritas. Em 2023, as instituições inscritas representam 34.872 veículos na frota e 68.740 colaboradores. Então, podemos dizer que sim, o TRC tem acompanhado as tendências do mundo corporativo”.

Para as transportadoras a participação no Prêmio de Sustentabilidade é uma jornada que inicia em abril com a abertura das inscrições. Os projetos são avaliados por uma banca de jurados especialistas em sustentabilidade e transportes, que elegem os finalistas nas quatro categorias: Governança, Responsabilidade Ambiental, Responsabilidade Social e Responsabilidade na Segurança Viária ou do Trabalho.

Finalistas 9º Prêmio de Sustentabilidade – SETCESP
 

Governança
 

Log10 Express – Com o projeto “Governança na logística” que, através da criação de um comitê ESG, trouxe uma nova mentalidade para a empresa seguir processos alinhados com o objetivo de cumprir a agenda 2030 e as ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, além de atender as expectativas dos clientes e fornecedores, gerenciar riscos, buscar eficiência operacional e redução de custos e obter uma vantagem competitiva. Através do projeto, foram implementadas reuniões de planejamento com a diretoria e gestores para definição de metas, monitoramento próximo do que foi definido nos encontros e houve a criação do mural eletrônico, com todos os colaboradores da empresa, para que a equipe estivesse engajada nas ações. Ao todo, a Log10 Express investiu R$ 251.000,00 no projeto e dentre outros resultados, aprimorou em 47% a produtividade da equipe. Atualmente, 100% dos colaboradores se identificam com a missão, visão e valores da empresa.

Pizzattolog – Com o projeto “Pizzattolog ESG”, que estruturou um Comitê para avaliar impactos, melhorias e investimentos para controlar, divulgar, estabelecer metas e fornecer indicadores sobre o todo o processo de construção ambiental linkados com a agenda de 2030 da ONU. Através do projeto, a empresa implementou ferramentas de monitoramento de ESG, políticas de conduta e ética, realizou mais de 1.000 horas de treinamento, reduziu 100% os acidentes e aumentou em 40% a produtividade da equipe. Além disso, conquistou as certificações Sistema B, SASSMAQ, Selo Verde e Troféu Chico Mendes, diversidade e inclusão. Desde 2018, a organização investiu 5 milhões de reais em projetos com viés sustentável, social e de governança.
 

Responsabilidade Ambiental
 

JNR Transportes e Logística – Com o projeto “Logística sem bitucas”, que criou um mindset de consciência coletiva para destinação correta de bitucas nas unidades da JNR com o objetivo de diminuir os impactos ambientais e conscientizar os profissionais de que fumar é prejudicial à saúde. Através de uma parceria com a Poiato Recicla, primeira usina de reciclagem de bitucas no Brasil, realiza o descarte correto das bitucas que são transformadas em massa de celulose, agregando um processo de logística inovadora com a coleta das bitucas descartadas nas empresas parceiras com a Usina, além de auxiliar com projetos sociais. Com o “Logística sem bitucas”, a organização reduziu em 36 mil bitucas descartadas por ano, que equivalem 14,40kg de bitucas no meio ambiente.
 

Trans Kothe Transportes Rodoviários – Com o projeto de “Redução da Emissão de Carbono em Rota de Longa Distância”, que implantou placas solares nas unidades da empresa e embarcada em suas carretas, que entrega energia permanente por longos percursos do território brasileiro, reduzindo, assim, o impacto de suas emissões ao meio ambiente. Através do projeto, a empresa reduziu em 1.521 toneladas de CO2 emitidos na atmosfera e 141.120 litros de combustível que diminuíram o impacto de suas emissões ao meio ambiente. Ao todo, a organização economizou 19.326,75 KW de energia nas unidades prediais, que equivalem a R$ 708.000,00.
 

