Projeções do Grupo ESALQ-LOG indicam os benefícios da armazenagem para o ano de 2018

25/06/2018

Diferente do observado no ano passado, 2018 tem sido um bom ano para a obtenção de ganhos econômicos com a comercialização tardia, a partir do uso da armazenagem.

Segundo dados obtidos pela ferramenta desenvolvida pelo Grupo ESALQ-LOG (Fone: 19 3429.4441), o SIARMA – Sistema de Informações de Armazenagem, o ano de 2018 promete gerar benefícios aos produtores que optaram por armazenar sua produção. As informações, baseadas em uma análise histórica, indicam os períodos favoráveis para a armazenagem de grãos. Ainda que em 2017 essa escolha não tenha sido positiva economicamente devido à quebra da safra de soja, as projeções para este ano são de aumento de receitas com a venda do grão após a época comum de comercialização.
De acordo com o analista de projetos do Grupo ESALQ-LOG, Fernando Rocha, especificamente neste ano, confirmando as projeções do ESALQ-LOG apresentadas no final de 2017, a armazenagem está trazendo benefícios econômicos no mercado brasileiro. “Analisando a situação de um produtor que colheu parte da sua safra ao longo do mês de fevereiro, os indicadores do SIARMA evidenciam que a decisão de armazenar a sua produção após a colheita para comercializá-la ao longo do mês de abril traria um ganho econômico da ordem de R$ 9,60 por saca. Ou seja, nota-se uma receita adicional de 17,5% em comparação com opção de venda logo após a colheita, ainda em fevereiro”, explica Rocha.
O analista indica também outros ganhos econômicos que foram observados, uma vez que o produtor que optou por colher em janeiro e comercializar em abril teve aumento na ordem de 16%, valores maiores em comparação ao observado nas vendas em março, com 8,4% de aumento. “Tal cenário é bem diferente do observado no ano passado, quando o produtor que colheu a soja em fevereiro e optou pelo armazenamento não teve aumento de receita com a comercialização tardia no ano todo”, completa o profissional
Rocha explica ainda que a mudança prevista para este ano pode ser causada por três fatores: o comportamento do preço da soja, o preço do câmbio e o mercado de fretes. “No caso do primeiro fator, o preço da soja no mercado internacional foi caracterizado por uma escalada de preços nesse primeiro quadrimestre do ano. De janeiro até abril só foram observados reajustes positivos nos preços da commoditie, atingindo o patamar de R$ 85 por saca em abril, valor baseado nos preços do porto de Paranaguá. O cenário é bem diferente do observado no ano passado, quando os valores de comercialização caíram consideravelmente.”
Já o preço no mercado brasileiro tem relação importante com o câmbio, devido à contínua desvalorização do real frente à moeda americana, o que não foi observado no ano passado. Essa desvalorização da moeda brasileira, principalmente em abril, contribuiu de forma decisiva para o uso da armazenagem neste ano.
Por fim, como terceiro fator, o mercado de fretes também tem impacto direto nesse uso estratégico da armazenagem. Dados do SIFRECA mostram que neste ano o pico do frete observado no mercado ocorreu no mês de fevereiro, entrando nos meses de março e abril com reajustes negativos – é bom observar que esta análise foi feita antes da greve dos caminhoneiros e dos acertos em torno do frete. A comparação com 2017 mostra que naquele período os fretes tiveram reajustes positivos até no mês de março, o que prejudicou ainda mais o uso da armazenagem naquele ano. “Pertinente às projeções futuras, tudo indica que o preço e o câmbio ficarão pressionados por mais alguns meses. Além disso, a expectativa é que o mercado de transporte não atinja mais os mesmos patamares de fretes do mês de fevereiro. Ou seja, temos um cenário favorável à utilização da armazenagem pelo menos por mais alguns meses”, finaliza Rocha.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal