Projeção para o varejo em 2021 é de crescimento

01/03/2021

A crise econômica que abalou o Brasil nos primeiros meses de pandemia está perdendo força, ao menos no varejo. A análise da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de que o setor vem crescendo — no varejo ampliado, fechou com crescimento de 4,6% em 2019 e 5,3% em 2020.

Apesar disso, economistas da CNC chamam a atenção para o fato de que, mesmo com a reação do consumo nos últimos anos, o atual volume de vendas do varejo ainda se encontra 6,5% abaixo daquele registrado às vésperas da recessão em novembro de 2014. A projeção é que o setor supere plenamente a crise apenas em 2021.

O setor do varejo ainda é um dos que menos utiliza tecnologia em seu dia a dia mas, para atingir o crescimento esperado e previsto, será essencial que as empresas se adequem a esta realidade, mesmo que aos poucos. Confira seis dicas de especialistas sobre as áreas em que você pode investir este ano para acompanhar a onda de crescimento no setor:

Digitalização do pequeno e médio negócio
A maior parte dos profissionais do setor varejista relaciona inovação com tecnologia, mas percebe essa conexão como algo muito distante da sua realidade, de difícil acesso e implementação. “Geralmente, a abertura de pequenos negócios é motivada por alguma demanda local pontual e/ou necessidade de empreender para suprir questões financeiras pessoais”, analisa Wagner Muller, CEO da Compufour Zuchetti, desenvolvedora de sistemas de gestão para micros e pequenos negócios. Para Wagner, são essas pessoas que tendem a deixar a importância do gerenciamento de lado, já que os empreendedores costumam acreditar que dominam todos os aspectos da empresa — e organizam tudo de cabeça, sem sistemas. “Infelizmente, acompanhamos uma quebra geral de negócios acostumados a trabalhar sem um mínimo de gestão e planejamento”, completa Muller.

Novas tecnologias de pagamento

O mercado de meios de pagamento passou e está passando por mudanças após o surgimento da Covid-19 — entre os meses de janeiro e abril, o percentual de transações feitas por pessoas físicas em canais digitais aumentou 19%. Em muitos setores, a preocupação com a saúde continua crescendo — e para os estabelecimentos com grande fluxo de pessoas, como o varejo, as tecnologias de pagamento touchless, aquelas que não exigem contato humano ou quando ele é muito pequeno, são uma das melhores soluções para driblar o contágio. “O pagamento sem contato oferece aos consumidores uma forma de pagar mais segura e rápida, assim como mais controle sobre sua proximidade com outros clientes. Hoje, a adoção de novas formas de pagamentos acelerou como nunca antes, já que o distanciamento social não impacta somente as interações das pessoas entre si, mas também o contato com aparelhos compartilhados em público, como pontos de venda e balcões de checkout”, explica Eládio Isoppo, CEO da fintech de reconhecimento facial Payface.

Inteligência artificial para o varejo

A pandemia fez explodir as compras online no Brasil em 2020. Durante a Black Friday, por exemplo, de acordo com levantamento do Itaú Unibanco, pela primeira vez o volume de compras online superou o feito em lojas físicas. Para retomar as vendas, o varejo físico precisa dar atenção à execução perfeita da estratégia de trade marketing. E, nesse contexto, o trabalho de promotores de venda se tornou ainda mais importante. Por isso, tecnologias que otimizam o dia a dia desses profissionais são tendência para 2021. Como explica o CPO da Involves, Pedro Galoppini, contar com recursos de inteligência artificial é decisivo. “A coleta de dados pode consumir muito tempo de promotores que ainda precisam atuar com reposição, exposição e relacionamento com gerentes de lojas. Com o uso de tecnologia de reconhecimento por imagem a captura das informações é otimizada e pode estar conectada à metodologia de Loja Perfeita, que mostra aos promotores o que precisa ser corrigido com mais agilidade”, explica. Além de beneficiar quem está no PDV, o reconhecimento por imagem garante dados precisos para que times internos tomem decisões baseadas em informações seguras.

Experiência completa no e-commerce

Abrir um negócio próprio é um dos principais desejos do brasileiro, segundo o levantamento GEM/2018 realizado pelo Sebrae. Mas para tornar esse sonho realidade, é preciso preparação, disciplina e análise de perfil, com um planejamento que considere os objetivos pretendidos e análise de mercado. “Identificar as metas é um ponto de partida para tornar o negócio realidade. É essencial também que você saiba quais são os diferenciais do seu mercado com relação à concorrência, definindo o nicho em que irá atuar e sabendo posicionar a sua marca online, ainda mais em um momento como esse em que, apenas no primeiro semestre de 2020, o e-commerce teve crescimento de 47%”, afirma Ricardo Melo, gerente de marketing da HostGator, multinacional de hospedagem de sites. Ao avançar para o espaço digital, o empreendedor precisa estar atento. “É no site da sua empresa que as pessoas vão conhecer a sua marca e seus produtos. Então, verifique a disponibilidade do domínio que pretende utilizar e escolha a empresa de hospedagem levando em consideração não apenas as necessidades atuais do seu negócio, mas também onde pretende chegar, ou seja, é preciso que os planos oferecidos se adequem à sua perspectiva de crescimento”, considera Ricardo. A Hostgator disponibilizou, para quem busca aprender mais sobre vendas online, a plataforma de educação gratuita Collabplay que oferece cursos gratuitos sobre o tema.

Análise de dados para estratégias

A Harvard Business Review já confirmou que empresas que tomam decisões com base em dados têm mais chances de sucesso. No entanto, somente 5% dos varejistas entrevistados no mesmo estudo dizem se orientar nessas referências. “A análise de dados ajuda os comerciantes a entenderem melhor o mercado, os clientes e seus padrões de consumo, permitindo a criação de estratégias em vários níveis — ações de marketing certeiras, precificação adequada, redução de custos desnecessários, controle de estoque e assim por diante”, explica Guilherme Hernandez, CEO da Kyte, startup que oferece um aplicativo de vendas e gestão para autônomos e pequenos comerciantes. Além de informações básicas, como faturamento, volume de vendas e ticket médio, é fundamental ter conhecimento sobre as preferências dos clientes, meios de pagamento utilizados e produtos comercializados. “Hoje, já é possível contar com softwares e aplicativos que cruzam todos esses dados automaticamente e em tempo real, gerando relatórios estatísticos que permitem a realização de ações com base em dados confiáveis, e não em intuição”, reforça Hernandez.

Plataforma de gestão para centrais de negócios

Quando a tecnologia é aliada aos processos de gestão, os benefícios vão além da redução de custos. O ponto chave é a capacidade de analisar o todo, identificando carências e propondo melhorias que podem otimizar recursos, além de auxiliar na tomada de decisões. No caso das centrais de negócios — grupos de empresários que se unem para ganhar escala e obter melhores preços e maior competitividade nas compras — utilizar uma plataforma de gestão que concentre todos os dados dos associados, das compras e dos fornecedores é um grande diferencial. “Esse tipo de tecnologia pode concentrar todas as informações da central, como: o monitoramento das compras integradas (passando pelo processo de cotação, negociação com fornecedores e entrega), análise do financeiro, comunicação e engajamento dos associados. Também é possível minimizar os erros, aumentar a produtividade e permitir a mensuração dos resultados — através do cruzamento feito com dados salvos, gerando informações estratégicas para decisões assertivas”, comenta Jonatan da Costa, CEO da Área Central.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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