Responsabilidade na Segurança Viária ou do Trabalho
 

Braspress Transportes Urgentes – Com o projeto “CAMB” Basil de Barros – Centro de Apoio ao Motorista Braspress”, que aprimorou o cuidado com a saúde e o bem-estar dos motoristas. Através dessa iniciativa, foram criados pontos de apoio a cada 600 km, com estrutura de alojamentos e ambulatórios para descanso e cuidados com a saúde. Além disso, a cada viagem, todos os motoristas passam por uma triagem de saúde, bateria de exames e testes. Atualmente, a empresa possui 10 centros de atendimento ao motorista Braspress em todo o Brasil, fazendo com que a cada 600 km, haja uma troca de motoristas, e esses profissionais estejam em casa dia sim e dia não. Com essas práticas, a organização aumentou em 38% sua produtividade e reduziu em 26,49% os eventos de segurança.
 

Rodonaves Transportes e Encomendas – C om o projeto “Caminho Seguro”, que tem o objetivo de reduzir as ocorrências de acidentes e doenças ocupacionais, proporcionar um ambiente de trabalho seguro, melhorar a qualidade de vida, implementar ações para valorização dos motoristas profissionais, reduzir acidentes e doenças ocupacionais. O Programa contempla ações de gestão da área de descanso e alojamentos, áreas de lazer e cuidados com a saúde, monitoramento das viagens, gestão das manutenções preventivas, bateria de exames e testes de etilômetro antes de cada viagem. Ao todo, foram realizadas 2500 horas de treinamento para a conscientização, ações de incentivo e reconhecimento, que resultaram na redução de 25,9% dos acidentes.


Responsabilidade Social
 

Sada Transportes e Armazenagens – Com o projeto “Voluntariado Corporativo”, que tem o objetivo de fomentar e gerenciar atividades sociais voluntárias, que envolvem a participação de colaboradores e terceiros, idealizando ações para que doem tempo da sua jornada de trabalho e talento em prol do desenvolvimento das comunidades onde as empresas do Grupo SADA estão inseridas. O programa conta com 2.465 Embaixadores do Bem, que são colaboradores voluntários, apoiadores da área social e responsáveis por encabeçar as ações diversas, mobilizando voluntários, identificando as necessidades locais, divulgando, captando e executando as ações nas regiões e comunidades em torno da empresa. Ao todo, a iniciativa impactou 32.791 pessoas direta e indiretamente e beneficiou 75 entidades.
 

Transportes Cavalinho – Com o projeto “Mini Truck”, uma réplica quase perfeita de um caminhão que funciona como uma iniciativa social e educativa, e convida crianças de até 12 anos a aprender, refletir e multiplicar ações de segurança no trânsito, por meio de uma sensibilização que utiliza linguagem adaptada à compreensão infantil, e ao mesmo tempo os leva a posicionar-se como agentes importantes para a transformação social. Além de toda imprescindível mensagem de segurança e boas práticas que passa, o projeto objetiva estreitar os laços das crianças com o transporte rodoviário de cargas, as levando a compreender a importância dos caminhões e seus motoristas para o desenvolvimento do nosso país. Ao todo, a iniciativa impactou 2080 pessoas, atendeu 520 crianças diretamente e possui 96 voluntários.
  Os vencedores do Prêmio serão conhecidos no dia 26 de outubro, na sede do SETCESP, no Palácio do Transporte, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal do youtube da entidade. Para obter mais informações sobre o 9º Prêmio de Sustentabilidade do SETCESP e dos projetos finalistas, acesse o link.
O 9º Prêmio de Sustentabilidade é uma realização do SETCESP e conta com os seguintes parceiros: Caeptox, Mercedes-Benz do Brasil, Consórcio Maggi, De Nigris, FETCESP – Despoluir, IBTS – Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável, Sicredi, Volvo Autosueco, Volkswagen Caminhões e Ônibus – Apoio: ChildHood, Programa Na Mão Certa, NTC&Logística, PLVB – Programa de Logística Verde Brasil, Raízen.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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